Como preparar seus funcionários para mudanças na empresa

Como preparar seus funcionários para mudanças na empresa

Fun­cionários de todo o mun­do relatam que grandes mudanças orga­ni­za­cionais estão afe­tan­do seus empre­gos. De tran­sições e reestru­tu­rações de lid­er­ança, a fusões e aquisições, pas­san­do por mudanças reg­u­latórias, parece haver uma con­stante inqui­etação na força de tra­bal­ho. Porém, de acor­do com uma pesquisa elab­o­ra­da com mais de meio mil­hão de fun­cionários dos Esta­dos Unidos, quase um terço não entende por que essas mudanças estão acon­te­cen­do.

Pode ser prej­u­di­cial para qual­quer empre­sa que este­ja ten­tan­do imple­men­tar mudanças. O não entendi­men­to dos fun­cionários acer­ca dessas mod­i­fi­cações pode se tornar uma bar­reira para pro­mover a apro­pri­ação e o com­pro­me­ti­men­to com as mudanças, poden­do até mes­mo resul­tar em resistên­cia ou retro­ces­so. E a resistên­cia dos fun­cionários em mudar é um fator deter­mi­nante para o fra­cas­so de muitas ten­ta­ti­vas de trans­for­mação.

Exec­u­tivos e aque­les respon­sáveis por lid­er­ar mudanças não podem assumir que os fun­cionários com­preen­dem as razões destas. Você deve gas­tar tem­po expli­can­do as mudanças e por que elas são impor­tantes. Com base na min­ha exper­iên­cia dan­do suporte a ini­cia­ti­vas de mudança orga­ni­za­cional, há qua­tro aspec­tos-chave para aju­dar os fun­cionários a enten­der a mudança, ger­ar com­pro­me­ti­men­to e, em últi­ma análise, con­tribuir para que ela seja bem-suce­di­da.

Inspire as pes­soas por meio de uma visão envol­vente para o futuro. Em tem­pos de incerteza, as pes­soas estão pas­san­do por mudanças querem ter uma visão clara do cam­in­ho à frente. É impor­tante com­par­til­har o que você sabe – incluin­do o que está mudan­do, quan­do e como. Mas, para a maio­r­ia das ini­cia­ti­vas de mudança, tam­bém é útil começar com uma nar­ra­ti­va ou história que artic­ule clara­mente o “quadro ger­al”, porque a mudança é impor­tante e como afe­tará pos­i­ti­va­mente a orga­ni­za­ção a lon­go pra­zo. Isso deve servir de base para como você falará sobre a mudança no futuro.

Para ter suces­so, sua história pre­cisa começar jun­to com a mis­são prin­ci­pal da empre­sa e, em segui­da, ofer­e­cer uma visão de futuro con­vin­cente e inspi­rado­ra. Você quer respon­der: como as mudanças que faz hoje o aju­dam a alcançar sua visão para o futuro?

Por exem­p­lo, em 2017, nos­so cliente FMC Cor­po­ra­tion esta­va se preparan­do para adquirir uma parte sig­ni­fica­ti­va da área de Pro­teção de Cul­tivos da DuPont, o que trans­for­maria a FMC na quin­ta maior empre­sa do mun­do espe­cial­iza­da nesse ramo. Como parte da sua história de trans­for­mação, desen­volver­am uma cam­pan­ha de comu­ni­cação inter­na unifi­cado­ra chama­da A natureza do aman­hã, que artic­u­lou o raciocínio e a visão para a aquisição.

A cam­pan­ha expli­cou como a FMC obte­ria um port­fólio mais amp­lo de pro­du­tos, um maior alcance glob­al e capaci­dade ple­na de P&D – tudo isso facili­ta a real­iza­ção de suas aspi­rações em aju­dar clientes a ali­men­tar uma pop­u­lação cres­cente de maneira sus­ten­táv­el. Emb­o­ra a inte­gração ain­da este­ja em anda­men­to, a cam­pan­ha ger­ou entu­si­as­mo pela aquisição entre os fun­cionários e até hoje é uti­liza­da para comu­nicar a promes­sa da nova FMC.

Even­tos rela­ciona­dos a mudança são fre­quente­mente incer­tos, instáveis, estres­santes e arrisca­dos. Mas um sig­nifi­ca­do ou um propósi­to claro por trás da mudança for­t­ale­cerá sua causa. Se você pud­er artic­ulá-lo de for­ma clara, os fun­cionários tam­bém con­stru­irão uma mel­hor com­preen­são da estraté­gia de negó­cios.

Man­ten­ha os fun­cionários infor­ma­dos por meio de comu­ni­ca­dos reg­u­lares. A comu­ni­cação sobre a mudança nun­ca é um even­to úni­co; man­ter os fun­cionários infor­ma­dos é algo que você terá que faz­er ao lon­go de todas as eta­pas do proces­so de mudança. Estu­dos desco­bri­ram que a comu­ni­cação con­tínua é um fator deter­mi­nante para o suces­so de uma trans­for­mação. Para decidir como será a comu­ni­cação, ten­ha em mente o seguinte:

Seja claro e con­sis­tente: todas as suas comu­ni­cações devem ser coer­entes com a nar­ra­ti­va que você desen­volveu, reiteran­do a neces­si­dade de mudanças e apre­sen­tan­do uma visão atraente do futuro.

Você não terá todas as respostas: muitas vezes, você não estará munido de todas as respostas que os fun­cionários procu­ram, o que gera ansiedade e incerteza. É impor­tante se con­cen­trar no que você sabe e ser fran­co sobre o que você não sabe. Se não tiv­er uma respos­ta, diga. Quan­do isso ocor­rer, é impor­tante que os fun­cionários saibam que você está com­pro­meti­do em se comu­nicar de maneira aber­ta e trans­par­ente e que vai atu­al­izá-los assim que sou­ber mais.

Não se esqueça de artic­u­lar “O que eu gan­ho com isso?”: uma das fras­es mais impor­tantes que você pode encon­trar nas comu­ni­cações de mudança é “o que eu gan­ho com isso?”. Se os seus fun­cionários enten­derem o que vão gan­har com a mudança, é mais prováv­el que se com­pro­metam e se apro­priem da trans­for­mação. Deixar de artic­u­lar “o que eu gan­ho com isso” só vai atra­pal­har seus esforços.

Há alguns anos, apoiei as comu­ni­cações de mudança para a inte­gração de duas empre­sas líderes em saúde ani­mal. Um líder de uma delas era excep­cional­mente bom em comu­nicar como cada fun­cionário se ben­e­fi­cia­ria indi­vid­ual­mente da fusão. E não falou ape­nas sobre novas opor­tu­nidades de emprego ou aumen­to de par­tic­i­pação de mer­ca­do. Ele reforçou como a fusão levaria à cabo a paixão dos fun­cionários por man­ter os ani­mais saudáveis, e como, jun­tas, as duas orga­ni­za­ções pode­ri­am ofer­e­cer soluções, pro­du­tos e tec­nolo­gias que não exi­s­tiri­am de out­ra for­ma.

Estim­ule líderes e gestores a lid­er­ar por meio da mudança. Para que as grandes trans­for­mações sejam bem-suce­di­das, é pre­ciso pedir aos fun­cionários que adotem com­por­ta­men­tos ou con­jun­tos de habil­i­dades especí­fi­cos. E quan­do os líderes seniores servem de mod­e­lo para as mudanças de com­por­ta­men­to, as trans­for­mações têm cin­co vezes mais chances de darem cer­to.

Os líderes não pre­cisam ape­nas estar equipa­dos com infor­mações e recur­sos, mas pre­cisam se sen­tir con­fi­antes para lid­er­ar em meio à mudança. Isso pode ser espe­cial­mente desafi­ador, pois os líderes se deparam com mais pressão para fornecer respostas mel­hores e apoiar suas equipes. Mas a for­ma como a sua lid­er­ança reage à mudança irá se espal­har e impactar os gestores, os quais, por sua vez, impactarão seus colab­o­radores e seu envolvi­men­to.

Para capac­i­tar líderes e gestores, os exec­u­tivos e os pro­tag­o­nistas da mudança devem ajudá-los a enten­der os fun­da­men­tos desse proces­so: como ser um líder efi­caz em tem­pos de mudança, como os indi­ví­du­os reagem e se com­por­tam durante a mudança, e como lidar com bar­reiras ou áreas de resistên­cia.

Recen­te­mente, par­ticipei de uma reunião exter­na para um cliente que pas­sa­va por uma grande trans­for­mação na sua orga­ni­za­ção de serviços com­par­til­ha­dos. Enquan­to a grande maio­r­ia dos fun­cionários esta­va foca­da no moti­vo pelo qual a orga­ni­za­ção esta­va mudan­do e no que acon­te­ceria, eles encon­traram um tem­po para treinar e aper­feiçoar líderes, os indi­ví­du­os que, em últi­ma instân­cia, seri­am respon­sáveis por con­duzir a mudança.

Líderes podi­am escol­her entre treina­men­tos sobre diver­sos tópi­cos, incluin­do como a automação e a inteligên­cia arti­fi­cial estão mudan­do suas empre­sas, como aplicar o Design Think­ing para resolver prob­le­mas de negó­cios e os fun­da­men­tos do geren­ci­a­men­to de mudanças. Por exem­p­lo, durante as sessões de Design Think­ing, pediu-se aos líderes que solu­cionassem prob­le­mas e desen­volvessem soluções rela­cionadas às difi­cul­dades reais que os fun­cionários pode­ri­am encon­trar durante a mudança. Como resul­ta­do, os líderes saíram mais bem equipa­dos para embasar o méto­do pelo qual con­duziri­am a trans­for­mação.

Encon­tre maneiras cria­ti­vas de envolver os fun­cionários na mudança. Ao plane­jar grandes even­tos de mudança, é impor­tante solic­i­tar feed­back e envolver as pes­soas no proces­so. Isso aju­da os fun­cionários a se apro­pri­arem da mudança e aumen­ta a prob­a­bil­i­dade de que eles apoiem ou até mes­mo lutem pela trans­for­mação.

Em preparação para a transação de Pro­teção de Cul­tivos da FMC com a DuPont, mais de 150 fun­cionários da FMC foram indi­ca­dos pelos líderes para faz­er parte da Rede de Campeões de Mudança. O grupo foi cri­a­do para respon­der a per­gun­tas e estim­u­lar os fun­cionários e os cole­gas sobre o futuro da empre­sa. Foi um recur­so essen­cial para os cole­gas de tra­bal­ho e serviu como um canal de feed­back bidi­re­cional para a lid­er­ança.

Out­ra maneira de envolver os fun­cionários e impul­sion­ar o com­pro­mis­so é recon­hecer aque­les que estão abraçan­do a mudança e apre­sen­tan­do os com­por­ta­men­tos dese­ja­dos. Por exem­p­lo, um cliente novo que­ria con­duzir uma mudança que tornar­ia a cul­tura mais aber­ta e trans­par­ente, e faz­er com que os fun­cionários se enga­jassem com val­ores cor­po­ra­tivos recen­te­mente lança­dos. Como parte do lança­men­to, a empre­sa intro­duz­iu um novo prêmio para recon­hecer os fun­cionários que estavam viven­do seus val­ores cor­po­ra­tivos den­tro e fora do tra­bal­ho. Os fun­cionários pode­ri­am indicar seus pares e os vence­dores seri­am escol­hi­dos por toda a orga­ni­za­ção e rev­e­la­dos em um even­to volta­do só para eles. Isso não ape­nas rec­om­pen­sou aque­les que eram mod­e­los de mudança, mas per­mi­tiu que toda a orga­ni­za­ção se envolvesse no proces­so.

Ser capaz de lid­er­ar a mudança de maneira efe­ti­va den­tro de sua orga­ni­za­ção é cru­cial – e impacta sua cul­tura e seus resul­ta­dos. As empre­sas que são alta­mente efi­cazes no geren­ci­a­men­to de mudanças têm três vezes e meia mais chances de super­ar sig­ni­fica­ti­va­mente seus con­cor­rentes no setor.

Assumir que os fun­cionários enten­dem as mudanças pelas quais sua empre­sa está pas­san­do prej­u­di­cará sua trans­for­mação. Então, da próx­i­ma vez que você estiv­er se aprox­i­man­do de um pro­je­to de mudança, pense em como você pode inspi­rar, infor­mar, capac­i­tar e enga­jar seus embaix­adores mais poderosos – e con­duzir com suces­so a sua com­pan­hia para o futuro.

Por Mor­gan Gal­braith — ger­ente de mudança e enga­ja­men­to de fun­cionários da Weber Shand­wick.

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