Palavras e frases para usar – e evitar – ao falar com clientes

Palavras e frases para usar – e evitar – ao falar com clientes

A chave para qual­quer rela­ciona­men­to bem-suce­di­do é a comu­ni­cação efi­caz. No mun­do dos negó­cios, isso sig­nifi­ca ten­tar enten­der o que os con­sum­i­dores e clientes estão dizen­do e respondê-los de for­ma com­preen­si­va. Na maio­r­ia das vezes, porém, a maneira como as empre­sas usam a lin­guagem para per­suadir, sat­is­faz­er ou reti­ficar tem sido mais uma arte do que ciên­cia.

O mun­do do vare­jo, em par­tic­u­lar, está reple­to de fras­es de efeito, hábitos e mod­e­los comu­mente copi­a­dos: “Diga isso com um sor­riso”. “Nun­ca diga não”. “Des­culpe é uma palavra mág­i­ca.” “O nome de uma pes­soa é o som mais belo em qual­quer idioma”. Mas essas e out­ras dicas anti­gas sobre como falar com os clientes real­mente fun­cionam?

Estu­dar a eficá­cia das palavras que as empre­sas usam para con­ver­sar com os clientes é del­i­ca­do, mas a ascen­são das comu­ni­cações dig­i­tais, mídias soci­ais e big data está pro­duzin­do enormes quan­ti­dades de tex­to que os pesquisadores podem anal­is­ar e enten­der usan­do novas téc­ni­cas sofisti­cadas. Ao com­bi­nar o proces­sa­men­to de lin­guagem nat­ur­al, a lin­guís­ti­ca com­puta­cional e os exper­i­men­tos de psi­colo­gia, podemos ago­ra desco­brir a ver­dadeira importân­cia de vari­ações sutis na maneira como os clientes con­ver­sam com os fun­cionários da lin­ha de frente e como os clientes respon­dem às palavras escol­hi­das por ess­es fun­cionários. Isso nos per­mite enten­der as for­mas como as pes­soas se comu­ni­cam nas con­fig­u­rações no ambi­ente de tra­bal­ho com maior pre­cisão e qual lin­guagem é mais efi­caz.

De acor­do com a nos­sa pesquisa e out­ras sim­i­lares, ago­ra está claro que algu­mas das ver­dades con­sagradas das inter­ações em atendi­men­to ao cliente não resistem à analise cien­tí­fi­ca. Você pode, por exem­p­lo, diz­er “me des­culpe” a um cliente muitas vezes. Mes­mo que você seja um mem­bro da equipe da empre­sa, geral­mente é mel­hor diz­er “eu” do que “nós”. E nem toda comu­ni­cação pre­cisa ser per­fei­ta; às vezes, alguns erros pro­duzem um resul­ta­do mel­hor do que a per­feição.

Eis aqui o que há de mais novo no cres­cente, per­spi­caz e, por vezes, sur­preen­dente novo mun­do da pesquisa em lin­gua­gens para negó­cios.

Seja humano…

Os dados de pesquisa disponíveis que anal­isam o uso da lin­guagem entre os clientes e entre fun­cionários e clientes sug­ere que um toque pes­soal é de fato cru­cial. Isso é par­tic­u­lar­mente impor­tante, dada a cres­cente fre­quên­cia de con­ver­sas que acon­te­cem via tec­nolo­gia (tele­fone, email, tex­to ou bate-papos) em vez de pes­soal­mente. Aqui estão algu­mas dicas baseadas nas pesquisas mais recentes:

Fale como indi­ví­duo, não como mem­bro de uma equipe. Se por um lado empre­sas e fun­cionários acred­i­tam que devem se referir a si mes­mos como “nós” quan­do con­ver­sam com clientes, e na práti­ca real­mente o fazem, nos­sa pesquisa mostra que essa práti­ca é pouco recomendáv­el. Em uma série de estu­dos con­tro­la­dos, os rep­re­sen­tantes da empre­sa que se refe­ri­am a si mes­mos no sin­gu­lar (por exem­p­lo, “eu”, ou “meu”) eram tidos como agin­do e sentin­do mais em nome dos clientes do que aque­les que ado­taram pronomes pes­soais no plur­al (“nós” ou “nos­so”). (Por exem­p­lo, diz­er “como pos­so ajudá-lo?” supera “como podemos ajudá-lo?”). Uma análise real­iza­da em mais de mil tro­cas de e‑mail entre empre­sa e clientes desco­briu que a mudança para pronomes de primeira pes­soa no sin­gu­lar pode­ria levar a um poten­cial aumen­to de ven­das de mais de 7%.

Com­par­til­he as mes­mas palavras. Pes­soas que imi­tam a lin­guagem da pes­soa com quem estão inter­agin­do são mais con­fiáveis ​​e queri­das, quer este mimetismo envol­va como falam (pronomes como “eu” ou “nós”, arti­gos como “isso” ou “a”) ou sobre o que falam (sub­stan­tivos como “car­ro”, ver­bos como “diri­gir”, adje­tivos como “rápi­do”). Por exem­p­lo, em respos­ta a um cliente sobre “Min­ha com­pra chegará em breve?”, seria mel­hor para um fun­cionário diz­er “Sim, sua com­pra chegará aman­hã”, em vez de “Sim, estará sendo entregue aman­hã”. O mimetismo cria um laço com o cliente, e pesquisas que ain­da estão em anda­men­to, con­duzi­das por Fran­cis­co Vil­lar­roel Ordenes, Dhruv Gre­w­al, Lau­ren Gre­w­al e Pana­gi­o­tis Saran­topou­los, vin­cu­lam o mimetismo à sat­is­fação do cliente. A empa­tia tam­bém pode ser cri­a­da ao pedir que os fun­cionários imag­inem que os clientes são semel­hantes a eles (por exem­p­lo, inter­ess­es comuns, pes­soais ou com­er­ci­ais), mes­mo quan­do estiverem a mil­hares de quilômet­ros.

Primeiro, rela­cione-se. Pesquisadores que realizaram anális­es autom­a­ti­zadas de cen­te­nas de tran­scrições de atendi­men­to ao cliente de com­pan­hias aéreas desco­bri­ram que, con­sis­ten­te­mente com os relatos de clientes em pesquisas ante­ri­ores, expres­sar empa­tia e cuida­do através de palavras “iden­ti­fi­cação com o cliente” era fun­da­men­tal, pelo menos no ini­cio das inter­ações de serviço. Palavras rela­cionais são ver­bos e advér­bios que demon­stram pre­ocu­pação (por exem­p­lo, por favor, obri­ga­do, des­culpe) bem como con­cordân­cia por um sinal (por exem­p­lo, sim, aham, ok). Emb­o­ra essa descober­ta pos­sa não pare­cer sur­preen­dente para alguns, para out­ros rev­ela que os fun­cionários da lin­ha de frente não devem ser nec­es­sari­a­mente empáti­cos e aten­ciosos durante toda a inter­ação.

… e então, assuma o comando

Emb­o­ra seja impor­tante usar palavras que esta­beleçam um rela­ciona­men­to mais pes­soal com os clientes, uma nova descober­ta de pesquisa sug­ere que a supos­ta importân­cia dos “empat­i­fi­cadores” da lin­ha de frente pode ser lim­i­ta­da. Uma análise mais sofisti­ca­da da lin­guagem de inter­ações com clientes sug­ere que, uma vez que eles mostrem que estão ouvin­do, os fun­cionários da lin­ha de frente devem mudar rap­i­da­mente para uma lin­guagem que sinal­ize uma ati­tude mais asserti­va e “respon­sáv­el”.

Mude de relação para res­olução. A mes­ma pesquisa que anal­isou as tran­scrições dos serviços de check-in desco­briu que após um perío­do ini­cial em que o fun­cionário demon­stra sua empa­tia pelas neces­si­dades do cliente, ouvir fun­cionários diz­er “des­culpe” e out­ras palavras “sim­pa­tia” tiver­am pouco efeito sobre a sat­is­fação do cliente. Em vez dis­so, a análise autom­a­ti­za­da de tex­tos rev­el­ou que os clientes que­ri­am que os fun­cionários lin­guis­ti­ca­mente “assumis­sem o con­t­role” da con­ver­sa. Especi­fi­ca­mente, esta pesquisa sug­eriu que uma mudança para ver­bos que “resolvam” (por exem­p­lo, obter, lig­ar, faz­er, colo­car, pre­cis­ar, per­mi­tir, resolver) con­forme a inter­ação se des­do­bra­va era um impor­tante indi­cador para a sat­is­fação do cliente. Ordenes e seus cole­gas encon­traram resul­ta­dos semel­hantes em sua pesquisa em anda­men­to, que anal­isou as inter­ações baseadas em bate-papo on-line de uma grande empre­sa de pro­du­tos de con­sumo com seus clientes. A análise autom­a­ti­za­da de tex­tos dessas con­ver­sas desco­briu que a sat­is­fação do cliente é maior quan­do os fun­cionários da lin­ha de frente mudam dinami­ca­mente de palavras de con­sid­er­ação (por exem­p­lo, medo, erro, pena) para uma lin­guagem mais dom­i­nante (por exem­p­lo, obri­gação, con­fir­mação, ação).

Seja especí­fi­co. A análise da lin­guagem uti­liza­da nas inter­ações por tele­fone e e‑mail de dois grandes vare­jis­tas rev­el­ou que, após a fase intro­dutória de uma con­ver­sa, quan­do os agentes devem mostrar que estão ouvin­do, os clientes con­sid­er­am os fun­cionários mais úteis quan­do usam uma lin­guagem mais conc­re­ta. Por exem­p­lo, para um vare­jista de roupas, “blusa bran­ca de gola rolê” é mais especí­fi­co do que “blusa” e “tênis” é mais especí­fi­co do que “calça­do”. Exper­i­men­tos de lab­o­ratório em anda­men­to por um mem­bro de nos­sa equipe (Grant Packard) e Jon­ah Berg­er sug­erem que lin­guagem mais conc­re­ta sinal­iza ao cliente que o agente está psi­co­logi­ca­mente “mais próx­i­mo” de suas neces­si­dades pes­soais. Para um dos vare­jis­tas, uma análise de cam­po de mais de 1.000 inter­ações de serviços de e‑mail desco­briu que a mudança da con­cre­tude “média” para um desvio padrão aci­ma da média (a grosso modo, em torno do 68º per­centil da “con­cre­tude” lin­guís­ti­ca) esta­va cor­rela­ciona­da à um aumen­to de 4 % nas com­pras depois do cliente con­ver­sar com o fun­cionário.

Vá dire­to ao pon­to. A análise da lin­guagem usa­da em anális­es de pro­du­tos de con­sum­i­dores e espe­cial­is­tas — além de estu­dos de lab­o­ratório — sug­ere que vari­ações sutis nas palavras usadas para recomen­dar um pro­du­to ou ação podem ter efeitos sub­stan­ci­ais. Por exem­p­lo, as pes­soas são mais per­sua­si­vas quan­do usam palavras que recomen­dam explici­ta­mente o pro­du­to ao cliente (“sugiro exper­i­men­tar este” ou “recomen­do este álbum”) em vez de uma lin­guagem implíci­ta ao com­par­til­har a ati­tude pes­soal do falante (“eu gos­to deste “ou” eu amo este álbum “) para com um pro­du­to ou serviço. Isso ocorre porque as recomen­dações explíc­i­tas sinal­izam con­fi­ança e con­hec­i­men­to por parte do recomen­dador, uma per­cepção que pode ser par­tic­u­lar­mente impor­tante em con­tex­tos pes­soais de ven­da.

À medi­da que mais e mais con­ver­sas entre empre­sas e clientes vão acon­te­cen­do de for­ma on-line ou em out­ras mídias baseadas em tex­to, a importân­cia de uti­lizar uma lin­guagem cor­re­ta é maior do que nun­ca. No entan­to, as empre­sas fre­quente­mente ensi­nam seus fun­cionários a usar uma lin­guagem sem respal­do cien­tí­fi­co. Feliz­mente, novas pesquisas usan­do análise de tex­to autom­a­ti­za­da e méto­dos da psi­colo­gia lin­guís­ti­ca ofer­e­cem algu­mas soluções sim­ples, acionáveis e quase sem cus­tos para mel­ho­rar os ter­mos de con­ver­sação pelos quais as empre­sas envolvem seus clientes. Além dis­so, os avanços no proces­sa­men­to de lin­guagem nat­ur­al e apren­diza­gem automáti­ca pare­cem prepara­dos para aju­dar pesquisadores e ger­entes a desco­brir até mes­mo insights mais pro­fun­dos sobre como as palavras real­mente fun­cionam para as empre­sas.

Autores: Sarah Moore, Brent McFer­ran e Grant Packard

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