Novo computador quântico passa por importantes testes

Novo computador quântico passa por importantes testes

Pesquisadores de duas equipes tra­bal­han­do com a Intel relataram, avanços em uma nova arquite­tu­ra de com­putação quân­ti­ca chama­da de “spin qubits”. Eles, obvi­a­mente, não são os com­puta­dores quân­ti­cos de propósi­to com­ple­to do futuro, mas têm uma grande van­tagem em relação a out­ros designs de com­putação quân­ti­ca.

“Fize­mos ess­es qubits em chips de silí­cio, pare­ci­dos com o que são usa­dos em proces­sos com­puta­cionais clás­si­cos”, disse o autor do estu­do Thomas Wat­son, da TU Delft, na Holan­da, em entre­vista ao Giz­mo­do. “A esper­ança é de que, ao faz­er as coisas dessa maneira, podemos poten­cial­mente escalar para números maiores, que são necessários para exe­cu­tar uma com­putação quân­ti­ca útil.”

Para os não-ini­ci­a­dos, com­puta­dores quân­ti­cos viram as regras dos com­puta­dores de cabeça para baixo como o Mági­co de OZ indo de pre­to e bran­co para col­ori­do. Com­puta­dores clás­si­cos exe­cu­tam todos seus cál­cu­los con­ver­tendo dados em códi­go binário. Cada zero ou um é rep­re­sen­ta­do por algum bit físi­co de duas escol­has. Com­puta­dores quân­ti­cos, por sua vez, usam qubits — bits quân­ti­cos que assumem os dois val­ores simul­tane­a­mente durante os cál­cu­los. Pares de qubits con­ver­sam uns com os out­ros usan­do regras da mecâni­ca quân­ti­ca. Eles pro­duzem val­ores de bit nor­mais quan­do o usuário pre­cisa de uma respos­ta. Você pode ler isto aqui se pre­cis­ar de mais infor­mações.

Exis­tem várias maneiras de fisi­ca­mente con­stru­ir ess­es qubits. Isso exige con­stru­ir uma coleção de sis­temas quân­ti­cos de dois esta­dos que oper­am e se comu­ni­cam por meio das regras da mecâni­ca quân­ti­ca. O Google e a IBM usam peças minús­cu­las de eletrôni­cos super-res­fri­a­dos e super­con­du­tores. A IonQ (desen­volve­do­ra de apli­cações com­er­ci­ais com com­putação quân­ti­ca) espera usar áto­mos pre­sos por lasers, com dois esta­dos inter­nos difer­entes rep­re­sen­tan­do os dois esta­dos qubits. A Microsoft quer usar uma físi­ca já exis­tente, mas ain­da não obser­va­da. Entre­tan­to, exis­tem out­ras maneiras.

Nes­ta quar­ta-feira, um grupo de pesquisas da TU Delft chama­do QuTech anun­ciou que havia, com suces­so, tes­ta­do dois “spin qubits” em hard­wares forneci­dos por pesquisadores da Uni­ver­si­dade do Wis­con­sin. Ess­es qubits envolvem a inter­ação de dois elétrons con­fi­na­dos em um chip de silí­cio. Cada elétron tem uma pro­priedade chama­da spin, que meio que o trans­for­ma em um ímã minús­cu­lo, com dois esta­dos: “up” e “down”. Os pesquisadores con­tro­lam os elétrons com ímãs reais de cobal­to e pul­sos de micro-ondas. Eles medem os spins do elétron obser­van­do como as car­gas elétri­c­as próx­i­mas reagem aos movi­men­tos dos elétrons pre­sos.

Ess­es pesquisadores, ago­ra tra­bal­han­do em parce­ria com a Intel, con­seguiram exe­cu­tar alguns algo­rit­mos quân­ti­cos, incluin­do o con­heci­do algo­rit­mo de bus­ca Grover (basi­ca­mente, eles con­seguiam efe­t­u­ar bus­cas por qua­tro itens den­tro de uma lista), de acor­do com o estu­do pub­li­ca­do nes­ta quar­ta na Nature. Além dis­so, uma equipe de físi­cos lid­er­a­da por Jason Pet­ta, de Prince­ton, rela­tou na Nature que con­seguiu casar partícu­las de luz, chamadas de fótons, com spins de elétron cor­re­spon­dentes. Isso sig­nifi­ca que spin qubits dis­tantes podem ser capazes de con­ver­sar uns com os out­ros usan­do fótons, o que per­mite com­puta­dores quân­ti­cos maiores.

“Isso te lib­era de pre­cis­ar ter uma inter­ação de maior prox­im­i­dade pos­sív­el”, Pet­ta con­tou ao Giz­mo­do. “Você tam­bém pode com­bi­nar um spin de elétron com um fóton e conec­tar aque­le fóton a qual­quer out­ro spin ou cir­cuito.”

Exis­tem algu­mas van­ta­gens ness­es sis­temas. A tec­nolo­gia de semi­con­du­tores atu­al pode­ria cri­ar ess­es spin qubits, e eles seri­am menores do que os chips super­con­du­tores usa­dos pela IBM. Além dis­so, eles per­manecem quân­ti­cos (sig­nif­i­can­do que podem preser­var sua capaci­dade de man­ter val­ores simultâ­neos) por mais tem­po do que out­ros sis­temas.

“Ambos ess­es estu­dos relatam em cima de pesquisas feitas em refrig­er­adores de diluição, pare­ci­dos com aque­les usa­dos para qubits super­con­du­tores”, disse ao Giz­mo­do a pós-douto­ra Syd­ney Schrep­pler, da Uni­ver­si­dade da Cal­ifór­nia em Berke­ley, que não esteve envolvi­da nos estu­dos. “Mas talvez exista um futuro em que eles operem em tem­per­atu­ra ambi­ente, difer­ente­mente de qubits super­con­du­tores. Você tam­bém pode con­trastar isso com com­puta­dores quân­ti­cos de íon, que exigem um vácuo ultra-alto e múlti­p­los lasers de con­t­role para se oper­ar.”

Exis­tem desvan­ta­gens tam­bém. Por ess­es qubits serem tão iso­la­dos, diz Schrep­pler, “é muito difí­cil medir ess­es spins e até mes­mo mais difí­cil faz­er com que eles inter­a­jam uns com os out­ros. É por isso que os tem­pos de entra­da têm sido his­tori­ca­mente lentos para ess­es sis­temas”. Ela tam­bém men­cio­nou que os qubits exi­giam estar bem próx­i­mos uns dos out­ros, moti­vo pelo qual ela esta­va espe­cial­mente empol­ga­da com o tra­bal­ho da equipe de Pet­ta. “Isso vai pos­si­bil­i­tar inter­ações de maior alcance”, afir­mou, como qubits con­ver­san­do uns com os out­ros de longe no mes­mo chip ou mes­mo em out­ro chip.

Ain­da esta­mos em uma era ini­cial e meio neb­u­losa dos com­puta­dores quân­ti­cos, em que sis­temas de menos de mil qubits só con­seguem faz­er cál­cu­los bem lim­i­ta­dos e cheios de ruí­dos, e os cien­tis­tas ain­da estão tra­bal­han­do em arquite­turas de qubits físi­cos. No fim do dia, a van­tagem da com­putação quân­ti­ca com­para­da com a nor­mal é a pos­si­bil­i­dade de exe­cu­tar tare­fas com­plexas, como decifrar crip­tografia (a NSA, nos EUA, tem desen­volvi­do seus próprios com­puta­dores quân­ti­cos), proces­sar inteligên­cia arti­fi­cial e fatoração de números grandes. Para jog­ar videogame, seu bom e vel­ho com­puta­dor é mais efi­ciente para essa tare­fa.

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