Cultive a curiosidade — para aumentar o desempenho da sua empresa

Cultive a curiosidade - para aumentar o desempenho da sua empresa

A maior parte das mais extra­ordinárias descober­tas e invenções da história, do uso do sílex para faz­er fogo até veícu­los autônomos, tem algu­ma coisa em comum: são o resul­ta­do da curiosi­dade. O dese­jo de procu­rar infor­mações e exper­iên­cias e de explo­rar novas pos­si­bil­i­dades é bási­co do ser humano. A curiosi­dade é muito mais impor­tante para o desem­pen­ho da empre­sa do que se imag­i­na. Pesquisas recentes apon­tam três insights sobre curiosi­dade rela­ciona­dos aos negó­cios. Primeiro, cul­tivá-la em todos os níveis aju­da os líderes e seus fun­cionários a se adap­tar às condições incer­tas do mer­ca­do e às pressões exter­nas: quan­do nos­sa curiosi­dade é insti­ga­da, as decisões são tomadas com mais racional­i­dade e as soluções são mais cria­ti­vas. Além dis­so, a curiosi­dade leva os sub­al­ter­nos a ter ain­da mais respeito por seus líderes e a desen­volver relações de tra­bal­ho mais con­fiáveis e mais colab­o­ra­ti­vas com os cole­gas.

Segun­do, fazen­do peque­nas mudanças no pro­je­to da orga­ni­za­ção e na for­ma como geren­ci­am seus fun­cionários, os líderes podem enco­ra­jar a curiosi­dade — e mel­ho­rar a empre­sa. Isso vale para não só em qual­quer setor indus­tri­al como tam­bém para o tra­bal­ho cria­ti­vo e para o rotineiro.

Ter­ceiro, emb­o­ra os líderes pos­sam diz­er que eles val­orizam cabeças inquis­i­ti­vas, na ver­dade a maio­r­ia reprime a curiosi­dade, pois temem que ela aumente riscos e reduza a efi­ciên­cia. Numa pesquisa que real­izei com mais de 3 mil fun­cionários de uma grande var­iedade de empre­sas e setores, somente 24% relataram sen­tir-se con­tin­u­a­mente curiosos no emprego, e cer­ca de 70% afir­maram enfrentar bar­reiras para faz­er mais per­gun­tas no tra­bal­ho.

No arti­go, detal­ho os bene­fí­cios e as bar­reiras comuns que afe­tam a curiosi­dade no ambi­ente profis­sion­al e, em segui­da, apre­sen­to cin­co estraté­gias que podem aju­dar os líderes a obterem retornos mais altos sobre o inves­ti­men­to explo­ran­do a curiosi­dade dos fun­cionários e de si mes­mos.

Os benefícios da curiosidade

Novas pesquisas rev­e­lam os mais vari­a­dos bene­fí­cios para as orga­ni­za­ções, líderes e fun­cionários.

Menos erros nas tomadas de decisão. Em min­ha pesquisa desco­bri que, quan­do nos­sa curiosi­dade é insti­ga­da, é menor a prob­a­bil­i­dade de nos torn­ar­mos víti­mas de vieses de con­fir­mação (procu­rar infor­mação para cor­rob­o­rar nos­sas crenças em vez de procu­rar evidên­cias de que esta­mos erra­dos) e de estereoti­par­mos pes­soas (com pre­con­ceitos, por exem­p­lo o de que mul­heres ou mino­rias não se tor­nam bons líderes). A curiosi­dade tem ess­es efeitos pos­i­tivos porque nos induz a cri­ar alter­na­ti­vas.

Mais ino­vação e mudanças pos­i­ti­vas tan­to em ativi­dades cria­ti­vas como em não cria­ti­vas. Con­sidere o seguinte exem­p­lo: num estu­do de cam­po, Spencer Har­ri­son, do Insead, e cole­gas pedi­ram a artesãos que ven­di­am seus pro­du­tos por meio de um site de comér­cio eletrôni­co que respon­dessem a várias per­gun­tas com o obje­ti­vo de avaliar a curiosi­dade que viven­ci­avam no tra­bal­ho. Pos­te­ri­or­mente, a cria­tivi­dade dos par­tic­i­pantes foi medi­da pelo número de itens que cri­aram e lis­taram no perío­do de duas sem­anas. Todo aumen­to de uma unidade de curiosi­dade (por exem­p­lo, uma pon­tu­ação de 6, em vez de 5, numa escala de 7 pon­tos) foi asso­ci­a­do a uma cria­tivi­dade 34% maior.

Em out­ro estu­do, Har­ri­son e seus cole­gas focaram em cen­trais de atendi­men­to, onde os empre­gos ten­dem a ser alta­mente estru­tu­ra­dos e a rota­tivi­dade geral­mente é alta. Eles solic­i­taram que fun­cionários recém-con­trata­dos de dez orga­ni­za­ções com­ple­tassem uma pesquisa que, entre out­ras coisas, media a curiosi­dade antes de eles começarem a tra­bal­har no novo emprego. Depois de qua­tro sem­anas os fun­cionários foram anal­isa­dos sobre difer­entes aspec­tos do tra­bal­ho. Os resul­ta­dos mostraram que os mais curiosos procu­raram se infor­mar mais com os cole­gas, e essa infor­mação foi útil em suas ativi­dades — ela estim­u­lou, por exem­p­lo, a cria­tivi­dade ao resolver os prob­le­mas dos clientes.

Min­ha própria pesquisa con­fir­ma que incen­ti­var as pes­soas a serem curiosas pro­move mel­ho­rias no ambi­ente profis­sion­al. Num dos estu­dos, recrutei cer­ca de 200 fun­cionários que tra­bal­havam em várias empre­sas e setores. Duas vezes por sem­ana, durante qua­tro sem­anas, metade rece­bia a seguinte men­sagem de tex­to no iní­cio do dia: “Que tópi­co ou ativi­dade des­per­ta sua curiosi­dade hoje? Sobre que assun­to você nor­mal­mente gostaria de faz­er per­gun­tas? Algu­mas de suas per­gun­tas devem ini­ciar-se com por que e diz­er respeito ao tra­bal­ho que você exe­cu­ta ao lon­go do dia. Reserve alguns min­u­tos para deter­mi­nar como você abor­dará seu tra­bal­ho hoje em função das per­gun­tas que for­mu­lar”.

E metade (o grupo de con­t­role) rece­beu uma men­sagem elab­o­ra­da para provo­car reflexão, e não para aumen­tar sua curiosi­dade: “De qual tópi­co ou ativi­dade você par­tic­i­pará hoje? Refli­ta sobre isso à medi­da que se envolve no tra­bal­ho ao lon­go do dia. Reserve alguns min­u­tos para deter­mi­nar como você abor­dará seu tra­bal­ho hoje em função dessas questões”.

Depois de qua­tro sem­anas, os par­tic­i­pantes do primeiro grupo obtiver­am resul­ta­dos mais altos que os out­ros em questões que avali­avam com­por­ta­men­tos ino­vadores no tra­bal­ho, por exem­p­lo faz­er sug­estões con­stru­ti­vas para imple­men­tar soluções de prob­le­mas orga­ni­za­cionais per­sis­tentes.

Quan­do somos curiosos, encar­amos as situ­ações difí­ceis com mais cria­tivi­dade. Estu­dos mostraram que a curiosi­dade está asso­ci­a­da a reações menos defen­si­vas ao estresse e a reações menos agres­si­vas à provo­cação. E nos­so desem­pen­ho profis­sion­al mel­ho­ra quan­do somos curiosos. Isso foi con­fir­ma­do pela avali­ação dos chefes dire­tos de 120 fun­cionários par­tic­i­pantes de um estu­do que con­duzi.

Redução de con­fli­tos no grupo. Min­ha pesquisa mostrou que a curiosi­dade enco­ra­ja os mem­bros do grupo a se colo­car no lugar dos out­ros e a se inter­es­sarem pelas ideias alheias em vez de focar somente nas próprias per­spec­ti­vas. Isso cria efe­tivi­dade e har­mo­nia no tra­bal­ho con­jun­to: os con­fli­tos são menos acir­ra­dos e os gru­pos obtêm mel­hores resul­ta­dos.

Cultive a curiosidade

Comu­ni­cação mais aber­ta e mel­hor desem­pen­ho da equipe. Tra­bal­han­do com exec­u­tivos num pro­gra­ma de lid­er­ança da Har­vard Kennedy School, meus cole­gas e eu dividi­mos os par­tic­i­pantes em gru­pos de cin­co ou seis. Alguns gru­pos havi­am par­tic­i­pa­do de uma tare­fa que aumen­ta­va a curiosi­dade. Ped­i­mos a todos os gru­pos que par­tic­i­passem de uma sim­u­lação para avaliar o desem­pen­ho. Os gru­pos cuja curiosi­dade fora aguça­da mostraram mel­hor desem­pen­ho que os gru­pos de con­t­role porque par­til­haram infor­mação mais aber­ta­mente e ouvi­ram com mais atenção.

Quando somos curiosos, vemos as situações difíceis com criatividade e temos reações menos defensivas ao estresse

Duas bar­reiras para a curiosi­dade
Ape­sar dos bene­fí­cios bem con­heci­dos da curiosi­dade, muitas orga­ni­za­ções a des­en­co­ra­jam. E não porque os líderes não percebem seu val­or. Pelo con­trário, tan­to eles como os fun­cionários enten­dem que a curiosi­dade pro­duz resul­ta­dos pos­i­tivos para a empre­sa. Na pesquisa com mais de 3 mil fun­cionários men­ciona­da ante­ri­or­mente, 92% rep­utavam como pes­soas curiosas as que con­tribuíam com novas ideias para as equipes e orga­ni­za­ções e con­sid­er­avam a curiosi­dade como um catal­isador para sat­is­fação, moti­vação, ino­vação e alto desem­pen­ho no tra­bal­ho.

No entan­to, muitas vezes as ações dos exec­u­tivos con­tam uma história difer­ente. Algu­mas orga­ni­za­ções, como 3M e Face­book, per­mitem que os fun­cionários dispon­ham de tem­po livre para cuidar de seus inter­ess­es pes­soais, mas elas são raras. E mes­mo nelas, fre­quente­mente, os fun­cionários têm metas de desem­pen­ho de cur­to pra­zo desafi­ado­ras (como atin­gir uma meta de ven­das trimes­tral ou lançar um novo pro­du­to em deter­mi­na­da data) que con­somem o “tem­po livre” que eles pode­ri­am ter gas­to pro­pon­do ideias ino­vado­ras ou alter­na­ti­vas para seu tra­bal­ho.

Duas tendências impedem os líderes de incentivar a curiosidade:

Sua noção de explo­ração e equiv­o­ca­da. Numerosos líderes pen­sam que per­mi­tir que os fun­cionários explorem a própria curiosi­dade provo­ca con­fusão onerosa. Numa pesquisa recente que real­izei com 520 dire­tores de apren­diza­do e dire­tores de desen­volvi­men­to de tal­en­to, desco­bri que nem sem­pre a curiosi­dade era incen­ti­va­da, pois eles acred­i­tavam que seria mais difí­cil gerir a empre­sa se os fun­cionários pudessem explo­rar seus inter­ess­es. Sur­giri­am divergên­cias, e a exe­cução de tare­fas e as tomadas de decisão seri­am mais lentas, o que ele­varia o cus­to dos negó­cios. A pesquisa mostra que, emb­o­ra as pes­soas con­sid­erem a cria­tivi­dade uma meta, não raro rejeitam ideias cria­ti­vas quan­do elas surgem de fato. Isso é com­preen­sív­el: explo­rar envolve ques­tionar o sta­tus quo, o que nem sem­pre pro­duz resul­ta­dos úteis. Mas sig­nifi­ca tam­bém não se con­tentar com a primeira solução pos­sív­el — por isso explo­rar resul­ta quase sem­pre em soluções mel­hores.

Eles procu­ram efi­ciên­cia em detri­men­to da explo­ração. No iní­cio da déca­da de 1900, Hen­ry Ford envi­dou todos os seus esforços numa úni­ca meta: reduzir os cus­tos de pro­dução para cri­ar car­ros pop­u­lares. Em 1908, ele con­cretizou esse ide­al com a intro­dução do Mod­e­lo T. A deman­da foi tan­ta que, em 1921, a empre­sa pro­duz­iu 56% de todos os car­ros de pas­seio dos Esta­dos Unidos — um suces­so extra­ordinário que se tornou pos­sív­el graças sobre­tu­do ao mod­e­lo de tra­bal­ho foca­do na efi­ciên­cia. Porém, no fim da déca­da de 1920, os con­sum­i­dores começaram a exi­gir mais var­iedade de automóveis à medi­da que a econo­mia amer­i­cana gal­ga­va novos pata­mares. Enquan­to Ford con­tin­u­ou com a ideia fixa de otimizar o Mod­e­lo T, con­cor­rentes como a Gen­er­al Motors começaram a pro­duzir uma série de mod­e­los e logo con­quis­taram a maior fatia do mer­ca­do. Em vir­tude de seu foco cen­tra­do na efi­ciên­cia, Ford parou de faz­er testes e ino­var e ficou para trás.

Essas tendên­cias de lid­er­ança aju­dam a explicar por que a nos­sa curiosi­dade geral­mente diminui quan­to mais tem­po esta­mos numa ativi­dade. Numa pesquisa, solicitei a cer­ca de 250 pes­soas que tin­ham acaba­do de ser con­tratadas em várias empre­sas que respon­dessem a uma série de per­gun­tas com o intu­ito de medir-lhes a curiosi­dade. Seis meses depois super­vi­sionei uma pesquisa de fol­low-up. Emb­o­ra os níveis ini­ci­ais de curiosi­dade vari­assem, seis meses depois, a curiosi­dade de todos havia dimin­uí­do, com que­da média supe­ri­or a 20%. Como as pes­soas eram pres­sion­adas para con­cluir seu tra­bal­ho com rapi­dez, elas dis­pun­ham de pouco tem­po para faz­er per­gun­tas sobre proces­sos abrangentes ou metas gerais.

Cinco formas de estimular a curiosidade

É pre­ciso ter con­vicção e dis­ci­plina para parar de reprim­ir a curiosi­dade e começar a enco­ra­já-la. Apre­sen­ta­mos a seguir cin­co estraté­gias que os líderes podem aproveitar.

1. Con­trate visan­do à curiosi­dade.
Em 2004 surgiu um car­taz anôn­i­mo na rodovia 101, no coração do Vale do Silí­cio, com o seguinte que­bra-cabeça: “{os primeiros dez números pri­mos que apare­cem na expan­são dec­i­mal da con­stante matemáti­ca e}.com”. A respos­ta, 7427466391.com, dire­cio­nou os curiosos online para out­ra questão a resolver. As pes­soas curiosas que seguiram os links foram con­vi­dadas a enviar um cur­rícu­lo à Google. A empre­sa uti­li­zou essa abor­dagem pecu­liar para con­seguir can­didatos a emprego porque essa era uma for­ma de ela val­orizar a curiosi­dade. (As pes­soas nem pre­cisavam ser engen­heiros.) Como afir­mou Eric Schmidt, CEO da Google de 2001 a 2011, “admin­is­tramos a empre­sa basea­d­os em per­gun­tas, não em respostas”.

A Google iden­ti­fi­ca pes­soas nat­u­ral­mente curiosas tam­bém por meio de per­gun­tas como esta na entre­vista: “Você nun­ca se sen­tiu inca­paz de parar de apren­der algu­ma coisa com que nun­ca se deparou antes? Por quê? O que o man­teve per­sis­tente?”. Nor­mal­mente as respostas desta­cam um obje­ti­vo especí­fi­co que motive o espíri­to inquis­i­ti­vo (“era meu tra­bal­ho encon­trar respostas”) ou a curiosi­dade genuí­na (“eu só tin­ha de encon­trar a respos­ta”) do can­dida­to.

A IDEO, empre­sa de design e con­sul­to­ria, procu­ra con­tratar fun­cionários “modelo‑T”: pes­soas com pro­fun­das habil­i­dades que lhes per­mitem con­tribuir para o proces­so cria­ti­vo (traço ver­ti­cal do T) e pre­dis­posição para colab­o­rar em todas as ativi­dades, uma qual­i­dade que requer empa­tia e curiosi­dade (traço hor­i­zon­tal do T). Para a empre­sa, empa­tia e curiosi­dade estão rela­cionadas: a empa­tia per­mite que os fun­cionários ouçam aten­ta­mente e vejam os prob­le­mas ou decisões da per­spec­ti­va do out­ro; já a curiosi­dade sig­nifi­ca inter­esse pelas ativi­dades dos out­ros, a pon­to de a pes­soa começar a prat­icá-las. E a empre­sa recon­hece que a maio­r­ia das pes­soas atinge seu desem­pen­ho máx­i­mo não porque são espe­cial­is­tas, mas porque suas pro­fun­das habil­i­dades são acom­pan­hadas pela curiosi­dade int­elec­tu­al que as leva a faz­er per­gun­tas, explo­rar e colab­o­rar.

Para iden­ti­ficar poten­ci­ais fun­cionários do modelo‑T, a IDEO anal­isa cri­te­riosa­mente o modo como os can­didatos se ref­er­em a pro­je­tos pas­sa­dos. Um can­dida­to que foca somente em suas próprias con­tribuições pode não saber val­orizar a colab­o­ração. Can­didatos do modelo‑T têm uma tendên­cia maior de rev­e­lar como foram bem-suce­di­dos, com a aju­da de out­ros, e a man­i­fes­tar inter­esse em tra­bal­har colab­o­ra­ti­va­mente em pro­je­tos futur­os.

Para avaliarem a curiosi­dade, os empre­gadores devem per­gun­tar aos can­didatos quais são seus inter­ess­es exter­nos ao tra­bal­ho. Ler livros não rela­ciona­dos à própria área de atu­ação e explo­rar per­gun­tas pelo sim­ples inter­esse em saber as respostas indi­ca curiosi­dade. E as empre­sas podem aplicar avali­ações de curiosi­dade já val­i­dadas por numerosos estu­dos, as quais iden­ti­fi­cam as pes­soas que pesquisam assun­tos que não sabem, anal­isam dados para desco­brir novas ideias, leem muito além de sua área, têm out­ros inter­ess­es fora do tra­bal­ho e se empol­gam com opor­tu­nidades de apren­diza­do.

É impor­tante tam­bém lem­brar que muitas das per­gun­tas dos can­didatos — não ape­nas suas respostas — sinal­izam curiosi­dade. Pes­soas inter­es­sadas, por exem­p­lo, em con­hecer aspec­tos da orga­ni­za­ção não dire­ta­mente rela­ciona­dos ao car­go que vão assumir têm provavel­mente mais curiosi­dade nat­ur­al que as que fazem per­gun­tas ape­nas sobre as futuras funções.

2. Molde a curiosi­dade.
Os líderes enco­ra­jarão a curiosi­dade em toda a orga­ni­za­ção se eles mes­mos forem inda­gadores. Em 2000, Greg Dyke foi nomea­do dire­tor-ger­al da BBC. Ain­da sem assumir o car­go, ele pas­sou cin­co meses vis­i­tan­do as prin­ci­pais sucur­sais da BBC, mon­tan­do o staff em cada visi­ta. Os fun­cionários esper­avam uma lon­ga apre­sen­tação, mas em vez dis­so ouvi­ram uma sim­ples per­gun­ta: “O que eu pode­ria faz­er para mel­ho­rar as coisas para vocês?”. Dyke ouvia aten­ta­mente e depois per­gun­ta­va: “Que eu pode­ria faz­er para tornar as coisas mel­hores para nos­sos ouvintes e tele­spec­ta­dores?”.

Os fun­cionários da BBC respeitaram seu novo chefe porque ele dedi­cou uma parte de seu tem­po para faz­er per­gun­tas e ouvir as respostas. Dyke uti­li­zou as respostas que obteve para con­sol­i­dar suas ideias sobre as mudanças necessárias e assim resolver os prob­le­mas que a BBC esta­va enfrentan­do e iden­ti­ficar o que abor­dar primeiro. Depois de assumir ofi­cial­mente o coman­do, ele fez uma preleção para o staff, que refletiu o que ele havia apren­di­do, mostran­do aos fun­cionários que ele real­mente esta­va inter­es­sa­do no que eles havi­am sug­eri­do.

Ao faz­er per­gun­tas e ouvir real­mente as respostas, Dyke moldou a importân­cia dess­es atos. Ele desta­cou o fato de que quan­do explo­ramos novos ter­renos, ouvir é tão impor­tante quan­to falar: aju­da a preencher as lacu­nas de nos­so con­hec­i­men­to e a iden­ti­ficar out­ras questões para inves­ti­gar.

Isso pode pare­cer intu­iti­vo, mas min­ha pesquisa mostra que, muitas vezes, prefe­r­i­mos falar em vez de ouvir com curiosi­dade. Por exem­p­lo, quan­do per­gun­tei a cer­ca de 230 líderes de alto nív­el em aulas de for­mação exec­u­ti­va como rea­giri­am diante de uma crise orga­ni­za­cional decor­rente de questões finan­ceiras e cul­tur­ais, a maio­r­ia rev­el­ou que tomaria uma ati­tude: se mobi­lizari­am para estancar o san­gra­men­to finan­ceiro e pro­por ini­cia­ti­vas para mod­ern­izar a cul­tura. Somente alguns afir­maram que fari­am per­gun­tas em vez de sim­ples­mente impor suas ideias. Os livros sobre gestão nor­mal­mente enco­ra­jam os líderes que assumem novas posições a trans­mi­tir sua visão logo no iní­cio, em vez de per­gun­tar aos fun­cionários como eles pode­ri­am ser mais úteis. É mau con­sel­ho.

Por que evi­ta­mos faz­er per­gun­tas? Porque temos medo de ser jul­ga­dos incom­pe­tentes, inde­cisos ou pouco inteligentes. Além dis­so, o tem­po é pre­cioso, e não quer­e­mos inco­modar as pes­soas. Exper­iên­cia e exper­tise inten­si­fi­cam o prob­le­ma: à medi­da que as pes­soas ascen­dem na hier­ar­quia orga­ni­za­cional, elas acred­i­tam que têm menos a apren­der. Os líderes tam­bém cos­tu­mam acred­i­tar que se espera que eles falem e deem respostas, e não que façam per­gun­tas.

Uma pesquisa que real­izei recen­te­mente mostra que ess­es medos e crenças são descabidos. Quan­do demon­stramos curiosi­dade sobre as pes­soas por meio de per­gun­tas, elas gostam mais de nós e nos con­sid­er­am mais com­pe­tentes, e a inten­si­fi­cação da con­fi­ança tor­na nos­sas relações mais próx­i­mas e inter­es­santes. Ao faz­er­mos per­gun­tas, pro­move­mos conexões mais sig­ni­fica­ti­vas e resul­ta­dos mais cria­tivos.

Out­ra for­ma de moldar a curiosi­dade é levar os líderes a recon­hecer quan­do não sabem a respos­ta. Isso deixa claro que é bom ser guia­do pela curiosi­dade. Patri­cia Fili-Krushel me con­tou que quan­do ingres­sou na Web­MD Health como dire­to­ra exec­u­ti­va, reuniu-se com um grupo de engen­heiros no Vale do Silí­cio. Eles duvi­davam que ela seria capaz de agre­gar val­or ao tra­bal­ho e, logo de cara, per­gun­taram o que ela sabia sobre engen­haria. Sem hes­i­tar, Fili-Krushel fez um zero com os dedos. “Isso é quan­to eu sei de engen­haria”, retru­cou. “No entan­to, eu sei como gerir empre­sas e espero que vocês me ensinem o que pre­ciso saber sobre o mun­do da engen­haria.” Quan­do os líderes admitem não saber a respos­ta de uma per­gun­ta, demon­stram que val­orizam o proces­so de bus­car respostas e moti­vam os out­ros a explo­rar.

Os novos con­trata­dos da Pixar Ani­ma­tion Stu­dios com fre­quên­cia relu­tam em ques­tionar o sta­tus quo por causa dos antecedentes da empre­sa de filmes de suces­so e do bril­hante tra­bal­ho de todos os que lá tra­bal­haram durante anos. Para com­bat­er essa tendên­cia, Ed Cat­mull, cofun­dador e pres­i­dente, faz questão de se lem­brar dos tem­pos em que a Pixar fez más escol­has. Ele obser­va que, como todas as orga­ni­za­ções, a Pixar não é per­fei­ta e pre­cisa de um novo olhar para detec­tar opor­tu­nidades de mel­ho­ria. Des­ta for­ma, Cat­mull per­mite que os novos con­trata­dos ques­tionem as práti­cas exis­tentes. Recon­hecer os lim­ites de nos­so próprio con­hec­i­men­to e habil­i­dades envia aos demais um sinal poderoso.

Tenelle Porter, aluno de pós-doutora­do em psi­colo­gia na Uni­ver­si­ty of Cal­i­for­nia, Davis, descreve a humil­dade int­elec­tu­al como a capaci­dade de recon­hecer que nos­so con­hec­i­men­to é extrema­mente lim­i­ta­do. Como demon­stra sua pesquisa, níveis mais altos de humil­dade int­elec­tu­al estão asso­ci­a­dos a maior propen­são de aceitar pon­tos de vista difer­entes dos nos­sos. As pes­soas int­elec­tual­mente mais humildes tam­bém têm mel­hor desem­pen­ho na esco­la e no tra­bal­ho. Por quê? Quan­do admiti­mos que nos­so con­hec­i­men­to é lim­i­ta­do, esta­mos mais capac­i­ta­dos a perce­ber que o mun­do está sem­pre mudan­do e que o futuro será difer­ente do pre­sente. Ao abraçarem esse insight, os líderes e fun­cionários podem começar a perce­ber o poder de explo­ração.

Final­mente, os líderes podem apri­morar a curiosi­dade abor­dan­do o descon­heci­do sem jul­gar. Bob Langer, que chefia um dos lab­o­ratórios mais pro­du­tivos do MIT, rela­tou recen­te­mente que esse princí­pio norteia a for­ma como ele coman­da sua equipe. Como seres humanos, todos nós sen­ti­mos neces­si­dade de avaliar os out­ros — nem sem­pre pos­i­ti­va­mente. Somos rápi­dos em jul­gar ideias, com­por­ta­men­tos e per­spec­ti­vas, mes­mo quan­do estão rela­ciona­dos a situ­ações inédi­tas. Langer evi­ta essa armadil­ha lev­an­tan­do questões sobre as ideias dos out­ros, o que os leva a anal­is­arem mais pro­fun­da­mente suas per­spec­ti­vas e a con­tin­uarem curiosos sobre os prob­le­mas difí­ceis que estão ten­tan­do resolver. Ao faz­er isso, ele mol­da o com­por­ta­men­to que espera dos out­ros no lab­o­ratório.

3. Enfa­tize as metas de apren­diza­do.
Quan­do per­gun­tei ao capitão Ches­ley “Sul­ly” Sul­len­berg­er como foi capaz de pousar um avião com­er­cial com segu­rança no rio Hud­son, ele men­cio­nou sua paixão pelo apren­diza­do con­tín­uo. Emb­o­ra os voos com­er­ci­ais sejam quase sem­pre roti­na, toda vez que seu avião era rebo­ca­do do fin­ger, ele lem­bra­va que pre­cisa estar prepara­do para o ines­per­a­do. E ele pen­sa­va: “O que pos­so apren­der?”. Quan­do o ines­per­a­do acon­te­ceu, num dia frio de janeiro em 2009, Sul­ly foi capaz de se per­gun­tar o que pode­ria faz­er, dadas as opções disponíveis, e apre­sen­tar uma solução cria­ti­va. Ele com­bat­eu com suces­so a tendên­cia de agir de acor­do com a opção mais óbvia (ater­ris­sar no aero­por­to

mais próx­i­mo). Par­tic­u­lar­mente quan­do esta­mos sob pressão, nós nos restringi­mos ao que de ime­di­a­to parece a mel­hor ati­tude a tomar. Mas quem é apaixon­a­do pelo apren­diza­do con­tín­uo vis­lum­bra uma ampla gama de opções e per­spec­ti­vas. Como mostra o relatório do aci­dente, Sul­ly pon­der­ou as várias alter­na­ti­vas nos 208 segun­dos que se pas­saram des­de o momen­to em que perce­beu que os motores da aeron­ave perder­am potên­cia até o pouso no rio Hud­son.

É nat­ur­al con­cen­trar-se nos resul­ta­dos, prin­ci­pal­mente diante de desafios difí­ceis. Mas focar no apren­diza­do geral­mente é mais bené­fi­co para nós e para nos­sa orga­ni­za­ção, como mostram alguns estu­dos notáveis. Quan­do o pes­soal da Força Aérea dos EUA rece­beu a tare­fa desafi­ado­ra de exe­cu­tar um grande número de pousos em deter­mi­na­do inter­va­lo de tem­po, seu desem­pen­ho diminuiu. Da mes­ma for­ma, num estu­do real­iza­do por Don Van­de­Walle, da South­ern Methodist Uni­ver­si­ty, rep­re­sen­tantes de ven­das, que são uma classe profis­sion­al nat­u­ral­mente foca­da em metas de desem­pen­ho tais como atin­gir deter­mi­na­dos alvos e ser con­sid­er­a­dos pelos cole­gas como exem­p­los a seguir, tiver­am desem­pen­ho pior na pro­moção de um equipa­men­to médi­co que cus­ta­va US$ 5.400 que vende­dores nat­u­ral­mente foca­dos em metas de apren­diza­do, tais como ser exce­lentes vende­dores. Isso sig­nifi­cou um cus­to para os vende­dores, pois a empre­sa ofer­e­cia um bônus de US$ 300 por unidade ven­di­da.

Inúmeras pesquisas mostram que enquadrar o tra­bal­ho de acor­do com metas de apren­diza­do (desen­volver com­petên­cias, adquirir habil­i­dades, dom­i­nar novas situ­ações e assim por diante) em vez de metas de desem­pen­ho (atin­gir alvos, tes­tar nos­sa com­petên­cia, impres­sion­ar os out­ros) estim­u­la a moti­vação. E quan­do moti­va­dos pelo apren­diza­do, adqui­r­i­mos as mais vari­adas habil­i­dades, desem­pen­hamos mel­hor, obte­mos mel­hores notas na fac­ul­dade, saí­mo-nos muito bem nas tare­fas de res­olução de prob­le­mas e recebe­mos clas­si­fi­cação mais alta depois do treina­men­to. Infe­liz­mente, muitas orga­ni­za­ções pri­or­izam metas de desem­pen­ho.

Os líderes podem aju­dar os fun­cionários a cul­ti­var o apren­diza­do enfa­ti­zan­do-lhes a importân­cia e rec­om­pen­san­do-os não só pelo desem­pen­ho, mas tam­bém pelo apren­diza­do que lhes foi necessário. A Deloitte seguiu esse
cam­in­ho: em 2013 sub­sti­tu­iu seu sis­tema de gestão de desem­pen­ho por out­ro que acom­pan­ha tan­to o apren­diza­do como o desem­pen­ho. Os fun­cionários reúnem-se reg­u­lar­mente com um coach para dis­cu­tir seu desen­volvi­men­to
e apren­diza­do e recebem o apoio de que pre­cisam para con­tin­uar crescen­do.

Cultive a curiosidade - para aumentar o desempenho da sua empresa

Os líderes devem reforçar o val­or do apren­diza­do reagin­do pos­i­ti­va­mente a ideias aparente­mente medíocres que, no entan­to, podem ser um tram­polim para ideias mel­hores. Os reda­tores e dire­tores da Pixar são treina­dos numa téc­ni­ca chama­da “plussing” (ou apri­mora­men­to con­tín­uo), que tra­ta de desen­volver ideias sem uti­lizar lin­guagem críti­ca. Em vez de rejeitar um sketch, por exem­p­lo, o dire­tor encon­tra um pon­to de par­ti­da dizen­do “eu gos­to dos olhos do Woody, e se nós…?”. Qual­quer pes­soa pode inter­vir com um novo “plus”. A téc­ni­ca per­mite per­du­rar a curiosi­dade, fazen­do com que as pes­soas ouçam ati­va­mente, respeit­em as ideias dos demais e sejam con­tribu­ti­vas. Ao pro­moverem esse proces­so em que ideias de todos os tipos são explo­radas, os líderes trans­mitem a men­sagem clara de que o apren­diza­do é um dado impor­tante, mes­mo que nem sem­pre leve ao suces­so.

4. Per­mi­ta que os fun­cionários explorem e ampliem seus inter­ess­es.
As orga­ni­za­ções podem estim­u­lar a curiosi­dade per­mitin­do que os fun­cionários ten­ham tem­po e recur­sos para explo­rar seus inter­ess­es. Um de meus exem­p­los favoritos vem de meu próprio país. Tra­ta-se da primeira fábri­ca de máquinas de escr­ev­er, a Olivet­ti, fun­da­da em 1908, nos con­trafortes dos Alpes ital­ianos. Na déca­da de 1930, alguns fun­cionários sur­preen­der­am um cole­ga que saiu da fábri­ca com uma saco­la cheia de peças de fer­ro e fer­ra­men­tas. Ele foi acu­sa­do de roubo e os fun­cionários pedi­ram que a empre­sa o demi­tisse. Segun­do o CEO, Adri­ano Olivet­ti, o fun­cionário esta­va levan­do as peças para casa para tra­bal­har numa nova máquina no fim de sem­ana, porque não tin­ha tem­po enquan­to exe­cu­ta­va suas tare­fas na fábri­ca. Em vez de des­pe­di-lo, Olivet­ti deu-lhe o tem­po necessário para cri­ar a máquina e encarregou‑o de super­vi­sion­ar a pro­dução. O resul­ta­do foi a Divi­sum­ma — a primeira cal­cu­lado­ra eletrôni­ca. A Divi­sum­ma foi um suces­so de ven­das no mun­do todo nas décadas de 1950 e 1960, e a Olivet­ti pro­moveu o fun­cionário a dire­tor téc­ni­co. Ao con­trário de líderes que teri­am mostra­do a por­ta de saí­da ao fun­cionário, Olivet­ti forneceu-lhe o espaço necessário para explo­rar sua cria­tivi­dade com resul­ta­dos extra­ordinários.

Algu­mas orga­ni­za­ções fornecem os recur­sos para apoiar os inter­ess­es exter­nos dos fun­cionários. Des­de 1996, o con­glom­er­a­do de man­u­fatu­ra Unit­ed Tech­nolo­gies (UTC) ofer­ece US$ 12 mil anu­ais em edu­cação para qual­quer fun­cionário que queira obter diplo­ma em tem­po par­cial — sem nen­hu­ma con­tra­parti­da. Muitas vezes, os líderes não querem inve­stir no treina­men­to de fun­cionários com medo de que eles pos­sam con­seguir emprego na con­cor­rên­cia e levar com eles suas habil­i­dades adquiri­das com alto cus­to na empre­sa. Emb­o­ra a UTC não ten­ha ten­ta­do quan­tificar os bene­fí­cios de seu pro­gra­ma de reem­bol­so educa­ti­vo, Gail Jack­son, vice-pres­i­dente de recur­sos humanos, acred­i­ta na importân­cia de fun­cionários curiosos. “É mel­hor treiná-los, e cor­rer o risco de que deix­em a empre­sa, que não treiná-los e man­tê-los conosco”, rev­ela Gail. Mas de acor­do com o relatório de 2017 da Sociedade de Gestão de Recur­sos Humanos sobre os bene­fí­cios de fun­cionários, somente 44% das orga­ni­za­ções fornecem ou apoiam treina­men­to para desen­volver habil­i­dades não dire­ta­mente rela­cionadas às ativi­dades do empre­ga­do.

Os líderes pre­cisam ofer­e­cer opor­tu­nidades para os fun­cionários via­jarem para locais que não con­hecem. A pesquisa mostra que, quan­do temos opor­tu­nidade de expandir nos­sos inter­ess­es, nós não só con­tin­u­amos curiosos, como tam­bém nos tor­namos mais con­fi­antes sobre nos­sas real­iza­ções e mais bem-suce­di­dos no tra­bal­ho. Os fun­cionários podem “via­jar” para out­ras funções e áreas da orga­ni­za­ção para obter uma per­spec­ti­va mais ampla. Na Pixar, todos os fun­cionários têm a pos­si­bil­i­dade de fornecer “notas” — per­gun­tas e con­sel­hos — que aju­dem os dire­tores a con­sid­er­ar todos os tipos de opção para os filmes nos quais estão tra­bal­han­do.

É pos­sív­el aumen­tar os próprios inter­ess­es amplian­do as redes de con­tatos. Min­ha pesquisa com Tiziana Cas­cia­ro, Bill McEvily e Eve­lyn Zhang, da Uni­ver­si­ty of Toron­to, mostra que as pes­soas curiosas geral­mente acabam se desta­can­do no cenário empre­sar­i­al graças à suas difer­entes redes de con­tatos. Por se sen­tirem mais con­fortáveis que os demais em faz­er per­gun­tas, essas pes­soas têm mais facil­i­dade de cri­ar mais laços no tra­bal­ho — e ess­es laços são críti­cos para o desen­volvi­men­to e suces­so da car­reira. A orga­ni­za­ção se ben­e­fi­cia de fun­cionários conec­ta­dos a pes­soas capazes de ajudá-los nos seus desafios e motivá-los a pro­gredir. Bob Langer, do MIT, tra­bal­ha para aumen­tar a curiosi­dade de seus alunos apre­sen­tan­do-lhes espe­cial­is­tas de sua rede de con­tatos. De for­ma sim­i­lar, ao conec­tar pes­soas de todos os depar­ta­men­tos e unidades da empre­sa, os líderes estim­u­lam os fun­cionários a ser curiosos sobre o tra­bal­ho dos cole­gas e sobre as diver­sas for­mas de faz­er negó­cios.

O pen­sa­men­to delib­er­a­do sobre o espaço de tra­bal­ho pode ampli­ar as redes de con­ta­to e enco­ra­jar a polin­iza­ção gen­er­al­iza­da de ideias. Na déca­da de 1990, quan­do a Pixar pro­je­ta­va uma nova sede em Emeryville, do out­ro lado da baía de São Fran­cis­co, os planos ini­ci­ais eram con­stru­ir um pré­dio sep­a­ra­do para cada depar­ta­men­to. Mas quan­do Steve Jobs, então dono da Pixar, começou a se pre­ocu­par com o iso­la­men­to dos vários depar­ta­men­tos, eles decidi­ram con­stru­ir uma úni­ca estru­tu­ra com um grande átrio no cen­tro, onde ficavam as caixas de cor­reio dos fun­cionários, um café, uma loja de pre­sentes, e as salas de exibição. Se os fun­cionários forem obri­ga­dos a inter­a­gir,
estarão mais expos­tos às ativi­dades e ideias dos out­ros, pen­sou ele.

Os líderes devem reforçar o valor do aprendizado reagindo positivamente as ideias medíocres que podem ser trampolins para ideias melhores

Pro­je­tar cuida­dosa­mente as próprias equipes é uma boa for­ma de os líderes estim­u­la­rem a curiosi­dade dos fun­cionários. Mas­si­mo Bot­tura é dono da Oste­ria Frances­cana. O restau­rante, local­iza­do em Mod­e­na, Itália, tem três estre­las Miche­lin e foi clas­si­fi­ca­do como o Mel­hor Restau­rante do Mun­do em 2016 e 2018. Seus sub­chefes são Davide di Fabio, ital­iano, e Kon­do Takahiko, japonês. Os dois são difer­entes não só nas ori­gens, mas tam­bém nos pon­tos pos­i­tivos: Di Fabio sente-se mais à von­tade com a impro­visação, e Takahi­to é obceca­do por pre­cisão. Bot­tura acred­i­ta que ess­es “choques” tor­nam a coz­in­ha mais ino­vado­ra e inspi­ram a curiosi­dade de out­ros fun­cionários.

5. Ten­ha dias de “Por quê?” ‚“E se…?”, e “Como poderíamos…?”.
A inspi­ração para a câmera fotográ­fi­ca instan­tânea da Polaroid foi a per­gun­ta de uma cri­ança de 3 anos. A fil­ha do inven­tor, Edwin Land, esta­va impa­ciente para ver a foto que o pai acabara de tirar. Quan­do ele expli­cou à garot­in­ha que o filme pre­cisa­va ser rev­e­la­do, ela pen­sou em voz alta, “Por que ten­ho de esper­ar pela fotografia?”.

Como todos os pais sabem, “por quê?” está sem­pre pre­sente no vocab­ulário das cri­anças, pois sua neces­si­dade de enten­der o mun­do que as cer­ca é insaciáv­el. Elas não têm medo de faz­er per­gun­tas e não se pre­ocu­pam se os out­ros pen­sam que elas já dev­e­ri­am saber as respostas. Mas, à medi­da que crescem, a auto­con­sciên­cia vai se infil­tran­do jun­to com o dese­jo de pare­cer con­fi­ante e demon­strar exper­tise. Quan­do nos tor­namos adul­tos, geral­mente reprim­i­mos nos­sa curiosi­dade.

Os líderes devem aju­dar a lib­er­ar essa curiosi­dade ina­ta. Uma empre­sa que vis­itei pediu a todos os fun­cionários que pro­pusessem questões “e se…?” e “como poderíamos…?” sobre as metas e planos da empre­sa. Surgiu todo tipo de per­gun­ta, que dis­cu­ti­mos e avaliamos. Como um sinal con­cre­to de que per­gun­tar era bem-vin­do e rec­om­pen­sa­do, as mel­hores per­gun­tas foram exibidas em car­tazes pen­dura­dos nas pare­des. Algu­mas per­gun­tas levaram os fun­cionários a sug­erir ideias sobre como tornar o tra­bal­ho mais efi­ciente. (Para saber mais sobre a importân­cia de faz­er boas per­gun­tas antes de procu­rar soluções.

Num estu­do que meus cole­gas e eu real­izamos, ped­i­mos a adul­tos que tra­bal­havam numa grande faixa de ativi­dades e setores que lessem um ou dois con­jun­tos de mate­ri­ais sobre três ele­men­tos orga­ni­za­cionais: metas, funções e for­mas de tra­bal­ho con­jun­to das orga­ni­za­ções. Para metade dos fun­cionários, a infor­mação foi apre­sen­ta­da como o “méto­do do cresci­men­to. Enco­ra­jamos o grupo a con­sid­er­ar ess­es ele­men­tos imutáveis, e enfa­ti­zamos a importân­cia de seguir os proces­sos exis­tentes já definidos pelos gestores. Para os demais, a infor­mação foi apre­sen­ta­da como o “méto­do do retorno”. Enco­ra­jamos os fun­cionários desse grupo a pen­sar nos ele­men­tos como se fos­sem flu­i­dos e, assim, poderem a eles “retornar” e sobre eles repen­sar. Uma sem­ana depois desco­b­ri­mos que os empre­ga­dos que ler­am sobre o “méto­do do retorno” mostraram mais cria­tivi­dade nas tare­fas que os empre­ga­dos do grupo “méto­do do cresci­men­to”. Eles eram mais aber­tos a acatar as ideias dos cole­gas e tra­bal­haram com mais efi­ciên­cia uns com os out­ros.

Para des­pertarem a curiosi­dade de seus fun­cionários, os líderes devem ensiná-los a faz­er boas per­gun­tas. Bob Langer quer “aju­dar as pes­soas a faz­er a tran­sição das boas repostas para as boas per­gun­tas”. Ele diz a seus alunos que eles podem mudar o mun­do, estim­u­lan­do assim a curiosi­dade de que pre­cisam para resolver prob­le­mas desafi­adores.

Orga­nize os dias de “Por quê?”. Fun­cionários enco­ra­ja­dos a faz­er essa per­gun­ta quan­do enfrentam um desafio são um meio exce­lente de impul­sion­ar a curiosi­dade. A Intel­lec­tu­al Ven­tures, empre­sa que pro­duz invenções, com­pra e licen­cia patentes, orga­ni­za “sessões de invenção” nas quais pes­soas de difer­entes dis­ci­plinas, back­grounds e níveis de exper­tise se reúnem para dis­cu­tir poten­ci­ais soluções de prob­le­mas com­plex­os, o que as aju­da a con­sid­er­ar as questões de difer­entes ângu­los. De for­ma sim­i­lar, sob a abor­dagem “os 5 porquês” da Toy­ota, os fun­cionários são solic­i­ta­dos a inves­ti­gar prob­le­mas per­gun­tan­do “por quê”?. Depois de dar uma repos­ta, eles devem per­gun­tar por que é dessa for­ma, isso é assim, e assim por diante, até terem feito a per­gun­ta cin­co vezes. Esse raciocínio pode aju­dar os fun­cionários a ino­var desafian­do per­spec­ti­vas exis­tentes.

Na maio­r­ia das orga­ni­za­ções, tan­to líderes como fun­cionários recebem a men­sagem implíci­ta de que faz­er per­gun­tas é um desafio inde­se­jáv­el à autori­dade. Eles são treina­dos para focar no tra­bal­ho sem anal­is­ar de per­to o proces­so ou suas metas gerais. Mas para cri­ar e ino­var é essen­cial man­ter o sen­ti­do de encan­ta­men­to. Os líderes mais efi­cientes procu­ram for­mas de des­per­tar a curiosi­dade de seus fun­cionários para ali­men­tar o apren­diza­do e a descober­ta.

Por Francesca Gino

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