Butterfield, presidente do Slack, quer libertar as pessoas do email

Stewart Butterfield

Talvez mais do que qual­quer out­ro empreende­dor do Vale do Silí­cio, o canadense Stew­art But­ter­field, 45, encon­trou suces­so ao fra­cas­sar na cri­ação de pro­du­toras de videogames.

Quan­do sua primeira start­up de videogames não con­seguiu empuxo no mer­ca­do, ele fez dela o site de com­par­til­hamen­to de fotos Flickr, adquiri­do pelo Yahoo! em 2005.

Qua­tro anos mais tarde, But­ter­field cofun­dou mais uma empre­sa cujo videogame não con­seguiu deco­lar, e a com­pan­hia adap­tou um dos recur­sos do jogo para cri­ar uma oper­ado­ra de platafor­mas de men­sagens con­heci­da como Slack.

Com sede em San Fran­cis­co e com But­ter­field como pres­i­dente-exec­u­ti­vo, o Slack já obteve mais de 3 mil­hões de clientes pagantes des­de o lança­men­to, em 2014.

Empre­sas o usam para suple­men­tar ou sub­sti­tuir serviços cor­po­ra­tivos de email e chat online.
Nos Esta­dos Unidos, o serviço é muito pop­u­lar para a comu­ni­cação inter­na.

A empre­sa teve seu val­or de mer­ca­do avali­a­do em US$ 7,1 bil­hões (R$ 26,5 bil­hões) em uma roda­da de cap­i­tal­iza­ção con­cluí­da em agos­to. Até ago­ra, a empre­sa resis­tiu a abrir seu cap­i­tal —ain­da que isso pos­sa mudar.

O Slack prepara uma ofer­ta públi­ca ini­cial de ações para o primeiro semes­tre de 2019, segun­do pes­soas infor­madas sobre o assun­to ao The Wall Street Jour­nal.

But­ter­field, no entan­to, não tem planos especí­fi­cos quan­to à data dessa ofer­ta.
Ele fala sobre lid­er­ança, os desafios de con­stru­ir uma start­up e as desvan­ta­gens de oper­ar uma empre­sa de cap­i­tal fecha­do.

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O que você apren­deu com suas exper­iên­cias, do Flickr até ago­ra, que o aju­dou a diri­gir uma com­pan­hia? 

Há dois ou três anos, eu teria imag­i­na­do que meu tra­bal­ho era ser mais esper­to do que todo o mun­do, e tomar todas as decisões real­mente impor­tantes. Na ver­dade, não é esse o tra­bal­ho ver­dadeiro. Pode haver um momen­to em que você tra­bal­ha como se fos­sem oito pes­soas, mas isso pas­sa rápi­do. Ago­ra, pen­so sobre três cat­e­go­rias dis­tin­tas.

Uma é esta­b­ele­cer a visão ger­al e a estraté­gia. A segun­da é a gov­er­nança, funções admin­is­tra­ti­vas e de super­visão. A ter­ceira área, de longe a mais impor­tante, é garan­tir que a orga­ni­za­ção como um todo este­ja desem­pen­han­do no nív­el mais ele­va­do pos­sív­el.

Vocês crescem rápi­do. Hou­ve momen­tos em que as coisas se tornaram impos­síveis de admin­is­trar e você teve von­tade de que se desacel­erassem? 

Hou­ve um momen­to, há cer­ca de 18 meses, em que real­mente tive­mos de pis­ar no freio, prin­ci­pal­mente em relação ao pro­du­to e à engen­haria, porque a com­plex­i­dade dessa área é um pouco maior. Queríamos garan­tir gestão e capaci­dade de lid­er­ança sufi­cientes para man­ter as pes­soas pro­du­ti­vas e para nos man­ter­mos orga­ni­za­dos.

A Microsoft lançou um pro­du­to con­cor­rente, e o Face­book tam­bém [o Work­place]. Por que você acha que será capaz de encar­ar uma empre­sa cujo val­or de mer­ca­do é cem vezes mais alto que o seu?

Há muitos grandes exem­p­los, ao lon­go da história, a começar pela Microsoft mes­ma con­tra a IBM, que na época era a maior e mais poderosa cor­po­ração do plan­e­ta. A moral da história, para nós, é que a start­up peque­na e de foco firme, com boa tração jun­to aos clientes, é capaz de vencer diante de um con­cor­rente grande e esta­b­ele­ci­do.

Você ante­ci­pa que a Microsoft invista mais no pro­du­to deles do que vocês arrecadaram em cap­i­tal?

Se você con­sid­er­ar o efeito em ter­mos de dólares, de horas por tra­bal­hador ou coisa pare­ci­da, é quase inevitáv­el que eles invis­tam mais. Mas tam­bém creio que, quan­to maior uma empre­sa fica, menos efe­ti­vo é cada dólar que ela gas­ta, porque coor­denar orga­ni­za­ções gigan­tescas é muito mais difí­cil.

Você resis­tiu a vender o Slack. O que o faria mudar de ideia?

Acred­i­ta­mos que ten­hamos aproveita­do ape­nas alguns pon­tos per­centu­ais de uma grande opor­tu­nidade, e por isso vender seria insen­sato. Mes­mo que a exe­cução seja ter­rív­el, vamos crescer para muitas vezes o nos­so taman­ho atu­al, com imen­so suces­so.

Se nos­sa exe­cução for mod­er­ada­mente boa, ser­e­mos dez vezes maiores do que ago­ra. Se nos­sa exe­cução for muito boa, ser­e­mos cem vezes maiores. E não vender tam­bém é mais diver­tido.

Por que vocês ain­da não abri­ram seu cap­i­tal?

Se ain­da vivêsse­mos 15 anos atrás, a esta altura já teríamos aber­to nos­so cap­i­tal, com certeza, já que temos recei­ta muitas vezes mais alta do que aque­la que as empre­sas tipi­ca­mente desen­volvem antes de abrirem seu cap­i­tal.

Mas as com­pan­hias daque­la época não cres­ci­am tão rápi­do quan­to cresce­mos. E as com­pan­hias daque­la época não dis­pun­ham desse mer­ca­do de cap­i­tal pri­va­do, com­ple­ta­mente sem prece­dentes em ter­mos históri­cos.

Vocês arrecadaram US$ 1,2 bil­hão (R$ 4,48 bil­hões) em cap­i­tal. A maior parte desse din­heiro con­tin­ua no ban­co?

Sim.

Por que arrecadar tan­to cap­i­tal assim se vocês não vão colocá-lo em uso?

Quero poder me pro­te­ger con­tra mudanças sig­ni­fica­ti­vas nas condições de mer­ca­do, porque ter todo esse caixa é uma posição exce­lente a ser ocu­pa­da, caso obter reser­vas de caixa ven­ha a se tornar caro. Tam­bém pelos clientes, para que eles saibam que temos os recur­sos para con­tin­uar a atendê-los, se eles decidi­rem inve­stir para ter a platafor­ma.

Qual é a situ­ação do seu tele­fone, em ter­mos de quan­tos aplica­tivos capazes de enviar men­sagens você tem insta­l­a­dos?

Eu ter­minei desli­gan­do quase todas as noti­fi­cações, porque ver­i­fi­co meu tele­fone toda hora e com isso noti­fi­cações não impor­tam, e a luz­in­ha ver­mel­ha me estres­sa. Para mim, é muito raro pas­sar 45 min­u­tos sem olhar o celu­lar, se estou acor­da­do. Essa é uma janela razoáv­el para saber que men­sagens chegaram, em difer­entes serviços.

The Wall Street Jour­nal, traduzi­do do inglês por Paulo Miggliaci

 

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