Um olhar sobre o modelo de negócio do Facebook

Um olhar sobre o modelo de negócio do Facebook

No próx­i­mo mês, o Face­book com­ple­ta 15 anos. Quan­do come­cei o Face­book, não esta­va ten­tan­do con­stru­ir uma empre­sa glob­al. Naque­la época, perce­bi que era pos­sív­el encon­trar quase tudo na inter­net — músi­cas, livros, infor­mações–, exce­to o que mais impor­ta: as pes­soas. Então criei um serviço que as pes­soas pudessem usar para se conec­tar e saber mais umas sobre as out­ras. Ao lon­go dos anos, bil­hões de pes­soas acharam isso útil, e con­struí­mos mais serviços que as pes­soas em todo o mun­do amam e usam todos os dias.
Recen­te­mente, ten­ho vis­to muitas per­gun­tas sobre nos­so mod­e­lo de negó­cio, então quero explicar os princí­pios sobre como nós oper­amos.

Acred­i­to que todos devam ter voz e se conec­tar. Se esta­mos com­pro­meti­dos em servir a todos, então pre­cisamos de um serviço que seja acessív­el a todos. A mel­hor maneira de faz­er isso é ofer­e­cer serviços gra­tu­itos, algo que os anún­cios nos per­mitem faz­er.

As pes­soas sem­pre nos dizem que, se vão ver anún­cios, querem que eles sejam rel­e­vantes para elas. Isso sig­nifi­ca que pre­cisamos enten­der no que elas estão inter­es­sadas.

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Então, com base no que as pes­soas cli­cam, quais pági­nas curtem e out­ros sinais, cri­amos cat­e­go­rias –por exem­p­lo, pes­soas que gostam de pági­nas sobre jar­di­nagem e vivem na Espan­ha– e então cobramos de anun­ciantes para mostrar anún­cios para esse grupo de pes­soas. Emb­o­ra pro­pa­gan­da para gru­pos especí­fi­cos exista muito antes de a inter­net exi­s­tir, a pub­li­ci­dade online per­mite um dire­ciona­men­to muito mais pre­ciso e, assim, anún­cios mais rel­e­vantes.

A inter­net tam­bém nos per­mite ofer­e­cer mais transparên­cia e con­t­role sobre quais anún­cios você vê do que é pos­sív­el na TV, rádio ou mídia impres­sa. Em nos­sos serviços, você tem con­t­role sobre qual infor­mação nós usamos para lhe mostrar anún­cios, e você pode blo­quear qual­quer anun­ciante.

Você pode saber por que está ven­do um anún­cio e mudar suas prefer­ên­cias para rece­ber anún­cios que sejam mais inter­es­santes para você. E você pode usar nos­sas fer­ra­men­tas de transparên­cia para ver todas as pro­pa­gan­das que um anun­ciante está fazen­do, mes­mo que você não seja o públi­co-alvo daque­la cam­pan­ha.

Ain­da assim, alguns estão pre­ocu­pa­dos com a com­plex­i­dade desse mod­e­lo de negó­cio. Em uma transação comum, você paga uma empre­sa por um pro­du­to ou serviço que ela fornece. Isso é sim­ples.

Mas aqui você pode usar nos­sos serviços gra­tuita­mente –e tra­bal­hamos sep­a­rada­mente com os anun­ciantes para mostrar anún­cios rel­e­vantes para você. Esse mod­e­lo pode pare­cer opa­co, e todos nós nat­u­ral­mente descon­fi­amos de sis­temas que não enten­demos.

Às vezes, isso faz com que as pes­soas pensem que nós faze­mos coisas que não faze­mos. Por exem­p­lo, nós não vendemos dados das pes­soas, ape­sar de isso ser dito com fre­quên­cia. Na ver­dade, vender infor­mações das pes­soas seria con­trário aos nos­sos inter­ess­es de negó­cio, porque isso reduziria o val­or do nos­so serviço para anun­ciantes. Temos um forte incen­ti­vo para pro­te­ger as infor­mações das pes­soas de serem aces­sadas por qual­quer out­ra pes­soa.

Alguns temem que os anún­cios criem um desal­in­hamen­to de inter­ess­es entre nós e as pes­soas que usam nos­sos pro­du­tos. Muitas vezes me per­gun­tam se temos um incen­ti­vo para aumen­tar o enga­ja­men­to no Face­book porque isso cria mais espaço para anún­cios –mes­mo se isso não for o mais inter­es­sante para as pes­soas.

Eu quero ser claro: esta­mos foca­dos em aju­dar as pes­soas a com­par­til­har e se conec­tar mais, porque o obje­ti­vo de nos­so serviço é aju­dar as pes­soas a man­ter con­ta­to com a família, os ami­gos e as comu­nidades. Mas, do pon­to de vista do negó­cio, é impor­tante que o tem­po das pes­soas seja bem gas­to, ou elas não usarão nos­sos serviços da mes­ma maneira no lon­go pra­zo. Con­teú­dos ruins ou caça-clique podem ger­ar enga­ja­men­to no cur­to pra­zo, mas seria insen­satez mostrar­mos isso inten­cional­mente porque não é o que as pes­soas querem.

Out­ra questão é se man­te­mos nas nos­sas platafor­mas con­teú­dos divi­sivos ou nocivos porque eles ger­am enga­ja­men­to. Nós não faze­mos isso. As pes­soas sem­pre nos dizem que não querem ver esse tipo de con­teú­do.

Os anun­ciantes tam­bém não querem suas mar­cas per­to desse tipo de con­teú­do. A úni­ca razão pela qual con­teú­dos ruins estão disponíveis é porque as pes­soas e os sis­temas de inteligên­cia arti­fi­cial que usamos para revisá-los não são per­feitos –não porque temos um incen­ti­vo para igno­rar ess­es con­teú­dos. Nos­sos sis­temas ain­da estão evoluin­do e mel­ho­ran­do.

Final­mente, há a impor­tante questão sobre o mod­e­lo de anún­cios, se ele incen­ti­va empre­sas como a nos­sa a usar e armazenar mais infor­mações do que pre­cis­aríamos para ofer­e­cer nos­sos serviços.

Sobre isso, não há dúvi­das de que cole­ta­mos algu­mas infor­mações para exibir anún­cios –mas essas infor­mações tam­bém são nor­mal­mente impor­tantes para a oper­ação e a segu­rança de nos­sos serviços.

Por exem­p­lo, as empre­sas fre­quente­mente colo­cam um códi­go em seus aplica­tivos e sites para que, quan­do uma pes­soa inclua um deter­mi­na­do pro­du­to em seu car­rin­ho de com­pra online, elas pos­sam exibir anún­cios pos­te­ri­or­mente para lem­brar a pes­soa de con­cluir a com­pra. Mas esse tipo de sinal tam­bém pode ser impor­tante para detec­tar fraudes ou con­tas fal­sas.

Nós damos às pes­soas con­t­role com­ple­to sobre o uso dessa infor­mação para anún­cios, mas não deix­am­os as pes­soas con­tro­larem como usamos essa infor­mação para a oper­ação ou segu­rança de nos­sos serviços. E quan­do nós ped­i­mos às pes­soas per­mis­são para usar essa infor­mação para mel­ho­rar os anún­cios que elas veem, para cumprir com a nova leg­is­lação de pro­teção de dados europeia (GDPR), a ampla maio­r­ia delas nos disse que que­ria isso porque elas pref­er­em ver anún­cios mais rel­e­vantes.

Em últi­ma análise, acred­i­to que os princí­pios mais impor­tantes em torno de dados sejam transparên­cia, escol­ha e con­t­role. Pre­cisamos ser claros sobre como esta­mos usan­do a infor­mação, e as pes­soas pre­cisam ter claras escol­has sobre como querem que a infor­mação seja usa­da. Acred­i­ta­mos que reg­u­lações que con­sid­erem ess­es princí­pios para toda a inter­net sejam boas para todos.

É impor­tante faz­er­mos tudo isso da maneira ade­qua­da, porque há bene­fí­cios claros com esse mod­e­lo de negó­cio. Bil­hões de pes­soas pos­suem um serviço gra­tu­ito para se man­ter conec­tadas às pes­soas com as quais se impor­tam e para se expres­sar. Pequenos negó­cios em todo o mun­do têm aces­so a fer­ra­men­tas para crescer e cri­ar empre­gos.

Mais de 90 mil­hões de peque­nas empre­sas têm pre­sença no Face­book, e elas rep­re­sen­tam uma parte impor­tante do nos­so negó­cio. Muitas delas não tin­ham condições de pagar por anún­cios na TV ou out­doors, mas ago­ra têm aces­so às mes­mas fer­ra­men­tas que antes só as grandes empre­sas tin­ham.

Isso cria enormes opor­tu­nidades, já que as peque­nas empre­sas são respon­sáveis pela maior parte dos novos empre­gos e cresci­men­to econômi­co em todo o mun­do.

Em uma pesquisa glob­al, metade das empre­sas disse ter con­trata­do mais fun­cionários des­de que estão pre­sentes no Face­book. Isso sig­nifi­ca que elas estão usan­do nos­sos serviços para cri­ar mil­hões de empre­gos.

Para nós, tec­nolo­gia sem­pre foi colo­car o poder nas mãos do maior número pos­sív­el de pes­soas. Se você acred­i­ta em um mun­do onde todos con­seguem usar sua voz e têm a mes­ma chance de ser ouvi­do, onde todos podem começar um negó­cio do zero, então é impor­tante con­stru­ir uma tec­nolo­gia que sir­va a todos.

Esse é o mun­do que esta­mos con­stru­in­do todos os dias, e o nos­so mod­e­lo de negó­cio tor­na isso pos­sív­el.

Por Mark Zucker­berg

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