RH deve tornar a análise de pessoas mais acessível

RH deve tornar a análise de pessoas mais acessível

Geren­ciar dados rela­ciona­dos a RH é cru­cial para o suces­so de qual­quer orga­ni­za­ção. Entre­tan­to, pro­gres­sos na análise de RH têm sido muito lentos. Empre­sas de con­sul­to­ria nos EUA e Europa lamen­tam o avanço vagaroso pro­gres­so. Mas um estu­do analíti­co de 230 exec­u­tivos da Har­vard Busi­ness Review sug­ere um pro­gres­so sur­preen­dente, maior do que o pre­vis­to: 15% afir­maram “uti­lizar anális­es pred­i­ti­vas baseadas nos dados de RH e de out­ras fontes de den­tro e fora da orga­ni­za­ção”, enquan­to 48% pre­vi­ram que iri­am uti­lizá-las em dois anos. A real­i­dade parece menos impres­sio­n­ante, pois uma pesquisa glob­al da IBM com mais de 1.700 CEOs desco­briu que 71% apon­tavam o cap­i­tal humano como um recur­so chave da van­tagem com­pet­i­ti­va. Mas um estu­do glob­al real­iza­do pela Tata Con­sul­tan­cy Ser­vices mostrou que ape­nas 5% de inves­ti­men­tos em grandes vol­umes de dados estavam em recur­sos humanos.

Recen­te­mente, eu e meu cole­ga Wayne Cas­cio decidi­mos ten­tar desco­brir por que pro­gres­sos na análise de dados de RH têm sido tão lentos, ape­sar das muitas décadas de pesquisa e desen­volvi­men­to de fer­ra­men­tas práti­cas, do aumen­to expo­nen­cial nos dados de RH disponíveis, e de provas con­sis­tentes de que um mel­hor geren­ci­a­men­to do RH e dos tal­en­tos leva a um desem­pen­ho mais forte da orga­ni­za­ção. Nos­so arti­go na Pub­li­cação de Efi­ciên­cia Orga­ni­za­cional: Pes­soas e Desem­pen­ho dis­cute fatores que podem, de for­ma efi­caz, “impul­sion­ar” as medi­das e anális­es de RH ao públi­co de modo mais impac­tante, assim como fatores que podem, de for­ma efi­caz, levar out­ros a “puxarem” aque­les dados para análise por toda a orga­ni­za­ção.

No lado “impul­so”, líderes de RH podem apre­sen­tar de maneira mais efi­ciente índices de cap­i­tal humano para o resto da orga­ni­za­ção, usan­do a estru­tu­ra LAMP:

  • Lóg­i­ca. Artic­ule as conexões entre tal­en­to e suces­so estratégi­co, bem como princí­pios e condições que predi­zem com­por­ta­men­tos indi­vid­u­ais e orga­ni­za­cionais. Por exem­p­lo: além de fornecer números que descrevem tendên­cias na con­sti­tu­ição demográ­fi­ca de um tra­bal­ho, a lóg­i­ca apri­mora­da pode descr­ev­er como a diver­si­dade demográ­fi­ca afe­ta a ino­vação, ou talvez ela pos­sa mostrar o canal dire­to de movi­men­to do tal­en­to a fim de retratar quais gar­ga­los afe­tam mais o pro­gres­so de car­reira.
  • Anális­es. Uti­lize fer­ra­men­tas e téc­ni­cas apro­pri­adas para trans­for­mar dados em insights cri­te­riosos e rel­e­vantes — análise estatís­ti­ca, mod­e­lo de pesquisa, etc. Por exem­p­lo: enten­der se o envolvi­men­to do fun­cionário gera um mel­hor desem­pen­ho de tra­bal­ho requer análise além de cor­re­lações que mostram a asso­ci­ação, com o intu­ito de cer­ti­ficar que a razão não é ape­nas os fun­cionários com mel­hor desem­pen­ho que se tor­nam mais envolvi­dos.
  • Esta­beleça números e indi­cadores pre­cisos e ver­i­fi­ca­dos, cal­cu­la­dos a par­tir dos sis­temas de dados, para servir como matéria-pri­ma para as anális­es, a fim de evi­tar danos cau­sa­dos por dados não con­fiáveis mes­mo com anális­es apro­pri­adas e sofisti­cadas.
  • Uti­lize canais de comu­ni­cação, tim­ing e téc­ni­cas cor­re­tas para moti­var tomadores de decisão a agirem com base em con­hec­i­men­to ger­a­do por dados. Por exem­p­lo: relatórios ref­er­entes ao envolvi­men­to do fun­cionário são, em ger­al, entregues assim que a análise é con­cluí­da. No entan­to, eles se tor­nam mais impac­tantes caso sejam entregues durante sessões de plane­ja­men­to de negó­cios e caso mostrem a relação entre envolvi­men­to e resul­ta­dos de foco especí­fi­cos como ino­vação, cus­to ou veloci­dade.

Wayne e eu obser­va­mos que a atenção do RH cos­tu­ma recair sobre anális­es sofisti­cadas e cri­ação de indi­cadores mais com­ple­tos e pre­cisos. Até a análise mais sofisti­ca­da e pre­cisa pode se perder no con­jun­to. Para evi­tar que isso acon­teça, ela deve estar integra­da a um quadro lógi­co que seja facil­mente com­preen­di­do e rel­e­vante para os tomadores de decisões, ou comu­ni­ca­da de maneira que provoque enga­ja­men­to, por meio de histórias, analo­gias e exem­p­los famil­iares. Meu cole­ga Ed Lawler e eu com­para­mos os resul­ta­dos das pesquisas de mais de 100 líderes de RH amer­i­canos em 2013 e 2016. Desco­b­ri­mos que depar­ta­men­tos de RH que uti­lizam todos os ele­men­tos da LAMP desem­pen­ham um papel estratégi­co mais forte em suas orga­ni­za­ções. Equi­li­brar ess­es qua­tro fatores de impul­so cria uma maior prob­a­bil­i­dade de que a men­sagem analíti­ca de RH encon­tre os tomadores de decisão cor­re­tos.

No lado “puxar”, Wayne e eu sug­e­r­i­mos que o RH e out­ros líderes orga­ni­za­cionais pon­derem a respeito das condições necessárias para índices de RH e infor­mações analíti­cas chegarem ao públi­co cru­cial de tomadores de decisão e influ­en­ci­adores, que devem:

  • rece­ber as anális­es no tem­po e con­tex­to cer­tos
  • prestar atenção nos resul­ta­dos analíti­cos e acred­i­tar que as anális­es têm val­or e que são capazes de usá-las
  • acred­i­tar que os resul­ta­dos das anális­es são con­fiáveis e provavel­mente rep­re­sen­tam o “mun­do real”
  • enten­der que o impacto das anális­es será sufi­cien­te­mente grande e con­vin­cente para jus­ti­ficar seu tem­po e atenção.
  • enten­der que as anális­es pos­suem impli­cações especí­fi­cas para apri­morar suas próprias decisões e ações

Para apri­morar ess­es cin­co fatores de impul­so é pre­ciso que líderes de RH ajudemos tomadores de decisão a enten­der a difer­ença entre as anális­es que focam no cumpri­men­to das nor­mas ver­sus efi­ciên­cia depar­ta­men­tal do RH ver­sus os serviços de RH ver­sus o impacto das pes­soas no negó­cio ver­sus a qual­i­dade das decisões e com­por­ta­men­tos de líderes não-RH. Cada uma dessas anális­es tem impli­cações muito difer­entes para seus usuários. No entan­to, a maio­r­ia dos sis­temas, quadros de desem­pen­ho e relatórios de RH não fazem essas dis­tinções, deixan­do os usuários a nave­g­ar em um ter­reno de índices muitas vezes estran­ho e con­fu­so.

RH

Para con­seguir um “impul­so” maior, os líderes do RH e seus inte­grantes devem prestar mais atenção na maneira como os usuários inter­pre­tam a infor­mação que recebem. Por exem­p­lo, mostrar os difer­entes níveis de retenção e enga­ja­men­to de fun­cionários nas diver­sas unidades irá faz­er com que as pes­soas prestem atenção nas unidades em que os níveis estão baixos, medi­anos ou altos (geral­mente rep­re­sen­ta­dos pelas cores ver­mel­ho-amare­lo-verde), e que seja toma­da uma decisão para enfa­ti­zar a mel­ho­ra nas unidades “ver­mel­has”. Entre­tan­to, rota­tivi­dade e envolvi­men­to não afe­tam todas unidades do mes­mo modo e, talvez, a decisão mais impac­tante seria tornar uma unidade verde “ain­da mais verde”. Mas não temos como saber se usuários não agem de acor­do com anális­es de RH porque não acred­i­tam nos resul­ta­dos ou não veem as impli­cações como algo impor­tante, ou não sabem como agir de acor­do com os resul­ta­dos, ou uma com­bi­nação dos três. Vir­tual­mente, não há pesquisa para essas questões e pou­cas orga­ni­za­ções con­duzem o tipo de estu­do com “grupo de foco” necessário para respon­der essas questões.

Uma questão impor­tante seria desco­brir se os sis­temas de RH real­mente edu­cam líderes de negó­cios sobre a qual­i­dade de suas decisões de cap­i­tal humano. Fize­mos essa per­gun­ta na pesquisa da Lawler-Boudreau e desco­b­ri­mos, de for­ma con­sis­tente, que líderes de RH dão a esse resul­ta­do em seus sis­temas de RH e analíti­co a nota mais baixa (em torno de 2,5 em uma escala de 5 pon­tos). No entan­to, avali­ações mel­hores nesse item são con­sis­ten­te­mente asso­ci­adas com um papel estratégi­co mais forte do RH, efi­ciên­cia fun­cional de RH supe­ri­or e maior desem­pen­ho orga­ni­za­cional. Em todas as pesquisas que con­duz­i­mos nos últi­mos dez anos, a pos­si­bil­i­dade de edu­car líderes sobre a qual­i­dade das suas decisões de cap­i­tal humano surgiu como uma das maiores opor­tu­nidades de mel­ho­ria.

Imple­men­tar dados de RH, medi­das e anális­es de for­ma mais efi­caz requer uma per­spec­ti­va mais volta­da ao usuário. O depar­ta­men­to de RH pre­cisa prestar mais atenção às car­ac­terís­ti­cas de pro­du­to que impul­sion­am com suces­so as men­sagens de análise e, tam­bém, aos fatores de atração que fazem com que usuários cru­ci­ais exi­jam, enten­dam e usem. Assim como, vir­tual­mente, todos web­sites, aplica­tivos e pro­du­tos online são con­stan­te­mente aper­feiçoa­d­os em respos­ta aos dados ref­er­entes às ações e atenção do usuário, índices e anális­es de RH dev­e­ri­am ser apri­mora­dos por meio da apli­cação de fer­ra­men­tas analíti­cas à própria exper­iên­cia do usuário. Do con­trário, nem todos os dados de RH no mun­do irão ajudá-lo a atrair e reter o tal­en­to cer­to para impul­sion­ar seu negó­cio.

Por John Boudreau — pro­fes­sor e dire­tor de pesquisa na USC’s Mashall School of Busi­ness and Cen­ter for Effec­tive Orga­ni­za­tions e é autor dos livros Lead the Work, com Ravis Jesuthasan e David Creel­man, e Glob­al Trends in Human Resource Man­age­ment, com Edward E. Lawler III.

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