O poder transformador do Open Banking

O poder transformador do Open Banking

A imple­men­tação de serviços dig­i­tais já é uma pri­or­i­dade, em 2018, para 85% das 221 insti­tu­ições finan­ceiras entre­vis­tadas em uma pesquisa glob­al elab­o­ra­da pela con­sul­to­ria EY. Esse mes­mo estu­do mostrou ain­da que 70% das empre­sas plane­jam inve­stir em tec­nolo­gia para for­t­ale­cer seu posi­ciona­men­to com­pet­i­ti­vo e gan­har mer­ca­do.

É inegáv­el a trans­for­mação que o uso da tec­nolo­gia trouxe para todos os seg­men­tos. Com o setor finan­ceiro não podia ser difer­ente, bas­ta pen­sar em como era um ban­co há 15 anos.

E os avanços dos serviços de Mobile Bank? Com esse novo con­sum­i­dor surgiu a neces­si­dade de cri­ar serviços e alter­na­ti­vas de uso mais veloz e foca­dos na exper­iên­cia do usuário. É aí que entra o Open Bank­ing – uma van­ta­josa estraté­gia de ino­vação para as empre­sas.

O que é Open Banking?

É uma platafor­ma que per­mite a inte­gração de aplica­tivos com serviços por meio da aber­tu­ra de Appli­ca­tion Pro­gram­mimg Inter­face, ou inter­face de pro­gra­mação de apli­cações, em por­tuguês). As APIs são ele­men­tos-chave da trans­for­mação dig­i­tal dos ban­cos, uma vez que per­mitem a desen­volve­dores de out­ras empre­sas de tec­nolo­gia cri­ar diver­sas apli­cações e serviços, foca­dos nas exper­iên­cias e na for­ma como os clientes inter­agem com o ban­co. Elas per­mitem, por­tan­to, que empre­sas e desen­volve­dores conectem seus sis­temas, com­par­til­hem dados e real­izem transações de for­ma autom­a­ti­za­da e segu­ra.

Ao lib­er­ar dados em uma cama­da de inte­gração, o ban­co tam­bém pode se inte­grar a novas cadeias de serviços, via­bi­lizan­do o trân­si­to de infor­mações por meio de out­ras platafor­mas de serviço. Ou seja, o cor­ren­tista pode aces­sar suas infor­mações bancárias por aplica­tivos de out­ras empre­sas e não somente pelo ban­co.

No Brasil o Open Bank­ing já é uma real­i­dade. O Ban­co Orig­i­nal foi o pio­neiro em 2016 e na sequên­cia o Ban­co do Brasil, em jun­ho de 2017. O BB fez parce­rias para cri­ação de serviços inte­gra­dos ao sis­tema da insti­tu­ição – um pro­je­to com a start­up de com­para­ção de emprés­ti­mos consigna­dos Bxblue, Con­taAzul (platafor­ma de gestão em nuvem para peque­nas empre­sas), Dotz (pro­gra­ma de fidel­i­dade), Brasil­Cap (empre­sa de cap­i­tal­iza­ção), Ciclic (fin­tech de planos de pre­v­idên­cia pri­va­da con­tro­la­da pelo Ban­co do Brasil) e FNDE (Fun­do Nacional de Desen­volvi­men­to da Edu­cação).

O Ban­co Cen­tral comu­ni­cou que vai definir o mod­e­lo de Open Bank­ing em 2019. A questão é saber se o BC vai seguir um mod­e­lo mais restri­ti­vo – que irá cat­e­go­rizar as platafor­mas que poderão req­ui­si­tar os dados, a lin­guagem de pro­gra­mação da API e out­ros detal­h­es, algo pare­ci­do com o que ocorre na Inglater­ra -, ou seguir um mod­e­lo semel­hante ao da União Europeia, pelo qual os ban­cos são obri­ga­dos a disponi­bi­lizar a API, mas sem uma padroniza­ção tão restri­ti­va.

Essa reg­u­la­men­tação tam­bém é rel­e­vante, já que na Europa, por exem­p­lo, existe a PSD2 (Pay­ment Ser­vices Revised Direc­tive). Isso sig­nifi­ca que todas as orga­ni­za­ções reg­u­ladas pelo Ban­co Cen­tral Europeu dev­erão disponi­bi­lizar APIs aber­tas, ou seja, ado­tar a platafor­ma do Open Bank­ing. Mais um pon­to inter­es­sante do PSD2 é que o usuário é dono dos seus dados e con­tas, ou seja, ele pode faz­er a porta­bil­i­dade de um ban­co para out­ro em um “click”. Des­ta for­ma o poder de escol­ha está na mão do usuário, o que força os ban­cos a ofer­e­cer mel­hores serviços com exper­iên­cias incríveis.

Os ban­cos dos Esta­dos Unidos obser­vam com temor o que acon­te­ceu na Chi­na, onde a Ten­cent Hold­ings e a Aliba­ba Group Hold­ing estão chegan­do a 500 mil­hões de usuários bancários e de seguros. A unidade de Yu’e Bao, da Aliba­ba, tornou-se o maior fun­do do mer­ca­do mon­etário do mun­do, com US$ 210 bil­hões em ativos em ape­nas cin­co anos des­de seu lança­men­to, em jun­ho de 2013.

Empre­sas de vare­jo e via­gens, grandes ban­cos como JP Mor­gan Chase, Cit­i­group e Bank of Amer­i­ca tam­bém estão investin­do em dig­i­tal para se pro­te­ger da Ama­zon, Google ou out­ra platafor­ma que chegará (se não chegou) para gan­har os clientes para sem­pre.

Outras vantagens do Open Banking

1) Enga­ja­men­to: qual empre­sa não quer ser lem­bra­da por facil­i­tar a vida do usuário? APIs em ban­cos são o cam­in­ho para novas ideias. Assim, a mar­ca do ban­co além de estar pre­sente em vários momen­tos do dia a dia do usuário, pode até con­quis­tar mais clientes por con­ta das facil­i­dades e gama de serviços que pode entre­gar a esse usuário.

2) Mon­e­ti­za­ção de serviços: quan­do pen­samos em ban­cos, lem­bramos em din­heiro. Uma car­ac­terís­ti­ca das APIs em negó­cios é abrir novas opor­tu­nidades de recei­ta. Um exem­p­lo é o mod­e­lo de cobrança que pode ser extrema­mente diver­si­fi­ca­do. Algu­mas empre­sas fazem pro­gra­mas de afil­i­a­dos, enquan­to out­ras cobram os par­ceiros pela quan­ti­dade de aces­sos. Uma opção é definir um lim­ite de chamadas por aplica­ti­vo, por dia, e quan­do esse lim­ite for ultra­pas­sa­do, uma taxa deve ser paga. A ideia é sem­pre ger­ar mais val­or para o cliente.

3) Posi­ciona­men­to ino­vador: no mer­ca­do, não impor­ta o seg­men­to, ser refer­ên­cia de tec­nolo­gia e ino­vação é uma posição priv­i­le­gia­da. O lança­men­to de serviços difer­entes de seus con­cor­rentes vai mel­ho­rar seu posi­ciona­men­to e per­cepção, pois a inte­gração com o maior número de aplica­tivos (ou mel­hor, com os aplica­tivos cer­tos para seu públi­co) garan­tirá um cam­in­ho lon­go e próspero de ino­vação.

4) Efeito de comu­nidade: imag­ine mil­hares de desen­volve­dores pen­san­do em sis­temas ino­vado­ras usan­do as APIs da sua empre­sa! Isso é total­mente pos­sív­el quan­do você disponi­bi­liza um por­tal para a comu­nidade com as APIs públi­cas e pro­move even­tos como o Hackathons, com desafios e pre­mi­ações.

5) Acel­er­ação da ino­vação: as fin­techs vier­am para mudar a for­ma como a mas­sa de clientes usa serviços finan­ceiros. É inevitáv­el o lança­men­to de APIs por parte destes play­ers do mer­ca­do, pois já exis­tem diver­sas empre­sas que con­seguem ofer­e­cer pequenos pedaços de serviços que os ban­cos ofer­e­cem de for­ma apri­mora­da e espe­cial­iza­da. Em vez de recri­ar, podemos pen­sar em uti­lizar estes serviços den­tro da platafor­ma.

A nova economia exige mudanças rápidas

A nova econo­mia está crian­do a neces­si­dade de trans­for­mação dig­i­tal em todos os setores, sobre­tu­do naque­les que deman­dam cuida­do extra com gestão e admin­is­tração. Então o seg­re­do é não lim­i­tar a Open API aos serviços finan­ceiros. Afi­nal, tudo pode ser “Open”, como Open Retail, Open Insur­ance ou Open Health.

Um fator inter­es­sante dis­so tudo é que a van­tagem dessa com­bi­nação depende da cria­tivi­dade dos ban­cos (profis­sion­ais) e das empre­sas par­ceiras envolvi­das no uso e inte­gração com APIs. Com um plano bem exe­cu­ta­do é pos­sív­el ver o fenô­meno que con­hece­mos como Ino­vação Aber­ta ou a Cri­ação de um Ecos­sis­tema de Ino­vação trazen­do mais veloci­dade, efi­ciên­cia e um fenô­meno muito con­heci­do por nós – o net­work effect, ou efeito de rede.

Então, se sua empre­sa ain­da não começou esta jor­na­da de mudança, está na hora de colo­car na mes­ma mesa o CIO ou dire­tor de Tec­nolo­gia e, no mín­i­mo, um ou mais ser­vice design­er para uma dis­cussão estratég­i­ca. O avanço é implacáv­el, inde­pen­den­te­mente do nív­el de maturi­dade dig­i­tal de sua empre­sa. É hora de agir.

Por Leo Monte — co-fun­dador da GR1D

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