O novo poder está na informação

O novo poder está na informação

Dados são o novo poder. Porém a infor­mação valiosa para as empre­sas não é uma cláusu­la da leg­is­lação tra­bal­hista, o dis­cur­so do pres­i­dente que acabou de assumir ou a dança das ações na Bol­sa de Val­ores. O poder da infor­mação está nos tril­hões de dados pro­duzi­dos atual­mente ao redor do mun­do, peque­nas las­cas de con­hec­i­men­to que podem não faz­er nen­hum sen­ti­do quan­do per­di­das em meio a tan­tas out­ras, mas são valiosas quan­do reunidas, cod­i­fi­cadas e anal­isadas.

Esti­ma-se que, em 2025, daqui a ape­nas sete anos, o mun­do alcance 163 zettabytes de infor­mação (cada zettabyte cor­re­sponde a 1 tril­hão de giga­bytes). “Nun­ca se cri­aram tan­tos dados na humanidade…” No entan­to, 80% dos dados pro­duzi­dos hoje em dia não são estru­tu­ra­dos, isto é, estão inseri­dos em diver­sos tex­tos aleatórios ou até mes­mo em ima­gens e vídeos, e pre­cisam ser garim­pa­dos.

A questão atu­al, por­tan­to, é como aces­sar e usar essa infor­mação para ala­van­car os negó­cios. É aí que entram o big data e a inteligên­cia arti­fi­cial (IA), com os quais é pos­sív­el encon­trar e reunir infor­mações, faz­er cor­re­lações entre elas e anal­isá-las para que pos­sam ser uti­lizadas pelas empre­sas.

Por exem­p­lo, quan­do um con­sum­i­dor está à procu­ra de um pro­du­to na Inter­net, a empre­sa que con­seguir definir mais rápi­do o que pode inter­es­sar a esse cliente e desco­brir seu padrão de com­pras sairá na frente, ao faz­er ofer­tas mais asserti­vas. “É pre­ciso tomar decisões com mais rapi­dez que o con­cor­rente”. A com­putação em nuvem vem tor­nan­do o proces­sa­men­to dessa mas­sa de infor­mações cada vez mais veloz, tra­bal­ho que hoje leva min­u­tos ou segun­dos, não mais horas ou dias.

Com a per­cepção da importân­cia de reunir infor­mações e dos avanços na inteligên­cia com­puta­cional, daqui para frente toda empre­sa, inde­pen­den­te­mente de seu setor de atu­ação, será ori­en­ta­da por dados. As empre­sas de e‑commerce podem, com a inteligên­cia arti­fi­cial, clas­si­ficar com mais facil­i­dade as fotos dos pro­du­tos que devem entrar em seu site. Com o big data, saberão os pon­tos de con­ta­to dig­i­tal com seus clientes, que incluem sites e redes soci­ais. O pequeno empreende­dor que vende doces em uma loja de bair­ro, por exem­p­lo, otimizará seus esto­ques, se sou­ber com exatidão qual é o inter­esse de seus clientes. Ban­cos ofer­e­cerão serviços e pro­du­tos especí­fi­cos, se sou­berem o padrão de neces­si­dades de cada cor­ren­tista. As infor­mações já não serão ape­nas tópi­cos impor­tantes, mas o core busi­ness dos negó­cios, afir­ma Teix­eira. “A questão não é se os negó­cios vão mudar, mas quan­do.” É uma tec­nolo­gia que está rev­olu­cio­nan­do prati­ca­mente todos os seg­men­tos da econo­mia. No mun­do cor­po­ra­ti­vo, é uma for­ma alta­mente asserti­va de ter destaque e ser útil nas tomadas de decisão.

Com as soluções já é pos­sív­el faz­er análise de segu­rança, risco e fraude, geren­ci­a­men­to de assets, anális­es pred­i­ti­vas, comu­ni­cação autom­a­ti­za­da de transações finan­ceiras e comu­ni­cação com o con­sum­i­dor.

A Agro­Tools é uma empre­sa de inteligên­cia para as cor­po­rações do agronegó­cio e depende da cole­ta e da análise de um grande vol­ume de infor­mações de toda a cadeia pro­du­ti­va do setor, que vai da semeadu­ra à entre­ga dos pro­du­tos. Atende trad­ings, ban­cos, frig­orí­fi­cos e até mes­mo grandes vare­jis­tas, como Wal­mart e McDonald’s. Uti­liza dados dinâmi­cos, como cli­ma e tem­per­atu­ra, além de infor­mações sobre pro­du­tivi­dade no cam­po, e pre­cisa cruzar ess­es dados. Há uma déca­da, afir­ma Sér­gio Rocha, fun­dador e pres­i­dente da Agro­Tools, era impos­sív­el armazenar e anal­is­ar dados na veloci­dade com que isso é feito hoje em dia. Atual­mente, com a infraestru­tu­ra dos serviços forneci­dos pelo Google, como armazena­men­to em nuvem, inteligên­cia arti­fi­cial e big data, ali­a­da à tec­nolo­gia desen­volvi­da pela própria empre­sa em sua fil­ial de São José dos Cam­pos, no inte­ri­or de São Paulo, a orga­ni­za­ção recu­per­ou o tem­po per­di­do.

“Toda a infraestru­tu­ra do Google nos per­mite fornecer soluções de alto impacto para nos­sos clientes”, comen­ta Rocha. No caso do McDonald´s, mon­i­to­ra a cadeia bov­ina ‒ da cri­ação ao trans­porte e abate e até vare­jo ‒ para asse­gu­rar que a empre­sa não ven­ha a ter prob­le­mas rela­ciona­dos a des­mata­men­to ou tra­bal­ho escra­vo, por exem­p­lo. “Especi­fi­ca­mente sobre o mon­i­tora­men­to da cadeia bov­ina, uti­lizamos nos­sas próprias fer­ra­men­tas, mas, nos casos em que o vol­ume de dados ultra­pas­sa nos­sa capaci­dade, uti­lizamos o Big­Query.” Com a Google Cloud Plat­form, a empre­sa real­iza mais de 200 mil anális­es por ano em 1.151 camadas de infor­mações estratég­i­cas – des­de os níveis de nutri­entes do solo até cli­ma, topolo­gia de ter­ras e infraestru­tu­ra públi­ca.

A Agro­tools tam­bém está econ­o­mizan­do. Ao mudar para a GCP, reduz­iu os cus­tos de TI em 32%, aju­dan­do a ofer­e­cer preços mais com­pet­i­tivos e aumen­tan­do as ven­das em 40% em ape­nas um ano.

O Google ofer­ece pro­du­tos e serviços em 13 cat­e­go­rias: com­putação; armazena­men­to e base de dados; cloud IA; big data; platafor­ma e ecos­sis­temas de APIs; iden­ti­dade e segu­rança; fer­ra­men­tas de gestão; trans­fer­ên­cia de dados; fer­ra­men­tas para desen­volve­dores; inter­net das coisas; serviços profis­sion­ais; rede e fer­ra­men­tas de pro­du­tivi­dade.

Den­tro da área de inteligên­cia arti­fi­cial, o machine learn­ing – ou apren­diza­do das máquinas, em tradução livre – segue em cur­va ascen­dente. Uma pesquisa real­iza­da em abril de 2017 pela Har­vard Busi­ness Review Ana­lyt­ic Ser­vices com 490 par­tic­i­pantes de vários setores, mostra que 60% acred­i­tam que o suces­so futuro de sua orga­ni­za­ção depende do uso do apren­diza­do de máquinas, como for­ma de se destacar dos con­cor­rentes. E, para quase 54% dos respon­dentes, o machine learn­ing tem papel estratégi­co na análise e no big data da orga­ni­za­ção.

Grandes ban­cos brasileiros já anun­ci­am sis­temas de con­ver­sa com seus clientes, garan­ti­n­do que o com­puta­dor vai enten­der as neces­si­dades deles e apren­der com elas. “O machine learn­ing deixou de ser ino­vação e pas­sou a ser uma van­tagem com­pet­i­ti­va”. “Não é a próx­i­ma onda. É um tsuna­mi.” Machine learn­ing tornou-se basi­ca­mente o core busi­ness da empre­sa nos últi­mos dez anos. Atual­mente 100% dos pro­du­tos con­tam com máquinas que apren­dem. Elas com­ple­tam fras­es que estão sendo dig­i­tadas, de acor­do com o padrão do usuário, encon­tram e cod­i­fi­cam ima­gens em vídeo segun­do a neces­si­dade, ou ain­da traduzem ou com­preen­dem os sen­ti­men­tos descritos nos tex­tos. Insti­tu­ições finan­ceiras apren­dem hábitos e padrões de com­pras e gas­tos de seus clientes e usam essas infor­mações para evi­tar fraudes, por exem­p­lo. A chave do suces­so, em todos os casos, é unir o big data ‒ a quan­ti­dade mas­si­va de dados disponíveis ‒ com o machine learn­ing. “Essa mas­sa de dados é inten­sa no dia a dia das pes­soas e, às vezes, elas nem percebem”, afir­ma o dire­tor do Google. Infor­mações inseri­das ou pesquisadas na Inter­net por con­sum­i­dores, por exem­p­lo, podem faz­er parte da pesquisa de empre­sas inter­es­sadas em enten­der mel­hor as neces­si­dades ou inter­ess­es de seus clientes, e os negó­cios haverão de ser dire­ciona­dos nesse sen­ti­do.

Posts Similares