Nos bancos, cibercriminosos focam no elo mais fraco: o consumidor

Nos bancos, cibercriminosos focam no elo mais fraco: o consumidor

O sis­tema bancário brasileiro é con­sid­er­a­do mod­e­lo em segu­rança, inclu­sive no mun­do vir­tu­al. Enquan­to em out­ros mer­ca­dos, como o amer­i­cano, as insti­tu­ições finan­ceiras estão adotan­do a tec­nolo­gia de cartões com chip, por aqui, a era da bio­me­tria já chegou. De acor­do com a Fed­er­ação Brasileira de Ban­cos (Febra­ban), o setor investe anual­mente R$ 2 bil­hões em defe­sas cibernéti­cas, por isso, os ataques hack­ers se con­cen­tram no “elo mais fra­co” da cadeia: os clientes.

De acor­do com o estu­do Unisys Secu­ri­ty Index, o roubo de iden­ti­dade e as fraudes bancárias são as duas maiores pre­ocu­pações dos brasileiros em relação à segu­rança cibernéti­ca. Por esse moti­vo, os ban­cos investem não ape­nas para garan­tir a inte­gri­dade dos sis­temas, mas para con­vencer que as transações vir­tu­ais são seguras.

— Os ban­cos têm a mis­são de faz­er com que os clientes se sin­tam con­fortáveis nos canais dig­i­tais — comen­tou Luis Car­los Rego, vice-pres­i­dente de serviços finan­ceiros da Unisys para Améri­ca Lati­na. — As medi­das são várias, des­de a aut­en­ti­cação com bio­me­tria, ao uso de inteligên­cia arti­fi­cial para emi­tir aler­tas de transações sus­peitas.

A pre­ocu­pação faz sen­ti­do. Mais da metade das oper­ações bancárias do país são feitas por canais dig­i­tais, sendo que 35% das 71,8 bil­hões são real­izadas pelo celu­lar, indi­ca lev­an­ta­men­to ref­er­ente ao ano pas­sa­do. E, quan­to maior o uso, maior o risco, aler­ta Jefer­son Propheta, dire­tor-ger­al da McAfee no Brasil:

— O setor finan­ceiro con­seguiu trans­for­mar o negó­cio da tradi­cional fila do caixa para o atendi­men­to dig­i­tal — comen­tou.

Segun­do a Febra­ban, não há reg­istro de invasão ou fraude eletrôni­ca a par­tir dos sis­temas inter­nos dos ban­cos no país. “Os ataques explo­ram o ambi­ente do cliente, que é o elo mais fra­co”, infor­ma. “No caso da inter­net, é comum que a fraude só ocor­ra porque o cliente é induzi­do, por meio de engen­haria social, a infor­mar os seus códi­gos e sen­has para os este­lion­atários”.

Roubo de US$ 1 bilhão

No entan­to, os ban­cos não estão imunes aos ciber­crim­i­nosos. Nos últi­mos anos, gru­pos orga­ni­za­dos sur­gi­ram no cenário mundi­al. Um deles, con­heci­do como Car­banak, roubou mais de US$ 1 bil­hão, ao lon­go de qua­tro anos, de mais de cem ban­cos de 40 país­es.

— Os crim­i­nosos se der­am con­ta que era mais van­ta­joso roubar um ban­co do que os clientes — comen­tou Fabio Assoli­ni, anal­ista de segu­rança da Kasper­sky Lab. — Mas atacar um ban­co não é triv­ial, por isso, temos ataques muito avança­dos, nun­ca vis­tos antes.

Mais avança­do, o grupo Lazarus — que tam­bém esta­va por trás do ataque con­heci­do como Wan­naCry, que sacud­iu empre­sas e gov­er­nos em todo o mun­do no ano pas­sa­do — encon­trou uma for­ma de atacar a rede Swift (Soci­ety for World­wide Inter­bank Finan­cial Telecom­mu­ni­ca­tion), respon­sáv­el pelas transações entre país­es. Na primeira ação con­heci­da, em fevereiro de 2016, os crim­i­nosos roubaram US$ 81 mil­hões do Ban­co de Bangladesh. Já foram reg­istra­dos ataques desse grupo em alguns país­es da Améri­ca Lati­na, como Méx­i­co e Equador.

— O sis­tema bancário brasileiro é con­fiáv­el, mas já encon­tramos sinais da atu­ação deles aqui — disse Assoli­ni.

A dica é desconfiar de tudo

O últi­mo lev­an­ta­men­to da Febra­ban sobre tec­nolo­gia bancária mostra que, no ano pas­sa­do, exis­ti­am 59 mil­hões de con­tas reg­istradas em mobile bank­ing, con­tra ape­nas 6 mil­hões em 2012. A tec­nolo­gia facil­i­tou o uso, mas os canais dig­i­tais requerem cuida­dos espe­ci­ais dos clientes com a pro­teção de seus dis­pos­i­tivos e dos dados bancários.

— A regra é descon­fi­ar de tudo — recomen­da Fabio Assoli­ni, anal­ista de segu­rança da Kasper­sky Lab. — Se a ‘caix­in­ha’ esta­va do lado dire­ito do site e ago­ra está na esquer­da, não prossi­ga; a pro­moção é muito boa, não acred­ite; o e‑mail está estran­ho, não abra.

Jefer­son Propheta, dire­tor-ger­al da McAfee no Brasil, ressalta que os ciber­crim­i­nosos estão cada vez mais refi­na­dos. Os sites e e‑mails fal­sos usa­dos para o roubo de cre­den­ci­ais eram gros­seiros, mas ago­ra são répli­cas quase per­feitas.

Por isso, é essen­cial que celu­lares, tablets e com­puta­dores sejam pro­te­gi­dos com antivírus e que os sis­temas opera­cionais, soft­wares e aplica­tivos este­jam sem­pre atu­al­iza­dos.

— Como o uso do celu­lar cresceu expo­nen­cial­mente, os ban­cos têm uma pre­ocu­pação obses­si­va com os aplica­tivos. Alguns lib­er­am mais de uma atu­al­iza­ção por sem­ana, e os clientes devem man­tê-los em dia — diz Antônio João Fil­ho, dire­tor exec­u­ti­vo da Embra­tel para mer­ca­do finan­ceiro.

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