Como ser mais inclusivo em sua empresa

142957 Stepping Up to Leadership

Como ser mais inclusivo em sua empresa

Muitos ger­entes querem ser mais inclu­sivos. Entre­tan­to, emb­o­ra recon­heçam o val­or da inclusão e da diver­si­dade e acred­item que elas devem ser alme­jadas, não sabem como ser mais inclu­sivos.

Em sua maio­r­ia, gestores não estão equipa­dos comas fer­ra­men­tas ade­quadas para super­ar os desafios impos­tos pelo pre­con­ceito vela­do. Os work­shops em que as empre­sas investem cos­tu­mam ensiná-los a vigiar con­stan­te­mente os pen­sa­men­tos pre­con­ceitu­osos, mas isso deman­da mui­ta ener­gia cog­ni­ti­va, e, com o tem­po, gestores acabam retor­nan­do aos vel­hos hábitos.

Com base no tra­bal­ho real­iza­do no Women’s Lead­er­ship Lab, em Stand­ford, que aju­da empre­sas de diver­sos setores a se tornarem mais diver­si­fi­cadas e inclu­si­vas, nos­sa pesquisa mostraque há duas maneiras sin­ge­las – mas poderosas – das quais gestores podem con­ter o pre­con­ceito: em primeiro lugar, exam­i­nar e ampli­ar suas definições de suces­so; em segun­do, per­gun­tar o que cada pes­soa agre­ga à equipe, o que chamamos de “con­tribuição agre­ga­da”.

O prob­le­ma é que, ao con­tratar, avaliar ou pro­mover fun­cionários, fre­quente­mente anal­isamos as pes­soas com base em nos­sas suposições sobre o que é tal­en­to – nos­so próprio “mod­e­lo de suces­so”. Ess­es mod­e­los favore­cem poten­cial­mente um deter­mi­na­do grupo em detri­men­to de out­ros, mes­mo que os inte­grantes de cada grupo ten­ham a mes­ma prob­a­bil­i­dade de suces­so.

Pense­mos, por exem­p­lo, no proces­so de con­tratação. Ao entre­vis­tar uma can­di­da­ta, podemos per­gun­tar onde ela estu­dou ou qual é sua exper­iên­cia. Acred­i­ta­mos estar cole­tan­do infor­mações real­mente rel­e­vantes que nos aux­il­iarão a decidir com obje­tivi­dade se a pes­soa se é cer­ta para o car­go. Mas, na real­i­dade, é prováv­el que a este­jamos avalian­do com base em nos­so próprio “mod­e­lo”. A can­di­da­ta fre­quen­tou a esco­la “cer­ta”? Sua exper­iên­cia é sim­i­lar à nos­sa? Sua per­son­al­i­dade com­bi­na com a dos out­ros fun­cionários da equipe?

Não há dúvi­da que a maio­r­ia dos gestores aca­ba con­tratan­do pes­soas que se ade­quam ao seu próprio mod­e­lo de suces­so. Essa abor­dagem pode pare­cer uma boa recei­ta para tomar a decisão cer­ta. Afi­nal, essas pes­soas não tra­bal­hari­am mel­hor com o gestor con­tratante e se inte­grari­am mel­hor ao resto da equipe? Talvez.

Todavia, essa abor­dagem pode traz­er um prob­le­ma sério: emb­o­ra dese­je­mos ser inclu­sivos, o próprio mod­e­lo pode, inad­ver­tida­mente, inci­tar o pre­con­ceito ao dar prefer­ên­cia a can­didatos mais tradi­cionais ou a “apos­tas seguras”. Em finanças, por exem­p­lo, isso pode sig­nificar acred­i­tar – sem nen­hu­ma evidên­cia – que ape­nas can­didatos que fiz­er­am MBA em uni­ver­si­dades con­sagradas ten­ham poten­cial de suces­so no tra­bal­ho. Mes­mo que ess­es critérios sejam esta­b­ele­ci­dos de maneira jus­ta para todos os can­didatos, eles podem levar a uma prefer­ên­cia implíci­ta pela con­tratação de home­ns bran­cos. Afi­nal, entre 60% e 70% dos grad­u­a­dos em pro­gra­mas de MBA con­sagra­dos são home­ns – e pouquís­si­mos são negros.

Vejamos out­ro exem­p­lo: em car­gos que exigem com­petên­cia para tra­bal­har em con­tex­tos open-source, nos­so próprio mod­e­lo de suces­so pode nos levar a crer – nova­mente, sem evidên­cia algu­ma – que ape­nas alguém que já faz parte da comu­nidade open-source pode faz­er um bom tra­bal­ho. Con­tu­do, essa definição restri­ta resul­tará na recor­rente escol­ha do mes­mo tipo de can­dida­to. Os que se propõem a faz­er parte da comu­nidade open-source cos­tu­mam tra­bal­har além de seu expe­di­ente remu­ner­a­do, o que aca­ba por excluir quem pres­ta cuida­dos a out­ras pes­soas ou tem out­ras obri­gações fora do tra­bal­ho. Assim, as comu­nidades open-source cos­tu­mam ser com­postas por ape­nas 3% a 5% de mul­heres e uma grande maio­r­ia de home­ns jovens. Fica evi­dente como a recor­rente uti­liza­ção de um mod­e­lo de suces­so pode resul­tar em “mesmice”. E a “mesmice” é um obstácu­lo para o desem­pen­ho e a ino­vação.

Por out­ro lado, diver­si­dade estim­u­la ino­vação. Em décadas de pesquisa, Kather­ine Phillips, pro­fes­so­ra da Uni­ver­si­dade de Colum­bia, con­cluiu diver­sas vezes que, diante do desafio de ino­var, equipes que incluem pes­soas com difer­entes per­fis e que val­orizam a con­tribuição de todos os inte­grantes têm um desem­pen­ho supe­ri­or ao das equipes homogêneas. Segun­do sua pesquisa, as equipes tra­bal­ham com mais empen­ho ao enfrentar difer­enças. Pre­cisam faz­er isso para se comu­nicar e chegar a um con­sen­so com pes­soas que talvez não com­par­til­hem das mes­mas exper­iên­cias ou visão. Dessa for­ma, todos os mem­bros da equipe acabam pen­san­do mais e toman­do decisões mel­hores. De acor­do com Philips, diver­si­dade “nos tor­na mais inteligentes”.

O poder da con­tribuição agre­ga­da

Para con­ter nos­sos pre­con­ceitos vela­dos, pre­cisamos con­tes­tar as suposições por trás do nos­so mod­e­lo de suces­so. Pre­cisamos ques­tionar se os critérios uti­liza­dos para avaliar os can­didatos levarão à con­tratação de profis­sion­ais que agre­garão suces­so à equipe, ou que sim­ples­mente repli­carão o sta­tus quo. Por exem­p­lo, será que um MBA de uma fac­ul­dade de admin­is­tração reno­ma­da é real­mente necessário para que se ten­ha suces­so nes­sa função? Talvez seja, ou talvez este­jamos pri­or­izan­do alguns critérios sem evidên­cias de que são necessários para o suces­so. Pre­cisamos faz­er per­gun­tas que nos aju­dem a deter­mi­nar o que a pes­soa agre­garia ao port­fólio de exper­iên­cias e com­petên­cias da equipe como um todo.

O enfoque na con­tribuição agre­ga­da, um ter­mo que desen­volve­mos em parce­ria com Alex Hugh­es, líder do pro­gra­ma de diver­si­dade da Ama­zon, é uma for­ma poderosa de evi­tar a mesmice em uma equipe e pro­mover inclusão e ino­vação. Quan­do lev­a­mos em con­ta a con­tribuição agre­ga­da dos out­ros, abri­mos as por­tas para pes­soas que talvez não cor­re­spon­dam ao nos­so próprio mod­e­lo de suces­so, que não são “como nós”. Tor­namos a equipe mais diver­sa e mais bem-suce­di­da.

Então como faz­er per­gun­tas que aju­dem a deter­mi­nar a con­tribuição agre­ga­da de alguém? Há qua­tro maneiras:

Esclareça critérios de suces­so ambígu­os. Primeiro, per­gunte: “Quais são min­has ‘prefer­ên­cias’ ocul­tas? ”. Depois, con­fronte-as, ques­tio­nan­do-se sobre quais per­fis, com­petên­cias e exper­iên­cias difer­entes podem, de fato, levar a equipe ao suces­so. Isso pode mel­ho­rar sua habil­i­dade de con­tratar pes­soas que pros­per­arão na sua empre­sa. Em vez de per­gun­tar sobre exper­iên­cias ante­ri­ores com open-source, por exem­p­lo, você pode procu­rar alguém capaz de dis­cu­tir pon­tos impor­tantes de for­ma efe­ti­va e respeitosa em um ambi­ente de debate aber­to.

Foque no val­or que a pes­soa agre­ga à equipe. Per­gunte-se: “Como a per­spec­ti­va dessa pes­soa pode nos aju­dar a ter dis­cussões mais proveitosas e a tomar mel­hores decisões? ” Ou “Essa pes­soa me aju­da a pen­sar fora da caixa? ”. A pro­fes­so­ra Mary Mur­phy, espe­cial­ista em men­tal­i­dade de cresci­men­to no mun­do cor­po­ra­ti­vo, propõe a seguinte per­gun­ta: “O que essa pes­soa pode agre­gar (ou, de fato, agre­ga) ao val­or total (com­posição) da equipe? ” Ao faz­er essas per­gun­tas, haverá maior chance de enx­er­gar além do seu próprio mod­e­lo de suces­so e evi­tar pre­con­ceitos vela­dos que pode­ri­am acom­pan­há-lo.

Analise as fal­has. Per­gunte-se: “Quais com­petên­cias e exper­iên­cias fal­tam ao meu time e essa pes­soa tem? ”. Tome cuida­do para não focar em car­ac­terís­ti­cas uni­di­men­sion­ais. Por exem­p­lo, não esta­beleça que pre­cisa de “uma mul­her para com­ple­tar o time”. A diver­si­dade sem propósi­to cos­tu­ma levar os out­ros a terem ideias neg­a­ti­vas sobre suas decisões – e sobre quem você con­tra­ta ou pro­move. Critérios ain­da são impor­tantes. Em vez dis­so, veja o que as pes­soas podem agre­gar ao port­fólio com­ple­to de per­fis, com­petên­cias e exper­iên­cias da equipe.

Con­sidere a tra­jetória. Per­gunte-se: “O que essa pes­soa apren­deu com suas exper­iên­cias? Ela é capaz de assumir riscos e super­ar difi­cul­dades? ”. Ten­demos a con­sid­er­ar uma pro­moção ráp­i­da como um indi­cador de tal­en­to. Mas esse critério pode faz­er com que você deixe pas­sar o val­or da deter­mi­nação e da per­se­ver­ança. Alguém que assum­iu um risco e não obteve um bom resul­ta­do, por exem­p­lo, pode ter apren­di­do mais do que quem escol­heu o cam­in­ho mais seguro. As lições apren­di­das ao lon­go da car­reira são, com fre­quên­cia, a chave para se desco­brir a con­tribuição agre­ga­da de alguém.

Peque­nas vitórias, grande rec­om­pen­sa

Em 2016, Anton Hane­brink, dire­tor exec­u­ti­vo de estraté­gia e desen­volvi­men­to da Intu­it, assum­iu uma equipe de alto desem­pen­ho con­heci­da por suas con­tribuições para a direção da empre­sa. A abor­dagem históri­ca da equipe na bus­ca por grandes tal­en­tos era sim­ples: procu­rar grad­u­a­dos de uni­ver­si­dades con­sagradas de pro­gra­mas de MBA com exper­iên­cia em empre­sas de con­sul­to­ria de gestão impor­tantes ou em ban­cos de inves­ti­men­to. Enquan­to sim­pli­fi­cavam o proces­so de seleção, ess­es fil­tros tam­bém lev­avam a uma per­cepção de mun­do rel­a­ti­va­mente homogênea.

Em bus­ca de mel­hor desem­pen­ho, ele incen­tivou sua equipe a ampli­ar seu con­ceito de grandes tal­en­tos. A con­quista para Anton e sua equipe deu-se quan­do real­izamos para a empre­sa um even­to sobre pre­con­ceitos vela­dos nos critérios, como lim­i­tar-se a con­tratar ape­nas pes­soas de uni­ver­si­dades con­sagradas. O CFO da empre­sa pediu à plateia de líderes finan­ceiros muito bem-suce­di­dos que lev­an­tassem a mão caso tivessem estu­da­do em uma uni­ver­si­dade reno­ma­da. Quase ninguém levan­tou a mão.

Aprovei­tan­do o momen­to, Anton incen­tivou sua equipe a anal­is­ar esse critério históri­co com mais cuida­do. A equipe desco­briu que aque­le não era um indica­ti­vo efi­caz do desem­pen­ho de alguém na empre­sa. Era ape­nas uma prefer­ên­cia ocul­ta. Na real­i­dade, muitas das pes­soas com mel­hor desem­pen­ho na Intu­it, incluin­do o CEO e o CFO, não tin­ham um diplo­ma de uma uni­ver­si­dade reno­ma­da.

Estim­u­la­da por Anton, a equipe tra­bal­hou em con­jun­to para definir as com­petên­cias, exper­iên­cias e per­fis, de fato, necessários para o suces­so do time. Como con­tribuições-chave de um novo exec­u­ti­vo que entraria no time, eles iden­ti­ficaram com­petên­cias para resolver prob­le­mas com­pli­ca­dos, estim­u­lar mudanças nos níveis hierárquicos ele­va­dos e desen­volver efe­ti­va­mente mem­bros da equipe. Nen­hu­ma dessas habil­i­dades seria garan­ti­da por um diplo­ma obti­do décadas atrás.

Após recon­sid­er­ar seu próprio mod­e­lo de suces­so, a abor­dagem de con­tratação da equipe mudou muito. Eles aper­feiçoaram espe­cial­mente o modo como entre­vis­tavam can­didatos, inteiran­do-os de maneira mais bem-pen­sa­da e pro­fun­da nas com­petên­cias essen­ci­ais para o car­go, difer­ente­mente do que fazi­am no pas­sa­do. Eles até deixaram de olhar os nomes de uni­ver­si­dades onde os can­didatos havi­am estu­da­do e das empre­sas onde já havi­am tra­bal­ha­do.

Como resul­ta­do, a equipe con­tra­tou grandes tal­en­tos cujos históri­cos diver­si­fi­ca­dos con­tribuíram para o port­fólio de com­petên­cias. A equipe de Anton tam­bém con­quis­tou mais diver­si­dade de raça e gênero. Ao redefinir o suces­so, uma maior diver­si­dade de pes­soas pôde ser recon­heci­da por sua capaci­dade de lid­er­ança. A var­iedade de tal­en­tos lev­ou a um debate mais rig­oroso sobre ideias e pos­si­bil­i­tou à equipe nave­g­ar por novas opor­tu­nidades de negó­cios e iden­ti­ficar impor­tantes insights estratégi­cos que teri­am pas­sa­do des­perce­bidos caso a anti­ga abor­dagem de recru­ta­men­to de tal­en­tos tivesse sido man­ti­da.

É esse o poder de refle­tir sobre nos­sas suposições e con­sid­er­ar a con­tribuição agre­ga­da das pes­soas. São peque­nas mudanças da nos­sa parte, mas a rec­om­pen­sa é grande.

Por Lori Macken­zie e Shel­ley Cor­rell 

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