Como produtos inteligentes e conectados estão transformando as empresas

Como produtos inteligentes e conectados estão transformando as empresas

A evolução de pro­du­tos em dis­pos­i­tivos inteligentes e conec­ta­dos — que estão cada vez mais incor­po­ra­dos em sis­temas maiores — está refor­mu­lan­do rad­i­cal­mente as empre­sas e a com­petição.
Ter­mostatos inteligentes con­tro­lam uma série cada vez maior de dis­pos­i­tivos domés­ti­cos, retrans­mitin­do dados de uti­liza­ção ao fab­ri­cante. Máquinas indus­tri­ais inteligentes conec­tadas em rede coor­de­nam e otimizam auto­mati­ca­mente o tra­bal­ho. Car­ros envi­am dados sobre fun­ciona­men­to, local­iza­ção e ambi­ente aos fab­ri­cantes e recebem atu­al­iza­ções de soft­ware que mel­ho­ram o desem­pen­ho ou iden­ti­fi­cam prob­le­mas antes que ocor­ram. Os pro­du­tos con­tin­u­am a evoluir muito depois de entrarem em oper­ação. O rela­ciona­men­to das empre­sas com seus pro­du­tos — e clientes — está se tor­nan­do con­tín­uo e com duração inde­ter­mi­na­da.

Num arti­go ante­ri­or da HBR Brasil, “Como pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos estão trans­for­man­do a com­petição” (novem­bro de 2014), exam­i­namos as impli­cações exter­nas à empre­sa, anal­isan­do em detal­h­es como pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos afe­tam a con­cor­rên­cia, a estru­tu­ra da indús­tria, fron­teiras do setor e estraté­gias (ver quadro “Impli­cações na estraté­gia”). Neste arti­go explo­ramos as impli­cações inter­nas: como a natureza de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos muda sub­stan­cial­mente o tra­bal­ho de prati­ca­mente todas as funções numa empre­sa de man­u­fatu­ra. Funções cen­trais — desen­volvi­men­to do pro­du­to, TI, pro­dução, logís­ti­ca, mar­ket­ing, ven­das e serviços pós-ven­das — estão sendo redefinidas e a coor­de­nação entre elas é cada vez mais inten­sa. Funções com­ple­ta­mente novas estão surgin­do, incluin­do as des­ti­nadas a tratar a assus­ta­do­ra quan­ti­dade de dados atual­mente disponív­el. Tudo isso tem grandes impli­cações na estru­tu­ra orga­ni­za­cional clás­si­ca da man­u­fatu­ra. O que está ocor­ren­do talvez seja a mudança mais sig­ni­fica­ti­va no setor des­de a segun­da Rev­olução Indus­tri­al, há mais de um sécu­lo.
Novas capaci­dades dos pro­du­tos
Para com­preen­der per­feita­mente como pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos estão mudan­do a for­ma como as empre­sas tra­bal­ham, antes pre­cisamos enten­der seus com­po­nentes iner­entes, tec­nolo­gia e capaci­dades — temas anal­isa­dos em nos­so arti­go ante­ri­or. Reca­pit­u­lan­do:
Todos os pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, des­de util­i­dades domés­ti­cas até equipa­men­tos indus­tri­ais, têm em comum três ele­men­tos cen­trais: com­po­nentes físi­cos (partes mecâni­cas e elétri­c­as), com­po­nentes inteligentes (sen­sores, micro­proces­sadores, armazena­men­to de dados, con­troles, soft­wares, sis­tema opera­cional embu­ti­do e inter­face dig­i­tal do usuário) e com­po­nentes de conec­tivi­dade (conec­tor de cabos, ante­nas, pro­to­co­los e redes que per­mitem comu­ni­cação entre o pro­du­to e a nuvem, que rodam em servi­dores remo­tos e con­têm o sis­tema opera­cional exter­no do pro­du­to).
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Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos requerem uma infraestru­tu­ra com­ple­ta de suporte tec­nológi­co total­mente nova. Essa “pil­ha de tec­nolo­gia” fornece uma por­ta de entra­da para dados entre o pro­du­to e o usuário e reúne dados dos sis­temas da empre­sa, recur­sos exter­nos e out­ros pro­du­tos rela­ciona­dos. A pil­ha de tec­nolo­gia tam­bém fun­ciona como platafor­ma para armazena­men­to de dados e méto­dos de análise, exe­cu­ta aplica­tivos e pro­tege o aces­so aos pro­du­tos e o fluxo de dados trans­mi­ti­do e rece­bido (ver quadro “A nova pil­ha de tec­nolo­gia”).

Essa infraestru­tu­ra abre as por­tas para novas apli­cações incríveis de pro­du­tos. Primeiro, os pro­du­tos podem mon­i­torar e relatar suas próprias condições e ambi­ente, aju­dan­do a ger­ar insights, até então indisponíveis, sobre desem­pen­ho e uti­liza­ção. Segun­do, o fun­ciona­men­to de pro­du­tos com­plex­os pode ser con­tro­la­do pelo usuário, por meio de inúmeras opções de aces­so remo­to. Isso fornece aos usuários uma pos­si­bil­i­dade sem prece­dentes de cus­tomizar unção, desem­pen­ho e inter­face dos pro­du­tos e de operá-los em ambi­entes perigosos ou pouco acessíveis.

Ter­ceiro, a com­bi­nação entre capaci­dade de mon­i­tora­men­to de dados e con­t­role remo­to cria novas opor­tu­nidades de otimiza­ção. Algo­rit­mos podem mel­ho­rar sig­ni­fica­ti­va­mente o desem­pen­ho, uti­liza­ção e vida útil do pro­du­to e a maneira como os pro­du­tos se com­bi­nam com out­ros em sis­temas mais com­plex­os, como edifí­cios e fazen­das inteligentes. Quar­to, a com­bi­nação entre mon­i­tora­men­to de dados, con­t­role remo­to e otimiza­ção de algo­rit­mos resul­ta em autono­mia. Os pro­du­tos são capazes de apren­der, adap­tar-se ao ambi­ente e às prefer­ên­cias do usuário, exe­cu­tar automanutenção e fun­cionar por con­ta própria.
Refor­mu­lan­do a indús­tria man­u­fa­tureira
Des­de que são pro­je­ta­dos até serem disponi­bi­liza­dos aos con­sum­i­dores, os pro­du­tos per­cor­rem uma lin­ha de pro­dução que englo­ba uma enorme var­iedade de ativi­dades desem­pen­hadas por um con­jun­to padrão de unidades fun­cionais: pesquisa e desen­volvi­men­to (ou engen­haria), TI, pro­dução, logís­ti­ca, mar­ket­ing, ven­das, serviço pós-ven­da, recur­sos humanos, com­pras e finanças.
As novas pos­si­bil­i­dades ofer­e­ci­das por pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos alter­am todas as ativi­dades da cadeia de val­or. Mas os dados ocu­pam o cen­tro dessa nova cadeia de val­or.
>NOVAS FONTES DE DADOS. Antes de os pro­du­tos se tornarem inteligentes e conec­ta­dos, os dados eram basi­ca­mente ger­a­dos por oper­ações inter­nas e por meio de transações ao lon­go da cadeia de val­or — proces­sa­men­to de pedi­dos, inter­ações com fornece­dores, inter­ações de ven­das, vis­i­tas de assistên­cia ao cliente, e assim por diante. As empre­sas com­ple­men­tavam ess­es dados com infor­mação obti­da em lev­an­ta­men­tos de dados, pesquisas e fontes exter­nas. Com­bi­nan­do os dados, empre­sas podi­am apren­der um pouco mais sobre aspec­tos de clientes, deman­da e cus­tos — mas muito menos sobre a fun­cional­i­dade dos pro­du­tos. A respon­s­abil­i­dade de definir e anal­is­ar dados ten­dia a ser descen­tral­iza­da e ensi­la­da. Emb­o­ra as funções par­til­has­sem infor­mações (dados de ven­das, por exem­p­lo, eram usa­dos para admin­is­trar esto­ques de peças de reposição), o com­par­til­hamen­to era lim­i­ta­do e esporádi­co.

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Atual­mente, pela primeira vez, o próprio pro­du­to se trans­for­mou numa nova fonte que está com­ple­men­tan­do fontes tradi­cionais de dados. Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos podem ger­ar dados sem prece­dentes, em var­iedade e vol­ume e em tem­po real. Atual­mente, os dados são tão impor­tantes quan­to pes­soas, tec­nolo­gia e cap­i­tal. São patrimônio cen­tral da cor­po­ração e em muitos negó­cios talvez este­jam se tor­nan­do um bem inques­tionáv­el. Esse val­or aumen­ta expo­nen­cial­mente quan­do inte­gra­do a out­ros dados.

Os novos dados sobre pro­du­tos con­têm um val­or intrínseco, emb­o­ra esse val­or aumente expo­nen­cial­mente quan­do inte­gra­do a out­ros dados como históri­cos de atendi­men­to, pon­tos de estoque, preços de com­modi­ties e padrões de tráfego. No caso de pro­priedades rurais, dados de sen­sores de umi­dade podem ser com­bi­na­dos com pre­visões mete­o­rológ­i­cas para otimizar equipa­men­tos de irri­gação e reduzir o con­sumo de água. Em fro­tas de veícu­los, a infor­mação sobre manutenção pen­dente de cada car­ro ou cam­in­hão e sobre sua local­iza­ção per­mite que os depar­ta­men­tos de manutenção orga­nizem peças, agen­dem manutenção e aumentem a efi­ciên­cia de con­ser­tos. Dados sobre sta­tus de garan­tia tor­nam-se mais valiosos quan­do com­bi­na­dos com dados sobre uti­liza­ção e desem­pen­ho dos pro­du­tos. Se um pro­du­to é uti­liza­do em regime con­tín­uo, poderá apre­sen­tar um defeito den­tro do perío­do de garan­tia e, então, uma manutenção pre­ven­ti­va poderá evi­tar gas­tos com con­ser­tos onerosos mais tarde.

FERRAMENTAS ANALÍTICAS. Ao mes­mo tem­po que a capaci­dade de extrair o máx­i­mo de val­or pos­sív­el dos dados tor­na-se uma fonte-chave de van­tagem com­pet­i­ti­va, a gestão, a gov­er­nança, os proces­sos analíti­cos e a segu­rança de dados estão se tor­nan­do uma nova e grande função dos negó­cios.

Se as empre­sas dis­põem de dados de sen­sores indi­vid­u­ais, geral­mente con­seguem insights poderosos iden­ti­f­i­can­do, ao lon­go do tem­po, padrões em mil­hares de dados de vários pro­du­tos. Infor­mação de diver­sos sen­sores indi­vid­u­ais, como tem­per­atu­ra do motor do car­ro, posição do acel­er­ador e con­sumo de com­bustív­el, pode rev­e­lar se o desem­pen­ho do veícu­lo está de acor­do com as especi­fi­cações téc­ni­cas do fab­ri­cante. Pode ser útil rela­cionar con­jun­tos de dados com a ocor­rên­cia de prob­le­mas, pois mes­mo quan­do a ver­dadeira causa é difí­cil de desco­brir, ess­es padrões podem ser acom­pan­hados. Dados de sen­sores que medem tem­per­atu­ra e vibração, por exem­p­lo, podem iden­ti­ficar um prob­le­ma grave imi­nente com dias ou sem­anas de ante­cedên­cia. Detec­tar ess­es insights é exata­mente a função dos méto­dos de análise de grandes dados que com­bi­nam matemáti­ca, ciên­cias da com­putação e téc­ni­cas de análise de negó­cios.

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Méto­dos analíti­cos de grandes dados uti­lizam uma série de novas téc­ni­cas para anal­is­ar ess­es padrões. Um desafio é que geral­mente os dados de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos e os dados rela­ciona­dos exter­nos e inter­nos não são padroniza­dos. Eles podem ser cole­ta­dos numa grande var­iedade de for­matos, como leitu­ra de sen­sores, local­iza­ções, tem­per­at­uras, históri­cos de ven­das e garan­tias. Abor­da­gens con­ven­cionais para agre­gação e análise de dados como planil­has e tabelas de ban­co de dados são inad­e­quadas para admin­is­trar uma grande var­iedade de for­matos. A solução que está surgin­do é a for­mação de um “lago de dados”, um reser­vatório no qual difer­entes fontes de dados podem ser armazenadas em seus for­matos orig­i­nais. Nes­sas condições os dados são anal­isa­dos por meio de uma série de novas fer­ra­men­tas analíti­cas. Essas fer­ra­men­tas se dis­tribuem em qua­tro cat­e­go­rias: des­criti­va, diag­nós­ti­ca, pred­i­ti­va e pre­s­criti­va
(para mais detal­h­es, ver quadro “Crian­do novos val­ores com dados”).

Para enten­der mel­hor a rica quan­ti­dade de dados ger­a­dos por pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, as empre­sas tam­bém estão começan­do a disponi­bi­lizar uma fer­ra­men­ta chama­da “gêmeo dig­i­tal”. Orig­i­nal­mente con­ce­bido pela Agên­cia de Pro­je­tos de Pesquisa Avança­da de Defe­sa dos Esta­dos Unidos (Darpa, na sigla em inglês), um gêmeo dig­i­tal con­siste numa répli­ca em real­i­dade vir­tu­al 3‑D de um pro­du­to físi­co. Ali­men­ta­do pelo fluxo de dados, o gêmeo vai evoluin­do para mostrar como o pro­du­to físi­co foi alter­ado, como está sendo usa­do e a que condições ambi­en­tais foi expos­to. Como um avatar do pro­du­to real, o gêmeo dig­i­tal per­mite que a com­pan­hia visu­al­ize o sta­tus e as condições de um pro­du­to que pode estar a mil­hares de quilômet­ros de dis­tân­cia. Gêmeos dig­i­tais tam­bém podem fornecer novos insights sobre como aper­feiçoar pro­je­tos, pro­dução, opera­cional­i­dade e manutenção.

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Trans­for­man­do a cadeia de val­or
Os poderosos novos dados disponíveis, jun­ta­mente com novas con­fig­u­rações e capaci­dades de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, estão reestru­tu­ran­do funções tradi­cionais de negó­cios — muitas vezes rad­i­cal­mente. Essa trans­for­mação começou com o desen­volvi­men­to do pro­du­to, mas está se difundin­do por toda a cadeia de val­or. À medi­da que se espal­ha, fron­teiras fun­cionais estão mudan­do e novas funções estão sendo cri­adas.

DESENVOLVIMENTO DO PRODUTO. Para cri­ar pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos é pre­ciso repen­sar com­ple­ta­mente o pro­je­to. O desen­volvi­men­to do pro­du­to está mudan­do, basi­ca­mente de uma engen­haria alta­mente mecâni­ca para um ver­dadeiro sis­tema de engen­haria inter­dis­ci­pli­nar. Os pro­du­tos tornaram-se sis­temas com­plex­os que con­têm soft­wares e podem ter muitos out­ros soft­wares na nuvem. Por isso, equipes de design­ers de pro­du­tos não são mais for­madas prin­ci­pal­mente por engen­heiros mecâni­cos, mas por engen­heiros de soft­ware. E empre­sas como GE, Air­bus e Dana­her estão abrindo escritórios em locais que fun­cionam como cen­tros de dis­tribuição de engen­haria de soft­ware, como Boston e o Vale do Silí­cio.

Os princí­pios de design de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos tam­bém pre­cisam ser com­ple­ta­mente difer­entes dos mod­e­los tradi­cionais.

Vari­abil­i­dade de baixo cus­to. Nos pro­du­tos con­ven­cionais, a vari­abil­i­dade tem um alto cus­to, porque envolve grande difer­en­ci­ação de partes físi­cas. Mas o soft­ware de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos reduz o cus­to da vari­abil­i­dade. A John Deere, por exem­p­lo, pro­duz difer­entes ver­sões de motores, cada um com uma potên­cia difer­ente. Atual­mente a empre­sa con­segue alter­ar a potên­cia de um motor padrão usan­do ape­nas soft­wares. De for­ma análo­ga, inter­faces dig­i­tais do usuário podem sub­sti­tuir cur­sores e botões, tor­nan­do mais fácil e menos dis­pendiosa a mod­i­fi­cação de um pro­du­to, como, por exem­p­lo, alter­ar as opções de con­t­role. Aten­der às neces­si­dades do cliente em ter­mos de vari­abil­i­dade usan­do soft­wares, e não hard­ware, é uma nova exigên­cia críti­ca do pro­je­to de pro­du­tos.

A vari­abil­i­dade é impor­tante, não só para alguns seg­men­tos de clientes, mas tam­bém para geografias. Soft­wares tam­bém facili­tam a ade­quação de pro­du­tos em difer­entes país­es e idiomas. No entan­to, reg­u­la­men­tações locais necessárias para a padroniza­ção de dados, como as que dizem respeito à trans­mis­são de dados por fron­teiras nacionais, requerem dupli­ci­dade de infraestru­tu­ra de armazena­men­to de dados ou de aplica­tivos. Essas regras estão intro­duzin­do novas difer­enças region­ais e transna­cionais, às vezes até por razões políti­cas.

Design atraente. No mod­e­lo anti­go, os pro­du­tos eram pro­je­ta­dos em ger­ações disc­re­tas. Um novo pro­du­to incor­po­ra­va um con­jun­to com­ple­to de mel­ho­rias dese­jadas e o pro­je­to era então man­ti­do fixo até a ger­ação seguinte. Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, no entan­to, podem ser con­tin­u­a­mente apri­mora­dos via soft­ware, geral­mente de for­ma remo­ta. Os pro­du­tos tam­bém podem ser min­u­ciosa­mente ajus­ta­dos para aten­der a novas exigên­cias do cliente ou para resolver prob­le­mas de desem­pen­ho. Nas máquinas indus­tri­ais da ABB Robot­ics, por exem­p­lo, o desem­pen­ho é mon­i­tora­do e ajus­ta­do remo­ta­mente pelo usuário final durante o fun­ciona­men­to do pro­du­to. As empre­sas podem lançar novas car­ac­terís­ti­cas como proces­sos em desen­volvi­men­to, que per­manecem con­tin­u­a­mente inacaba­dos. Recen­te­mente, a Tes­la intro­duz­iu um sis­tema de “autopi­lotagem” em seus car­ros, mas com a intenção de mel­ho­rar a capaci­dade dos sis­temas ao lon­go do tem­po por meio de atu­al­iza­ções remo­tas do soft­ware.

Novas inter­faces do usuário e real­i­dade aumen­ta­da. A inter­face dig­i­tal do usuário de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos pode ser insta­l­a­da em tablets ou smart­phones por meio de aplica­tivos que per­mitem oper­ação remo­ta e até elim­i­nam a neces­si­dade de con­troles no próprio pro­du­to. Como foi obser­va­do, essas inter­faces são mais baratas de imple­men­tar e mais fáceis de alter­ar que os con­troles físi­cos e per­mitem maior mobil­i­dade dos oper­adores.

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Alguns pro­du­tos começaram incor­po­ran­do uma nova tec­nolo­gia poderosa de inter­face chama­da “real­i­dade aumen­ta­da”. Com um smart­phone ou tablet ori­en­ta­do para o pro­du­to, ou por meio de ócu­los inteligentes, aplica­tivos de real­i­dade aumen­ta­da explo­ram a nuvem do pro­du­to e ger­am uma estrat­i­fi­cação dig­i­tal do pro­du­to. Essa estrat­i­fi­cação con­tém infor­mação de mon­i­tora­men­to, oper­ação e manutenção que tor­na o suporte ou manutenção do pro­du­to mais efi­ciente. A con­strução dessas poderosas inter­faces dig­i­tais é out­ra nova exigên­cia críti­ca do design do pro­du­to.

Gestão con­tínua da qual­i­dade. Testes para replicar as condições de uso já fazem parte do desen­volvi­men­to do pro­du­to. O obje­ti­vo é garan­tir que novos pro­du­tos cumpram suas especi­fi­cações e min­i­mizar recla­mações den­tro do pra­zo de garan­tia. Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos tam­bém pro­movem grandes avanços na gestão da qual­i­dade, facil­i­tan­do o mon­i­tora­men­to con­tín­uo de dados de desem­pen­ho do mun­do real, per­mitin­do que as empre­sas iden­ti­fiquem e solu­cionem prob­le­mas de pro­je­to não detec­ta­dos nos testes. Em 2013, por exem­p­lo, as bate­rias de dois car­ros mod­e­lo S da Tes­la foram per­furadas e pegaram fogo depois de os motoris­tas terem atingi­do obje­tos metáli­cos na estra­da. As condições da rodovia e a veloci­dade que levaram à per­furação não tin­ham sido sim­u­ladas nos testes, mas a Tes­la con­seguiu recon­struí-las. A empre­sa então envi­ou uma atu­al­iza­ção do soft­ware para todos os veícu­los que ele­varia a sus­pen­são nes­sas condições, reduzin­do sig­ni­fica­ti­va­mente as chances de futuras per­furações.

Serviços conec­ta­dos. O pro­je­to de pro­du­tos atual­mente pre­cisa incor­po­rar instru­men­tação e capaci­dade de cole­ta de dados adi­cionais e soft­wares de diag­nós­ti­co de com­po­nentes que mon­i­toram a saúde e desem­pen­ho do pro­du­to e que aler­tam o pes­soal de serviços sobre avarias. E, à medi­da que a fun­cional­i­dade do soft­ware aumen­ta, novos pro­je­tos de pro­du­tos podem incluir mais serviços remo­tos.

Suporte para novos mod­e­los de negó­cios. Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos per­mi­ti­ram que as com­pan­hias sub­sti­tuíssem os mod­e­los de ven­da transa­cional por mod­e­los pro­du­to-como-serviço. No entan­to, essa mudança tem impli­cações no design do pro­du­to. Quan­do um pro­du­to é lança­do como um serviço, a respon­s­abil­i­dade pelo cus­to decor­rente da manutenção per­manece com o fab­ri­cante, e isso pode alter­ar vários parâmet­ros do design. Isso ocorre prin­ci­pal­mente quan­do vários clientes par­til­ham o pro­du­to, como no caso da Smoove — um serviço de com­par­til­hamen­to de bici­cle­tas na França. A Smoove pro­je­tou bici­cle­tas inteligentes e conec­tadas com câm­bio sem cor­rente, pneus à pro­va de furo e um sis­tema anti­van­dal­is­mo para mel­ho­rar a dura­bil­i­dade e evi­tar fur­tos.

Pro­du­tos lança­dos como serviços tam­bém pre­cisam cole­tar dados sobre uti­liza­ção para que clientes pos­sam ser ade­quada­mente cobra­dos. Isso requer uma ideia clara sobre tipo e local­iza­ção dos sensores,dados a ser cole­ta­dos e fre­quên­cia com que serão anal­isa­dos. Quan­do decid­iu mudar sua condição de vende­do­ra de copi­ado­ras para empre­sa cobrado­ra pelos doc­u­men­tos que copi­a­va, a Xerox intro­duz­iu sen­sores no tam­bor do fotor­recep­tor para cobrar o val­or exa­to do cliente e facil­i­tar a ven­da de con­sumíveis como papel e ton­er.

Inter­op­er­abil­i­dade de sis­temas. Quan­do pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos são com­po­nentes de sis­temas maiores, as opor­tu­nidades de otimiza­ção do pro­je­to se mul­ti­pli­cam. O code­sign per­mite que empre­sas desen­volvam e apri­morem hard­ware e soft­ware simul­tane­a­mente, por meio de uma série de pro­du­tos, incluin­do os de out­ras empre­sas. Veja o caso do ter­mosta­to inteligente da Nest Lab. Ele foi pro­je­ta­do como uma inter­face de aplica­ti­vo pro­gramáv­el que per­mite tro­ca de infor­mação com out­ros pro­du­tos, como as fechaduras inteligentes da Kevo. Quan­do o pro­pri­etário entra em casa, a fechadu­ra Kevo trans­mite essa infor­mação ao ter­mosta­to Nest, que então ajus­ta a tem­per­atu­ra de acor­do com a prefer­ên­cia do usuário.

MANUFATURA. Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos cri­am novas neces­si­dades e opor­tu­nidades de pro­dução. Eles podem até ser mon­ta­dos no local indi­ca­do pelo cliente, onde o últi­mo pas­so é car­regar e con­fig­u­rar o soft­ware. Mas o que ain­da é mais rad­i­cal é que a man­u­fatu­ra vai além da pro­dução do obje­to físi­co, porque para um pro­du­to inteligente e conec­ta­do fun­cionar ele depende de um sis­tema basea­do na nuvem que deve per­du­rar durante todo o ciclo de vida do pro­du­to.

Fábri­c­as inteligentes. As novas capaci­dades de máquinas inteligentes e conec­tadas estão refor­mu­lan­do as oper­ações da própria indús­tria de man­u­fatu­ra, onde máquinas são cada vez mais conec­tadas for­man­do sis­temas. Em novas ini­cia­ti­vas como a Indus­trie 4.0 (na Ale­man­ha) e a Smart Man­u­fac­tur­ing (nos Esta­dos Unidos), máquinas conec­tadas em redes autom­a­ti­zam e otimizam com­ple­ta­mente a pro­dução. Uma máquina de pro­dução, por exem­p­lo, pode detec­tar um mau fun­ciona­men­to poten­cial­mente perigoso, desli­gar out­ros equipa­men­tos que pos­sam ser dan­i­fi­ca­dos e ori­en­tar a equipe de manutenção para o prob­le­ma. A ini­cia­ti­va Bril­liant Fac­to­ries da GE uti­liza sen­sores (adap­ta­dos a mod­e­los mais anti­gos de equipa­men­tos ou pro­je­ta­dos em novos equipa­men­tos) para encam­in­har a infor­mação para um lago de dados, onde ela é anal­isa­da e fornece insights para reduzir perío­dos ociosos e mel­ho­rar a efi­ciên­cia. Em cer­ta fábri­ca, essa abor­dagem dobrou a pro­dução de unidades sem defeito.

Com­po­nentes sim­pli­fi­ca­dos. Quan­do a fun­cional­i­dade muda de partes mecâni­cas para soft­ware, a com­plex­i­dade físi­ca dos pro­du­tos geral­mente diminui. Essa mudança elim­i­na com­po­nentes físi­cos e reduz os pas­sos de pro­dução necessários para criá-los e mon­tá-los. A With­ings, por exem­p­lo, trans­for­mou seu mon­i­tor de pressão san­guínea num bracelete com sen­sor, sub­sti­tuin­do o dis­play por um aplica­ti­vo que mon­i­to­ra a pressão san­guínea e envia atu­al­iza­ções dire­ta­mente aos médi­cos. Da mes­ma for­ma, fab­ri­cantes de aeron­aves, automóveis e bar­cos estão uti­lizan­do cock­pits de vidro, em que uma úni­ca tela exibe inúmeros medi­dores con­fig­uráveis. No entan­to, à medi­da que a com­plex­i­dade físi­ca dos pro­du­tos diminui, a quan­ti­dade de sen­sores e soft­wares aumen­ta, intro­duzin­do novos com­po­nentes e novas com­plex­i­dades.

Recon­fig­u­ração de proces­sos de mon­tagem. A evolução da man­u­fatu­ra segue na direção de platafor­mas padronizadas, com cus­tomiza­ção de pro­du­tos indi­vid­u­ais, cada vez mais tar­dia, no proces­so de mon­tagem. Essa abor­dagem gan­ha econo­mia de escala e reduz esto­ques. Soft­wares no pro­du­to ou na nuvem podem ser car­rega­dos ou con­fig­u­ra­dos muito depois de o pro­du­to sair da fábri­ca, pela assistên­cia téc­ni­ca móv­el ou até pelo cliente. Novos aplica­tivos podem ser adi­ciona­dos ou dig­i­ta­dos em tecla­dos touch­screen con­fig­u­ra­dos para difer­entes idiomas. Alter­ações no design de pro­du­tos podem ser incor­po­radas até o últi­mo min­u­to, mes­mo depois da entre­ga.

Fun­ciona­men­to con­tín­uo do pro­du­to. Até há pouco tem­po a fab­ri­cação con­sis­tia num proces­so dis­cre­to que só ter­mi­na­va quan­do o pro­du­to era expe­di­do. Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, no entan­to, não fun­cionam sem a pil­ha de tec­nolo­gia basea­da na nuvem. Na ver­dade, a pil­ha de tec­nolo­gia con­sti­tui um com­po­nente do pro­du­to — que o fab­ri­cante pre­cisa oper­ar e mel­ho­rar durante todo o ciclo de vida do pro­du­to. Nesse sen­ti­do, a man­u­fatu­ra tornou-se um proces­so per­ma­nente.

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LOGÍSTICA. Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos têm suas raízes na logís­ti­ca — setor da man­u­fatu­ra que envolve o movi­men­to de inputs e out­puts de pro­dução e a entre­ga de pro­du­tos. Com­er­cial­iza­da nos anos 1990, a iden­ti­fi­cação por radiofre­quên­cia, ou eti­que­tas RFID, mel­horou sen­sivel­mente o ras­trea­men­to de car­gas. Na ver­dade, o ter­mo “inter­net das coisas” foi cun­hado pelo fun­dador do Cen­tro de Autoiden­ti­fi­cação do MIT, que se espe­cial­i­zou na pesquisa de RFID. Os pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos atu­ais se encar­regam do ras­trea­men­to num pata­mar com­ple­ta­mente novo. Atual­mente ele é inin­ter­rup­to, onde o pro­du­to estiv­er, sem neces­si­dade de escân­er, e fornece infor­mação detal­ha­da não só de sua local­iza­ção atu­al, mas tam­bém do históri­co de local­iza­ção, das condições (tem­per­atu­ra, exposição a ten­sões, etc.) e do ambi­ente que o cer­ca.

Acred­i­ta­mos que pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos acabarão crian­do uma ger­ação com­ple­ta­mente nova de logís­ti­ca. A admin­is­tração de grandes fro­tas remo­tas de veícu­los, por exem­p­lo, está se trans­for­man­do graças ao mon­i­tora­men­to remo­to da posição e função de cada veícu­lo, obser­vação do tráfego local e pre­visão do tem­po e fornec­i­men­to de crono­gra­ma de entre­ga otimiza­do aos motoris­tas. E drones autom­a­ti­za­dos capazes de lib­er­ar car­gas dire­ta­mente na por­ta do cliente — que estão sendo tes­ta­dos pela Ama­zon, Google e DHL — poderão rev­olu­cionar o proces­so de entre­ga de vários pro­du­tos.

MARKETING E VENDAS. A pos­si­bil­i­dade de per­manecer conec­ta­do ao pro­du­to e ras­trear como ele está sendo usa­do muda com­ple­ta­mente o foco do rela­ciona­men­to com clientes da empre­sa, des­de ven­das — uma úni­ca transação, na maio­r­ia das vezes — até a max­i­miza­ção do val­or do pro­du­to para o con­sum­i­dor ao lon­go do tem­po. Isso rep­re­sen­ta novas neces­si­dades e opor­tu­nidades impor­tantes para mar­ket­ing e ven­das.

Novas for­mas de seg­men­tar e cus­tomizar. Os dados de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos fornecem um quadro muito mais claro sobre a uti­liza­ção de pro­du­tos, mostran­do, por exem­p­lo, quais car­ac­terís­ti­cas os clientes pref­er­em ou quais deixaram de usar. Ao com­parar padrões de uti­liza­ção, as empre­sas podem realizar uma seg­men­tação muito mais estrat­i­fi­ca­da do cliente — por setor, geografia, unidade orga­ni­za­cional e até atrib­u­tos mais genéri­cos. Profis­sion­ais de mar­ket­ing podem aplicar esse con­hec­i­men­to mais pro­fun­do para mod­e­lar ofer­tas espe­ci­ais ou pacotes de serviço pós-ven­da, cri­ar difer­en­ci­adores para deter­mi­na­dos seg­men­tos e desen­volver estraté­gias de preço mais sofisti­cadas que mel­hor com­pat­i­bi­lizem preço e val­or para o seg­men­to ou até para um cliente indi­vid­ual.

Novos rela­ciona­men­tos com clientes. À medi­da que o foco é desvi­a­do para fornecer val­or con­tín­uo ao cliente, o pro­du­to pas­sa a ser um meio para entre­gar esse val­or, e não mais um fim. E como o fab­ri­cante per­manece conec­ta­do com os clientes via pro­du­to, ele dis­põe de uma nova base para man­ter um diál­o­go dire­to e con­stante com eles. Empre­sas estão começan­do a enx­er­gar o pro­du­to como uma janela para as neces­si­dades e sat­is­fação dos clientes, em vez de depen­der deles para desco­brir suas neces­si­dades e desem­pen­ho do pro­du­to.

A All Traf­fic Solu­tions, por exem­p­lo, pro­duz pla­cas inteligentes e conec­tadas de sinal­iza­ção para rodovias. Essas pla­cas medem veloci­dade e vol­ume de tráfego, per­mitem avança­da min­er­ação de dados a par­tir de padrões de tráfego e aju­dam no poli­ci­a­men­to, fis­cal­iza­ção, mon­i­tora­men­to remo­to e admin­is­tração do trân­si­to nas rodovias. O rela­ciona­men­to da empre­sa com clientes pas­sou da ven­da de pla­cas de sinal­iza­ção para ven­da de serviços de lon­go pra­zo que mel­ho­ram a segu­rança e reduzem a inter­venção poli­cial. A sinal­iza­ção con­s­ta sim­ples­mente de dis­pos­i­tivos que cus­tomizam e disponi­bi­lizam serviços de geren­ci­a­men­to de tráfego.

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Novos mod­e­los de negó­cios. Con­hecer de for­ma trans­par­ente como clientes uti­lizam pro­du­tos per­mite às empre­sas desen­volver mod­e­los de negó­cios com­ple­ta­mente novos. Veja o caso do mod­e­lo pio­neiro da Rolls Royce “potên­cia por hora de voo”, no qual as empre­sas aéreas pagam pelo tem­po que as turbinas dos aviões a jato são usadas, e não um preço fixo mais os encar­gos de manutenção e con­ser­tos. Atual­mente muitas indús­trias estão começan­do a ofer­e­cer seus pro­du­tos como serviços — uma mudança com grandes impli­cações em ven­das e mar­ket­ing. Com o pas­sar do tem­po, a meta dos vende­dores trans­for­ma-se em sat­is­fação do cliente, e não ape­nas em ven­das. Para isso é pre­ciso cri­ar um cenário pelo qual todos saem gan­han­do — clientes e empre­sa.

Foco em sis­temas, não em pro­du­tos dis­cre­tos. À medi­da que os pro­du­tos pas­sam a inte­grar sis­temas maiores, a proposição de val­or do cliente aumen­ta. Qual­i­dade e car­ac­terís­ti­cas do pro­du­to pre­cisam ser suple­men­tadas por inter­op­era­cional­i­dade com pro­du­tos rela­ciona­dos. As empre­sas pre­cisam decidir onde devem se inserir nesse novo mun­do: elas devem com­pe­tir no nív­el do pro­du­to, ofer­e­cer um con­jun­to de pro­du­tos inti­ma­mente conec­ta­dos, cri­ar uma platafor­ma que inter­sec­cione todos os pro­du­tos conec­ta­dos, ou faz­er os três? Equipes de ven­da e de mar­ket­ing pre­cis­arão de um con­hec­i­men­to mais amp­lo para posi­cionar seus pro­du­tos como com­po­nentes de sis­temas inteligentes, maiores e conec­ta­dos. Vende­dores pre­cisão ser treina­dos para vender com ess­es par­ceiros e serão necessários incen­tivos para aco­modar mod­e­los de par­tic­i­pação de lucros mais com­plex­os.

Veja o caso da Smart­Things, que atua no seg­men­to cada vez mais con­cor­ri­do de autom­a­ti­za­ção domés­ti­ca no esti­lo “faça você mes­mo”. Para clientes e fab­ri­cantes, a empre­sa se posi­cio­nou como uma platafor­ma de dis­pos­i­tivos domés­ti­cos inteligentes, fáceis de usar. A platafor­ma tem uma inter­face de usuário sim­ples e fornece uma série de sen­sores-padrão que medem itens como umi­dade, fumaça, tem­per­atu­ra e movi­men­to. Os sen­sores, que podem ser acopla­dos a qual­quer obje­to domés­ti­co, autom­a­ti­zam ilu­mi­nação, segu­rança da casa e econo­mia de ener­gia. A com­pan­hia tam­bém facili­ta a conexão de dis­pos­i­tivos domés­ti­cos inteligentes de vários out­ros fab­ri­cantes ao seu cen­tro de dis­tribuição e for­mou um amp­lo ambi­ente de par­ceiros que já englo­ba mais de 100 pro­du­tos com­patíveis.

SERVIÇOS PÓS-VENDA. Para fab­ri­cantes de pro­du­tos duráveis, como equipa­men­tos indus­tri­ais, o serviço pós-ven­da pode rep­re­sen­tar lucros e recei­ta sig­ni­fica­tivos — em parte porque o fornec­i­men­to tradi­cional de serviços é iner­ente­mente ine­fi­ciente. Nor­mal­mente, os téc­ni­cos inspe­cionam o pro­du­to para iden­ti­ficar a causa do defeito e as peças a serem sub­sti­tuí­das e depois fazem uma segun­da visi­ta para realizar o serviço.

Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos aper­feiçoam o serviço e a efi­ciên­cia e pos­si­bili­tam uma mudança rad­i­cal de serviço reati­vo para serviço pre­ven­ti­vo, proa­t­i­vo e remo­to.

Uma só visi­ta. Como os téc­ni­cos con­seguem diag­nos­ticar o prob­le­ma remo­ta­mente, as peças de reposição necessárias para o con­ser­to já estarão disponíveis no cam­in­hão e na primeira e úni­ca visi­ta o prob­le­ma estará resolvi­do. Eles tam­bém podem con­sul­tar infor­mações sub­sidiárias úteis para a exe­cução dos serviços. Dessa for­ma, só é necessária uma visi­ta e os índices de sat­is­fação aumen­tam.

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Serviço remo­to. Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos tor­nam o serviço domi­cil­iar via conec­tivi­dade cada vez mais práti­co. Em muitos casos os pro­du­tos podem ser con­ser­ta­dos por téc­ni­cos remo­tos, como é feito com com­puta­dores. Equipa­men­tos para exam­es de sangue e uri­na fab­ri­ca­dos pela Sys­mex são um bom exem­p­lo. No iní­cio, a Sys­mex dotou seus apar­el­hos de conec­tivi­dade para per­mi­tir mon­i­tora­men­to remo­to, mas atual­mente ela tam­bém é uti­liza­da nos serviços presta­dos. Téc­ni­cos podem aces­sar qual­quer infor­mação sobre uma máquina, mes­mo em out­ro local. Às vezes, para con­sertá-la bas­ta reini­cial­izá-la, fornecer o upgrade de um soft­ware, ou solic­i­tar infor­mações de um téc­ni­co local durante o proces­so. Como resul­ta­do, hou­ve redução dos cus­tos de manutenção e de tem­po de equipa­men­to fora de oper­ação e aumen­to sig­ni­fica­ti­vo da sat­is­fação do cliente.

Serviço pre­ven­ti­vo. Uti­lizan­do fer­ra­men­tas de análise pred­i­ti­vas, orga­ni­za­ções podem ante­ci­par prob­le­mas de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos e tomar as medi­das necessárias. A Diebold, por exem­p­lo, mon­i­to­ra seus caixas automáti­cos para detec­tar sinais pre­co­ces de prob­le­mas. Quan­do pos­sív­el, a manutenção necessária é real­iza­da remo­ta­mente, ou um téc­ni­co é envi­a­do para ajus­tar ou sub­sti­tuir com­po­nentes. Ao atu­alizar uma máquina a empre­sa tam­bém pode intro­duzir cor­reções pre­ven­ti­vas, às vezes remo­ta­mente.

Serviço basea­do em real­i­dade aumen­ta­da. A grande quan­ti­dade de dados ger­a­dos por pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos está crian­do para o pes­soal de serviços novas for­mas de tra­bal­ho: indi­vid­ual em con­jun­to e com clientes. Uma abor­dagem recente uti­liza as super­posições da real­i­dade aumen­ta­da já descritas. Quan­do isso inclui infor­mações sobre as neces­si­dades de serviços do pro­du­to e instruções de con­ser­to pas­so a pas­so, a efi­ciên­cia e eficá­cia do serviço podem aumen­tar sig­ni­fica­ti­va­mente.

Novos serviços. Dados, conec­tivi­dade e fer­ra­men­tas de análise asso­ci­a­dos aos pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos estão amplian­do o papel tradi­cional de serviços e crian­do novas opor­tu­nidades. Na ver­dade, a orga­ni­za­ção do serviço tornou-se uma nova for­ma de ino­vação de negó­cios no setor de man­u­fatu­ra, com reflex­os no aumen­to de recei­ta e lucros graças a serviços que agregam val­or como garan­tias esten­di­das e ref­er­en­ci­ais para com­para­ção de equipa­men­tos, fro­tas ou negó­cio do cliente. O con­jun­to de soluções que a Cater­pil­lar desen­volveu para aju­dar clientes a admin­is­trar suas con­struções e equipa­men­tos de min­er­ação é um bom exem­p­lo. Depois de cole­tar e anal­is­ar dados de cada máquina dis­tribuí­da num local de tra­bal­ho, as equipes de serviços da Cater­pil­lar ori­en­tam o cliente sobre onde insta­lar o equipa­men­to, quan­do um número menor de máquinas pode ser sufi­ciente, quan­do adi­cionar mais equipa­men­tos para reduzir con­ges­tion­a­men­tos e como mel­ho­rar a efi­ciên­cia de com­bustíveis de toda a fro­ta.

SEGURANÇA. Até recen­te­mente, o depar­ta­men­to de TI das empre­sas era quase sem­pre o respon­sáv­el pela segu­rança de cen­tros de dados, sis­temas de negó­cios, com­puta­dores e redes empre­sari­ais. Com o adven­to de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, as regras do jogo mudaram. A respon­s­abil­i­dade pela segu­rança de TI ago­ra é com­par­til­ha­da por todas
as funções.

Os dis­pos­i­tivos inteligentes e conec­ta­dos tam­bém podem ser um pon­to de aces­so à rede, um alvo para hack­ers ou uma platafor­ma de lança­men­to para ataques cibernéti­cos. Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos estão muito dis­sem­i­na­dos, expos­tos e difí­ceis de pro­te­ger com medi­das físi­cas. Como os próprios pro­du­tos geral­mente têm poder de proces­sa­men­to lim­i­ta­do, eles não con­seguem supor­tar os mod­er­nos hard­wares e soft­wares de segu­rança.

Em ger­al, pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos com­par­til­ham com a área de TI algu­mas vul­ner­a­bil­i­dades bem con­heci­das. Eles estão sujeitos ao mes­mo tipo de ataque de “recusa de prestação de serviço” que sobre­car­rega servi­dores e redes com uma avalanche de pedi­dos de aces­so. No entan­to, ess­es pro­du­tos estão sujeitos a a out­ros tipos de vul­ner­a­bil­i­dade, e o impacto de invasões pode ser mais grave. Hack­ers podem assumir o con­t­role de um pro­du­to ou ter aces­so a dados con­fi­den­ci­ais que trafegam entre o pro­du­to, o fab­ri­cante e o cliente. No pro­gra­ma de TV 60 Min­u­tos, a Darpa demon­strou como um hack­er assum­iu total con­t­role da acel­er­ação e fre­nagem de um car­ro. O risco cri­a­do por hack­ers que inva­dem sis­temas de aeron­aves, automóveis, equipa­men­tos médi­cos, ger­adores de ener­gia e out­ros pro­du­tos conec­ta­dos pode ser muito mais grave que os riscos de uma brecha no servi­dor de e‑mails de uma empre­sa.

Os clientes esper­am que os pro­du­tos e seus dados pes­soais este­jam pro­te­gi­dos. Por isso a capaci­dade das empre­sas de fornecer segu­rança está se tor­nan­do uma fonte de val­or — e um poten­cial difer­en­ci­ador. Clientes com neces­si­dades especí­fi­cas de segu­rança, como as Forças Armadas e orga­ni­za­ções de defe­sa, podem exi­gir serviços especí­fi­cos.

A segu­rança afe­ta várias ativi­dades. Evi­den­te­mente as oper­ações de TI con­tin­uarão a desem­pen­har papel cen­tral na iden­ti­fi­cação e imple­men­tação de mel­hores práti­cas para a segu­rança de dados e redes. E a neces­si­dade de incor­po­rar segu­rança no design de pro­du­tos se tor­na fun­da­men­tal. Mod­e­los de riscos devem con­sid­er­ar ameaças em todos os pos­síveis pon­tos de aces­so: o dis­pos­i­ti­vo, a rede à qual está conec­ta­do e a nuvem do pro­du­to. Novas téc­ni­cas de mit­i­gação de risco estão surgin­do: a Agên­cia de Ali­men­tos e Medica­men­tos dos Esta­dos Unidos, por exem­p­lo, obrigou a intro­dução de níveis de aut­en­ti­cação em camadas e con­t­role de tem­po de uso de sessões em todos os dis­pos­i­tivos clíni­cos para min­i­mizar o risco aos pacientes. A segu­rança tam­bém pode ser aper­feiçoa­da autor­izan­do clientes ou usuários a con­tro­lar quan­do dados são trans­mi­ti­dos para a nuvem e de que tipo de dados o fab­ri­cante pre­cisa. Em ger­al, o nív­el de con­hec­i­men­to e mel­hores práti­cas de segu­rança no mun­do inteligente e conec­ta­do estão evoluin­do rap­i­da­mente.

Pri­vaci­dade de dados e tro­ca jus­ta de val­or para dados tam­bém estão se tor­nan­do cada vez mais impor­tantes para os clientes. Cri­ar políti­cas de dados e trans­mi­ti-las aos con­sum­i­dores já é uma pre­ocu­pação cen­tral de depar­ta­men­tos jurídi­cos, de mar­ket­ing, de ven­das, de serviços, entre out­ros. Além de resolver as questões de pri­vaci­dade dos clientes, políti­cas de dados pre­cisam refle­tir as leis gov­er­na­men­tais, cada vez mais restri­ti­vas, e definir, da for­ma mais trans­par­ente pos­sív­el, o tipo de dados cole­ta­dos e o modo como serão usa­dos inter­na­mente e por ter­ceiros.
RECURSOS HUMANOS. Uma fábri­ca de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos nada mais é que um híbri­do entre uma empre­sa de soft­ware e uma fábri­ca tradi­cional. Para admin­is­trar essa mis­tu­ra, é pre­ciso cri­ar novas habil­i­dades em toda a cadeia de val­or, além de novos esti­los de tra­bal­ho e novas nor­mas cul­tur­ais.

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Novos espe­cial­is­tas. As habil­i­dades necessárias para pro­je­tar, vender e ofer­e­cer serviços a pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos estão em alta deman­da, mas é baixa a ofer­ta. Na ver­dade, os fab­ri­cantes estão ten­do cada vez mais difi­cul­dade de encon­trar os tal­en­tos de que pre­cisam à medi­da que suas neces­si­dades de mão de obra espe­cial­iza­da mudam de engen­haria mecâni­ca para engen­haria de soft­wares, de ven­da de pro­du­tos para ven­da de serviços e de con­ser­to de pro­du­tos para admin­is­tração do tem­po de vida do pro­du­to.

Fab­ri­cantes terão de con­tratar espe­cial­is­tas em engen­haria de aplica­tivos, desen­volvi­men­to de inter­face de usuário, inte­gração de sis­temas e, prin­ci­pal­mente, anal­is­tas de dados capazes de con­stru­ir e rodar fer­ra­men­tas analíti­cas autom­a­ti­zadas que aju­dam a trans­for­mar dados em ações. O anal­ista de negó­cios ou de dados do pas­sa­do está evoluin­do para um novo tipo de profis­sion­al que pre­cisa ter back­ground tan­to téc­ni­co como em negó­cios, além da capaci­dade de trans­mi­tir insights das fer­ra­men­tas de análise para líderes de TI e de negó­cios.

A fal­ta dessas novas habil­i­dades é par­tic­u­lar­mente críti­ca em cen­tros tradi­cionais de man­u­fatu­ra, que são bem difer­entes dos cen­tros de dis­tribuição de tec­nolo­gia. Por isso, alguns fab­ri­cantes estão se insta­lan­do em hotspots como Boston e o Vale do Silí­cio, que com­par­til­ham sua man­u­fatu­ra avança­da com insti­tu­ições acadêmi­cas, fab­ri­cantes de hard­ware e soft­ware B2B e pro­du­tores emer­gentes de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos. A Schnei­der Elec­tric, por exem­p­lo, está trans­ferindo sua sede amer­i­cana para Boston. Já na próx­i­ma déca­da, os fab­ri­cantes poderão acel­er­ar seu apren­diza­do e apri­morar o recru­ta­men­to por faz­erem parte dess­es aglom­er­a­dos. E eles pre­cis­arão de novos mod­e­los de recru­ta­men­to, como pro­gra­mas de está­gio em uni­ver­si­dades locais e pro­gra­mas de coop­er­ação para “emprestar” tal­en­tos de nego­ci­adores líderes de tec­nolo­gia.

Novas cul­turas. A fab­ri­cação de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos requer muito mais coor­de­nação mul­ti­fun­cional e mul­ti­dis­ci­pli­nar que a pro­dução tradi­cional. Envolve tam­bém a inte­gração do staff com difer­entes esti­los de tra­bal­ho e com back­grounds e cul­turas mais diver­si­fi­cadas — o que pode ser um desafio. Para o desen­volvi­men­to de soft­ware, por exem­p­lo, a “veloci­dade do reló­gio” é geral­mente muito mais ráp­i­da que para a pro­dução tradi­cional. Empre­sas de RH terão de repen­sar vários de seus aspec­tos estru­tu­rais, políti­cos e nor­ma­tivos.

Novos mod­e­los de bene­fí­cios. Novas abor­da­gens para atrair e moti­var tal­en­tos tam­bém dev­erão ser implan­tadas. Regalias como flex­i­bil­i­dade de tra­bal­ho, serviços de concierge, perío­dos sabáti­cos e tem­po livre para tra­bal­har em pro­je­tos para­le­los de inter­esse pes­soal são nor­ma em empre­sas de alta tec­nolo­gia que empregam o tipo de tal­en­to pelo qual as com­pan­hias man­u­fa­tureiras estarão cada vez mais inter­es­sadas.

Impli­cações na estru­tu­ra orga­ni­za­cional
A natureza mutante do tra­bal­ho em toda a cadeia de val­or pre­nun­cia uma trans­for­mação históri­ca em empre­sas de man­u­fatu­ra. Jeff Immelt, CEO da Gen­er­al Elec­tric, comen­tou cer­ta vez que todas as indús­trias acabarão se tor­nan­do empre­sas de soft­ware. O comen­tário reflete o fato de o soft­ware já ser parte inte­grante do pro­du­to. Além dis­so, empre­sas de soft­ware já mudaram de cur­so basi­ca­mente para com­pe­tir com pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos em aspec­tos como pro­je­tos atraentes, upgrade remo­to e mod­e­los de pro­du­to-como-serviço (ver quadro “Lições da indús­tria de soft­ware”).

No entan­to, a trans­for­mação das empre­sas de man­u­fatu­ra será ain­da maior que a das empre­sas de soft­ware. Ao mes­mo tem­po que incor­po­ram soft­ware, nuvem e fer­ra­men­tas de análise de dados, as empre­sas de man­u­fatu­ra pre­cisam con­tin­uar a pro­je­tar, pro­duzir e man­ter pro­du­tos físi­cos com­plex­os.

Que aspec­tos da estru­tu­ra orga­ni­za­cional serão afe­ta­dos? De acor­do com os argu­men­tos de Jay W. Lorsch e Paul R. Lawrence no clás­si­co tra­bal­ho “Orga­ni­za­ção e ambi­ente”, qual­quer estru­tu­ra orga­ni­za­cional deve com­bi­nar dois ele­men­tos bási­cos: difer­en­ci­ação e inte­gração. Tare­fas dis­tin­tas, como ven­das e engen­haria, pre­cisam ser “difer­en­ci­adas” ou orga­ni­zadas em unidades difer­entes. Ao mes­mo tem­po, as ativi­dades dessas unidades sep­a­radas pre­cisam ser “integradas” para haver coor­de­nação e alin­hamen­to. Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos causam grande impacto tan­to na difer­en­ci­ação como na inte­gração da man­u­fatu­ra.

A estru­tu­ra clás­si­ca de empre­sas de man­u­fatu­ra englo­ba unidades fun­cionais, como P&D, pro­dução, logís­ti­ca, ven­das, mar­ket­ing, pós-ven­da, finanças e TI. (Emb­o­ra a dimen­são geográ­fi­ca da estru­tu­ra orga­ni­za­cional tam­bém acres­cente uma cama­da de com­plex­i­dade, ela é menos afe­ta­da pelos pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos.) Essas unidades fun­cionais des­fru­tam de autono­mia sub­stan­cial. Emb­o­ra seja essen­cial inte­grá-las, boa parte da inte­gração cos­tu­ma ser rel­a­ti­va­mente esporádi­ca e táti­ca. Além de alin­harem estraté­gias gerais e planos de negó­cios, as unidades fun­cionais pre­cisam estar coor­de­nadas para admin­is­trar mudanças (do pro­je­to para man­u­fatu­ra, de ven­das para serviços e assim por diante) durante o ciclo de vida do pro­du­to e cap­tar feed­back do cam­po que pos­sa apri­morar proces­sos e pro­du­tos (infor­mação sobre defeitos, reações dos clientes). Inte­gração entre unidades fun­cionais ocorre prin­ci­pal­mente por meio de equipes de lid­er­ança das unidades de negó­cio e por meio do design de proces­sos for­mais para desen­volvi­men­to do pro­du­to, gestão da cadeia de supri­men­tos, proces­sa­men­to de pedi­dos e out­ros que envolvem várias unidades.

Com pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, no entan­to, esse mod­e­lo clás­si­co não fun­ciona. A neces­si­dade de coor­denar o pro­je­to do pro­du­to, oper­ação da nuvem, mel­ho­ria de serviços e enga­ja­men­to do cliente é con­tínua e não tem pra­zo para ter­mi­nar, mes­mo depois da ven­da. Mudanças per­iódi­cas não são mais sufi­cientes. É impre­scindív­el uma forte coor­de­nação trans­fun­cional con­tínua que inclua pro­je­to, oper­ações, ven­das, serviços e TI. Papéis fun­cionais se sobrepõem e per­dem a nitidez. Além dis­so, surgem funções com­ple­ta­mente novas e essen­ci­ais — por exem­p­lo, admin­is­trar os novos ban­cos de dados e o novo rela­ciona­men­to irrestri­to e con­tín­uo com clientes. Num sen­ti­do mais amp­lo, a riqueza de dados e o feed­back em tem­po real de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos desafi­am o mod­e­lo de gestão tradi­cional de coman­do e con­t­role cen­tral­iza­do, favore­cen­do escol­has dis­per­sas, mas alta­mente integradas, e apri­mora­men­to con­tín­uo.

Mas, aci­ma de qual­quer coisa, os fab­ri­cantes pre­cisam con­tin­uar pro­duzin­do e man­ten­do os pro­du­tos con­ven­cionais, e isso provavel­mente não mudará — em alguns casos, durante décadas. Mes­mo em com­pan­hias de man­u­fatu­ra sól­i­das e pro­gres­sis­tas atu­ais, pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos rep­re­sen­tam menos da metade dos pro­du­tos com­er­cial­iza­dos. A coex­istên­cia con­tínua do novo e do anti­go con­sti­tui um com­pli­cador para as estru­turas orga­ni­za­cionais.

Que estru­tu­ra terão as novas orga­ni­za­ções man­u­fa­tureiras? Estru­turas orga­ni­za­cionais estão evoluin­do rap­i­da­mente, mes­mo entre fab­ri­cantes líderes de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos. No entan­to, várias mudanças impor­tantes estão se tor­nan­do evi­dentes. A primeira é a maior e mais pro­fun­da colab­o­ração e inte­gração entre TI e P&D. Ao lon­go do tem­po essas unidades — e out­ras — podem começar a se fundir. Além dis­so, estão começan­do a sur­gir três novos tipos de unidade: orga­ni­za­ção de dados unifi­ca­dos, gru­pos de desen­volvi­men­to e oper­ações (ou dev-ops) e unidades de gestão da sat­is­fação do cliente (ver quadro “Uma nova estru­tu­ra orga­ni­za­cional”). Enquan­to isso, ativi­dades envol­ven­do pro­du­to e segu­rança de dados estão expandin­do rap­i­da­mente e per­me­iam várias unidades. No entan­to, ain­da não está claro que tipo de estru­tu­ra sur­girá no final. Mais cedo ou mais tarde, prati­ca­mente todas as funções tradi­cionais tam­bém terão de ser reestru­tu­radas, ten­do em vista o real­in­hamen­to críti­co de tare­fas e papéis em anda­men­to.

COLABORAÇÃO ENTRE TI E P&D. Tradi­cional­mente P&D cri­a­va pro­du­tos, enquan­to TI se ocu­pa­va basi­ca­mente da infraestru­tu­ra com­puta­cional e da admin­is­tração de fer­ra­men­tas de soft­ware uti­lizadas por gru­pos fun­cionais de toda a empre­sa, como pro­je­to assis­ti­do por com­puta­dor, plane­ja­men­to de recur­sos da empre­sa e admin­is­tração do rela­ciona­men­to com o cliente. No entan­to, com o adven­to de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, TI dev­erá desem­pen­har um papel mais que fun­da­men­tal. Hard­ware e soft­wares de TI ago­ra estão incor­po­ra­dos nos pro­du­tos e em toda a pil­ha de tec­nolo­gia. A questão é: quem será respon­sáv­el por essa nova infraestru­tu­ra de tec­nolo­gia: TI, P&D ou uma com­bi­nação das duas?

Atual­mente, somente TI tem o per­fil para aten­der às tec­nolo­gias baseadas em soft­wares e à infraestru­tu­ra necessária para pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos. Unidades de P&D, por seu lado, têm con­segui­do desen­volver e com­bi­nar, com efi­ciên­cia, com­po­nentes elétri­cos e mecâni­cos, e muitas delas começaram a dom­i­nar o desafio de incor­po­rar soft­ware nos pro­du­tos. Pou­cas unidades de P&D, no entan­to, têm exper­iên­cia sufi­ciente para con­stru­ir e admin­is­trar ele­men­tos basea­d­os na nuvem da pil­ha de tec­nolo­gia. A par­tir de ago­ra, TI e P&D pre­cisam estar con­tin­u­a­mente integradas. No entan­to, as duas funções têm pequeno históri­co de colab­o­ração no desen­volvi­men­to de pro­du­tos — e em algu­mas orga­ni­za­ções o históri­co é de ani­mosi­dade.
Estão começan­do a sur­gir vários mod­e­los orga­ni­za­cionais para esse novo tipo de rela­ciona­men­to. Algu­mas empre­sas estão intro­duzin­do equipes de TI nos depar­ta­men­tos de P&D. Out­ras estão crian­do equipes trans­fun­cionais de pro­je­to do pro­du­to que incluem rep­re­sen­tantes de TI, mas ain­da man­têm canais de comu­ni­cação sep­a­ra­dos. Na Ven­tana Med­ical Sys­tems, fab­ri­cante de equipa­men­tos inteligentes e conec­ta­dos de lab­o­ratório, as equipes de TI e de P&D tra­bal­ham ard­u­a­mente para decidir que fun­cional­i­dade do pro­du­to deve ser colo­ca­da na nuvem e quan­do atu­al­iza­ções de soft­ware são necessárias. Na Ther­mo Fish­er Sci­en­tif­ic, líder de instru­men­tação cien­tí­fi­ca, mem­bros do depar­ta­men­to de TI par­tic­i­pam dire­ta­mente de P&D, com uma estru­tu­ra mista de canais de comu­ni­cação e metas com­par­til­hadas. Isso tem aju­da­do a Ther­mo Fis­ch­er a definir e con­stru­ir a nuvem do pro­du­to, cole­tan­do, anal­isan­do e armazenan­do dados do pro­du­to com segu­rança e dis­tribuin­do dados inter­na­mente e para os clientes.

ORGANIZAÇÃO DE DADOS UNIFICADOS. Dev­i­do ao vol­ume, com­plex­i­dade e importân­cia estratég­i­ca cres­cente dos dados, não é mais dese­jáv­el nem fac­tív­el que cada função admin­istre dados por con­ta própria, crie seu próprio arcabouço de fer­ra­men­tas analíti­cas, ou man­ten­ha sua própria segu­rança de dados. Para extrair o máx­i­mo pos­sív­el das novas fontes de dados, muitas empre­sas estão crian­do gru­pos ded­i­ca­dos ao trata­men­to, cole­ta, con­sol­i­dação, agre­gação e análise de dados. Ess­es gru­pos são respon­sáveis por disponi­bi­lizar dados e insights por todas as funções e unidades de negó­cio. A empre­sa de pesquisa Gart­ner pre­vê que, por vol­ta de 2017, 25% das grandes orga­ni­za­ções terão unidades ded­i­cadas ao trata­men­to de dados.
As novas orga­ni­za­ções de dados geral­mente são lid­er­adas por um exec­u­ti­vo de nív­el de dire­to­ria — o dire­tor exec­u­ti­vo de dados ou CDO — que se repor­ta ao CEO ou, às vezes, ao CFO ou CIO. Ele é respon­sáv­el pela gestão unifi­ca­da de dados, instru­in­do a orga­ni­za­ção sobre como aplicar os recur­sos de dados, super­vi­sion­ar dire­itos e aces­so aos dados e dire­cionar a apli­cação de fer­ra­men­tas analíti­cas avançadas por toda a cadeia de val­or. Recen­te­mente, a Ford Motor Com­pa­ny indi­cou um dire­tor exec­u­ti­vo de dados e anális­es para desen­volver e exe­cu­tar uma visão empre­sar­i­al ger­al sobre análise de dados. O CDO geren­cia o uso de dados de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos da empre­sa para enten­der prefer­ên­cias do cliente, moldar estraté­gias futuras para car­ros conec­ta­dos e reestru­tu­rar proces­sos inter­nos.

DEV-OPS. A neces­si­dade de pro­je­tos atraentes do pro­du­to, de oper­ação e manutenção con­tínua e de per­ma­nentes upgrades está crian­do um novo grupo fun­cional, às vezes chama­do dev-ops (o ter­mo tem origem na indús­tria de soft­ware, onde é usa­do para descr­ev­er o desen­volvi­men­to e o méto­do de lança­men­to de um soft­ware colab­o­ra­ti­vo trans­fun­cional). A unidade dev-ops é respon­sáv­el pela gestão e otimiza­ção do desem­pen­ho con­tín­uo de pro­du­tos conec­ta­dos depois que saem da fábri­ca. A unidade reúne espe­cial­is­tas em engen­haria de soft­ware, prove­nientes do desen­volvi­men­to de pro­du­to da orga­ni­za­ção tradi­cional (“dev”) e mem­bros do staff de TI, de pro­dução e de serviços que são respon­sáveis pela oper­ação do pro­du­to (“ops”).

Dev-ops orga­ni­zam e lid­er­am equipes que reduzem os cic­los de lib­er­ação do pro­du­to, admin­is­tram atu­al­iza­ções e cor­reções do pro­du­to e fornecem novos serviços e mel­ho­rias pós-ven­da. Eles super­vi­sion­am a lib­er­ação fre­quente de pequenos lotes cuida­dosa­mente tes­ta­dos de mudanças nos pro­du­tos na nuvem com­par­til­ha­da, ideal­mente sem pre­juí­zo para os pro­du­tos exis­tentes e usuários no cam­po. A unidade dev-ops tam­bém é respon­sáv­el por mel­ho­rar mod­e­los de serviço pre­ven­ti­vo e manutenção do pro­du­to.

Como produtos inteligentes e conectados estão transformando as empresas

GESTÃO DA SATISFAÇÃO DO CLIENTE. Uma ter­ceira nova unidade orga­ni­za­cional, que tam­bém tem um anál­o­go na indús­tria de soft­ware, é respon­sáv­el por gerir a exper­iên­cia do cliente e garan­tir que ele tire o máx­i­mo proveito do pro­du­to. Essa tare­fa é impor­tan­tís­si­ma nos pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, prin­ci­pal­mente para garan­tir ren­o­vações nos mod­e­los de pro­du­to-como-serviço. A unidade de gestão da sat­is­fação do cliente não nec­es­sari­a­mente sub­sti­tui unidades de ven­das ou de serviços, mas assume basi­ca­mente a respon­s­abil­i­dade pelo rela­ciona­men­to com o cliente depois da ven­da. Essa unidade desem­pen­ha funções que unidades de ven­das e serviços tradi­cionais não estão preparadas nem incen­ti­vadas para assumir: mon­i­torar a uti­liza­ção do pro­du­to e o desem­pen­ho dos dados para medir o val­or cap­ta­do pelos clientes e iden­ti­ficar for­mas de aumen­tá-lo. Essa nova unidade não fun­ciona como um silo auto­con­ti­do, mas colab­o­ra de for­ma con­tínua com mar­ket­ing, ven­das e serviços.

Unidades de gestão da sat­is­fação do cliente estão mudan­do a gestão do rela­ciona­men­to com clientes. His­tori­ca­mente, os prin­ci­pais meios usa­dos para reunir insights sobre uso do pro­du­to e deter­mi­nar quan­do um rela­ciona­men­to com o cliente esta­va em risco eram pesquisas sobre clientes e call cen­ters. Nor­mal­mente, as empre­sas recebem mais feed­back dos clientes quan­do algu­ma coisa vai mal — e geral­mente quan­do já é tarde demais.

No caso de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, o próprio pro­du­to é o sen­sor que mede o val­or entregue aos clientes. Com os dados ger­a­dos, o pro­du­to pode fornecer à empre­sa muito mais infor­mação sobre a exper­iên­cia do cliente: sobre uti­liza­ção e desem­pen­ho do pro­du­to, prefer­ên­cias e sat­is­fação do cliente. Ess­es insights podem evi­tar evasão de clientes e rev­e­lar como eles podem se ben­e­fi­ciar das van­ta­gens adi­cionais de pro­du­tos ou serviços.

RESPONSABILIDADE COMPARTILHADA DA SEGURANÇA DE DADOS. Em muitas empre­sas, a super­visão exec­u­ti­va da segu­rança é flu­tu­ante. A segu­rança pode se repor­tar ao dire­tor exec­u­ti­vo de infor­mação, ao dire­tor exec­u­ti­vo de tec­nolo­gia, ao dire­tor exec­u­ti­vo de dados ou ao dire­tor exec­u­ti­vo de con­formi­dade. Qual­quer que seja a estru­tu­ra da lid­er­ança, a segu­rança tem inter­seção com unidades de desen­volvi­men­to do pro­du­to, dev-ops, TI, equipes móveis de serviço, entre out­ras. É fun­da­men­tal um vín­cu­lo par­tic­u­lar­mente forte entre P&D, TI e a orga­ni­za­ção de dados. Esta últi­ma, jun­ta­mente com TI, nor­mal­mente é respon­sáv­el pela segu­rança dos dados do pro­du­to, definin­do o aces­so ao usuário e pro­to­co­los de dire­itos, e iden­ti­f­i­can­do e cumprindo nor­mas. Às equipes de P&D e de dev-ops cabe a ini­cia­ti­va de reduzir vul­ner­a­bil­i­dades do pro­du­to físi­co. TI e P&D geral­mente são cor­re­spon­sáveis por man­ter e pro­te­ger a nuvem do pro­du­to e suas conexões. No entan­to, o mod­e­lo orga­ni­za­cional para gestão da segu­rança ain­da está sendo prepara­do.

Fazen­do a tran­sição
Como pas­sar daqui para lá? As mudanças orga­ni­za­cionais que descreve­mos são fun­da­men­tais. Já estão começan­do a sur­gir gru­pos de dados cen­tral­iza­dos, mas a inte­gração entre TI e P&D ain­da está num está­gio muito ini­cial. Dev-ops e unidades de gestão da sat­is­fação do cliente são raras, mas seu papel está começan­do a ser recon­heci­do e difer­en­ci­a­do. Com o tem­po poderão se fir­mar como unidades fun­cionais for­mais.

Em áreas como aeronáu­ti­ca, instru­men­tos clíni­cos e equipa­men­tos agrí­co­las, pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos terão de coex­i­s­tir com pro­du­tos tradi­cionais por um lon­go tem­po. Isso sig­nifi­ca que a trans­for­mação orga­ni­za­cional que esta­mos descreven­do será evolu­cionária, e não rev­olu­cionária, e muitas vezes estru­turas novas e anti­gas terão de fun­cionar para­le­la­mente.

Dado o âmbito das mudanças e a fal­ta de tal­en­tos e de exper­iên­cia em pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, muitas empre­sas terão de bus­car estru­turas tran­si­cionais ou híbri­das.

Como seria essa estru­tu­ra tran­si­cional? No nív­el da unidade de negó­cio muitas com­pan­hias enco­ra­jaram ini­cia­ti­vas orgâni­cas de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos. A uma unidade como TI deve ser atribuí­do o papel de lid­er­ar estraté­gias e dis­tribuir pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos. Ou um comitê dire­tor espe­cial for­ma­do por chefes fun­cionais pode ser solic­i­ta­do a apoiar e super­vi­sion­ar esse esforço. Algu­mas empre­sas estão adquirindo empre­sas de soft­ware ou a elas se asso­cian­do em ini­cia­ti­vas de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, inje­tan­do novos tal­en­tos e per­spec­ti­vas em suas orga­ni­za­ções. Recen­te­mente, a Cater­pil­lar ado­tou essa posição, investin­do na Uptake, empre­sa de anális­es pred­i­ti­vas.

No nív­el cor­po­ra­ti­vo em empre­sas com negó­cios diver­si­fi­ca­dos, estru­turas de super­posição estão sendo cri­adas para son­dar opor­tu­nidades de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, iden­ti­ficar os mel­hores locais para começar, evi­tar dupli­cação, for­mar uma mas­sa críti­ca de tal­en­to e exper­tise, e super­vi­sion­ar a infraestru­tu­ra de tec­nolo­gia. Essas unidades geral­mente têm um CEO ou estão sob a tutela de um gestor sênior. Esta­mos teste­munhan­do o surg­i­men­to de três mod­e­los:

UNIDADE DE NEGÓCIO INDEPENDENTE. Uma nova unidade sep­a­ra­da, com respon­s­abil­i­dade de lucros e per­das, se encar­rega de apoiar a estraté­gia de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos da empre­sa.

A unidade agre­ga o tal­en­to e mobi­liza a tec­nolo­gia e os ativos necessários para intro­duzir novos pro­du­tos no mer­ca­do, tra­bal­han­do em con­jun­to com todas as unidades de negó­cio envolvi­das. O grupo Bosch é uma orga­ni­za­ção que for­mou uma unidade ded­i­ca­da como essa — a Bosch Soft­ware Inno­va­tions. Ela per­mite que unidades de negó­cio baseadas no pro­du­to da empre­sa e clientes exter­nos gerem serviços para pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos.

Uma nova unidade inde­pen­dente está livre das restrições proces­suais de negó­cios her­da­dos e das estru­turas orga­ni­za­cionais. Em algu­mas com­pan­hias, à medi­da que exper­tise, infraestru­tu­ra e exper­iên­cia aumen­tam, a lid­er­ança pode começar a voltar para as unidades de negó­cio. Em out­ros casos, unidades inde­pen­dentes podem inibir, em vez de enco­ra­jar, ini­cia­ti­vas nas unidades de negó­cio indi­vid­u­ais. O con­hec­i­men­to adquiri­do por uma unidade inde­pen­dente tam­bém pode se dis­sem­i­nar mais lenta­mente pela empre­sa.

CENTRO DE EXCELÊNCIA. Nesse mod­e­lo, uma unidade cor­po­ra­ti­va sep­a­ra­da con­ta com exper­tise alta­mente qual­i­fi­ca­da em pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos. Ela não tem respon­s­abil­i­dade por per­das e lucros, mas é um cen­tro de alto inves­ti­men­to que as unidades de negó­cio podem aproveitar. A GE man­tém um dess­es cen­tros de excelên­cia no Vale do Silí­cio.

COMITÊ DIRETOR DA UNIDADE TRANSEMPRESARIAL. Essa abor­dagem envolve a for­mação de um comitê de líderes pen­santes de todas as unidades de negó­cio, com o obje­ti­vo de pro­mover opor­tu­nidades, com­par­til­har exper­tise e facil­i­tar a colab­o­ração. Ess­es comitês geral­mente não dis­põem de poder de toma­da de decisão for­mal, o que pode lim­i­tar sua capaci­dade de con­duzir a mudança.

Impli­cações mais amplas
Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos estão trans­for­man­do dras­ti­ca­mente as opor­tu­nidades para cri­ação de val­or na econo­mia. A man­u­fatu­ra está sofren­do uma revi­ra­vol­ta. No entan­to, os efeitos não se restringem à man­u­fatu­ra, mas se espal­ham por out­ros setores que uti­lizam — ou pode­ri­am uti­lizar — pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos, incluin­do serviços (ver quadro “Como pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos mudam serviços”). E o impacto de pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos está ape­nas começan­do.

Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos refor­mu­lam não só a com­petição como descreve­mos em nos­so arti­go ante­ri­or, mas tam­bém a ver­dadeira natureza da empre­sa de man­u­fatu­ra, seu tra­bal­ho e sua orga­ni­za­ção. Eles estão crian­do a primeira ver­dadeira rup­tura na orga­ni­za­ção de empre­sas de man­u­fatu­ra da história mod­er­na dos negó­cios. E muitas mudanças e desafios orga­ni­za­cionais semel­hantes se refle­tirão em out­ras áreas.

Para as empre­sas que estão enfrentan­do a tran­sição, as questões orga­ni­za­cionais estão atual­mente no cen­tro do pal­co — e não há roteiro. Esta­mos ape­nas começan­do a ree­scr­ev­er o organogra­ma da orga­ni­za­ção que está em vig­or há décadas.

Emb­o­ra a tran­sição pos­sa ser inqui­etante e deses­ta­bi­lizado­ra para muitas empre­sas, e pos­sa cri­ar ver­dadeiros desafios com­pet­i­tivos e pre­ocu­pações com segu­rança, é impor­tante ver os pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos em primeiro lugar e, aci­ma de tudo, como uma opor­tu­nidade de mel­ho­rar a econo­mia e a sociedade. Graças a ess­es novos pro­du­tos, esta­mos prepara­dos para realizar grandes pro­gres­sos em preser­vação ambi­en­tal — aumen­tan­do sig­ni­fica­ti­va­mente a efi­ciên­cia do solo, da água e do uso de mate­ri­ais e a efi­ciên­cia de ener­gia e pro­du­tivi­dade no setor de ali­men­tos. Eles poderão ser pre­cur­sores de grandes avanços para a humanidade — em saúde, segu­rança, mobil­i­dade, treina­men­to e muito mais — e muito úteis nos pequenos desafios que enfrenta­mos no dia a dia, como encon­trar rap­i­da­mente uma vaga para esta­cionar.

E eles nos equipam para mudar os rumos do con­sumo de toda a sociedade. Numa época em que tudo está cada vez mais bara­to e disponív­el, negó­cios e con­sum­i­dores pre­cisam de muito menos coisas. Pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos nos darão a liber­dade de com­prar somente arti­gos e serviços de que temos neces­si­dade, de com­par­til­har pro­du­tos que usamos pouco e de aproveitar os que já temos. Em vez de descar­tar­mos pro­du­tos mais anti­gos à espera da próx­i­ma ger­ação, vamos con­tin­uar usan­do pro­du­tos que serão con­stan­te­mente aper­feiçoa­d­os, atu­al­iza­dos e mod­ern­iza­dos.

Mas e o tra­bal­ho? Qual­quer grande descon­tinuidade tec­nológ­i­ca sus­ci­ta pre­ocu­pações inevitáveis sobre seus efeitos na empre­ga­bil­i­dade e opor­tu­nidades, prin­ci­pal­mente nos últi­mos tem­pos. Acred­i­ta­mos que as opor­tu­nidades expo­nen­ci­ais de ino­vação ofer­e­ci­das por pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos jun­ta­mente com a imen­sa expan­são de dados que eles cri­am sobre prati­ca­mente tudo serão um ger­ador efi­caz de cresci­men­to econômi­co. Ess­es novos pro­du­tos não reduzirão nos­sas neces­si­dades, nem o número de pes­soas necessárias para pro­duzi-los. Ao con­trário, as novas indús­trias, novos serviços e novas funções cri­adas per­mi­tirão que muito mais pes­soas atin­jam suas aspi­rações.

E os que não tiverem instrução e habil­i­dades necessárias para a primeira onda de empre­gos na tran­sição? Essas habil­i­dades estão em fal­ta, mas o grande impacto na empre­ga­bil­i­dade e no cresci­men­to provavel­mente será pos­i­ti­vo. Haverá mais ino­vação e muitos novos negó­cios. E pro­du­tos inteligentes e conec­ta­dos poderão ser um nive­lador, per­mitin­do que o tra­bal­ho das pes­soas seja mais pro­du­ti­vo e menos repet­i­ti­vo e mecâni­co. Equipe um téc­ni­co de manutenção com um aplica­ti­vo de real­i­dade aumen­ta­da e um smart­phone, e ele poderá faz­er um con­ser­to com­plexo mes­mo com treina­men­to lim­i­ta­do. Tra­bal­hadores menos qual­i­fi­ca­dos podem ser instruí­dos e ori­en­ta­dos muito mais facil­mente por espe­cial­is­tas. Imag­ine como o ofí­cio de jar­dineiro poderá mudar quan­do quin­tais e jardins estiverem equipa­dos com sen­sores que fornecem infor­mação sobre solo, históri­co de chu­vas, saúde das plan­tas e áreas prob­lemáti­cas.

Man­u­fat­uras estão lid­eran­do a mar­cha em direção a esse futuro. As trans­for­mações orga­ni­za­cionais e do pro­du­to são difí­ceis e incer­tas. Empre­sas e insti­tu­ições capazes de acel­er­ar essa mar­cha pros­per­arão e farão uma pro­fun­da difer­ença para a sociedade.

Por Michael E. Porter e James E. Hep­pel­mann

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