Pesquisadores criam app que detecta depressão pelo manuseio do celula

Pesquisadores criam app que detecta depressão pelo manuseio do celula

Uma equipe de pesquisadores do Cen­tro de Depressão e Resil­iên­cia da Uni­ver­si­dade do Illi­nois, em Chica­go, está tra­bal­han­do em uma tec­nolo­gia que pode mon­i­torar o humor e a cog­nição do usuário, ao acom­pan­har seu padrão de dig­i­tação com um aplica­ti­vo para iPhone chama­do BiAf­fect.

Ess­es são dois indi­cadores impor­tantes de estresse. Pesquisas ini­ci­ais deter­mi­naram que é pos­sív­el pre­v­er episó­dios manía­cos e depres­sivos entre usuários por­ta­dores de dis­túr­bio bipo­lar e de prob­le­mas depres­sivos graves, com base nas mudanças em seus hábitos de dig­i­tação.

Um episó­dio manía­co pode ser pre­ce­di­do por mais erros de dig­i­tação, movi­men­tos rápi­dos, uso fre­quente da tecla “delete” ou tremores detec­ta­dos pelo acel­erômetro do celu­lar.

Em episó­dios depres­sivos, os usuários se afas­tam de seus equipa­men­tos pes­soais de tec­nolo­gia e ten­dem a enviar men­sagens cur­tas e menos fre­quentes.

“O sis­tema não ras­treia o que uma pes­soa digi­ta, mas como ela o faz”, afir­ma Alex Leow, pro­fes­sor asso­ci­a­do na esco­la de med­i­c­i­na da Uni­ver­si­dade de Illi­nois e dire­tor do pro­je­to.

O estu­do do BiAf­fect é parte de uma tendên­cia mais ampla na psi­colo­gia, de ten­tar medir como o cére­bro fun­ciona usan­do os “traços dig­i­tais” das inter­ações diárias dos usuários com a tec­nolo­gia.

Há mais de 10 mil apps rela­ciona­dos à saúde men­tal disponíveis na App Store da Apple. O prob­le­ma é que apps que oper­am com base em provas, como o BiAf­fect, respon­dem por ape­nas 3% desse total, disse Adam Haim, do NIMH (Insti­tu­to Nacional de Saúde Men­tal dos Esta­dos Unidos, na sigla em inglês).

“Há muitas ideias promis­so­ras”, diz ele, “mas muitas são fal­sas.”

Aplica­tivos como o BiAf­fect, que recol­hem dados pes­soais pas­si­va­mente, vêm acom­pan­hados de pre­ocu­pações, em ger­al asso­ci­adas à pri­vaci­dade dos usuários.

Haim afir­ma que as pes­soas “pre­cisam com­preen­der as poten­ci­ais impli­cações de se abrirem à divul­gação de dados pes­soais a ter­ceiros”. O obje­ti­vo do BiAf­fect é ser “o menos intru­si­vo pos­sív­el”, diz Leow.

Depois de baixar o app, os usuários optam por aderir ao estu­do e autor­izam um tecla­do espe­cial do BiAf­fect que sub­sti­tui o tecla­do padrão do iPhone. O app, então, opera sem­pre que a pes­soa usar seu celu­lar, com­pi­lan­do dados obje­tivos.

A ideia dessa abor­dagem, dizem os pesquisadores, é realizar uma avali­ação em tem­po real sobre o esta­do men­tal da pes­soa em seu ambi­ente nat­ur­al.

As avali­ações de saúde men­tal tradi­cionais são real­izadas por meio de cole­ta de dados de pacientes sobre seu esta­do men­tal, via ques­tionários ou entre­vis­tas pes­soais em ambi­entes clíni­cos.

Ess­es méto­dos ficam sujeitos a vieses de autode­clar­ação e out­ras fal­has na cole­ta de dados. Os pesquisadores colo­caram o BiAf­fect à dis­posição do públi­co ger­al na App Store em março, e des­de lá recol­her­am mais de 8,15 mil horas de dados, de mais de 1.300 usuários.

O app foi cri­a­do como parte do Mood Chal­lenge, um con­cur­so pro­movi­do pela Robert Wood John­son Foun­da­tion que desafi­a­va pesquisadores a desco­brir novas maneiras de usar a platafor­ma de códi­go aber­to da Apple, ResearchK­it, a fim de estu­dar os dis­túr­bios de humor.

Os cri­adores do BiAf­fect não lim­i­taram o uso da tec­nolo­gia a ambi­entes clíni­cos, ain­da que digam acred­i­tar que seu uso mais efe­ti­vo deva ser por profis­sion­ais de saúde men­tal.

Provavel­mente, esse tipo de uso ain­da vai demor­ar alguns anos a se tornar comum, diz Olu­so­la Ajilore, pro­fes­sor asso­ci­a­do de psiquia­tria na Uni­ver­si­dade de Illi­nois e parte da equipe do BiAf­fect.

No entan­to, os pesquisadores esper­am que o app ven­ha a per­mi­tir que os clíni­cos real­izem inter­venções em momen­to opor­tuno.

“Em lugar de esper­ar até que um paciente apareça no con­sultório de alguém para uma inter­venção, a inter­venção pode ser real­iza­da em tem­po real, por meio do mes­mo apar­el­ho que está mon­i­toran­do os sin­tomas”, disse ele.

The Wall Street Jour­nal

 

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