Governo chinês investe em cérebros e robôs

Oficina 18O futuro indus­tri­al da Chi­na já pode ser obser­va­do na A Ofic­i­na 18, local fab­ril des­ig­na­do pelas autori­dades chi­ne­sas como insta­lação mod­e­lo e de demon­stração como o futuro da indús­tria, ou seja, faz parte do plano de Pequim para reforçar as prin­ci­pais empre­sas do país e capac­itá-las para con­cor­rer mel­hor no mer­ca­do mundi­al.

Os engen­heiros na fábri­ca oper­a­da pelo Sany Group desco­brem como cri­ar pro­du­tos mel­hores ao anal­is­ar infor­mações que chegam em tem­po real a um data cen­ter próx­i­mo, de máquinas operan­do em todo o mun­do.

A empre­sa ras­treia 380 mil de seus mis­tu­radores de con­cre­to, escav­adeiras e guin­dastes, todos conec­ta­dos à inter­net, e recol­he até ago­ra mais de 100 bil­hões de itens de dados de engen­haria.

A adoção de robôs, sis­temas big data e out­ros avanços é vista pelos líderes chi­ne­ses como cru­cial para o desen­volvi­men­to dos gigantes nacionais, em áreas como equipa­men­tos de ener­gia, car­ros elétri­cos, pro­du­tos marí­ti­mos e chips.

Ness­es setores, os chi­ne­ses dese­jam se tornar em larga medi­da autossu­fi­cientes a par­tir da metade da próx­i­ma déca­da.

A Sany, uma das três grandes fab­ri­cantes chi­ne­sas de maquinar­ia pesa­da, afir­mou que a inte­gração de tec­nolo­gia elevou sua capaci­dade, reduz­iu os pra­zos de entre­ga e cor­tou os cus­tos opera­cionais, em pelo menos 20% em cada uma dessas cat­e­go­rias.

A empre­sa está apo­s­tan­do que a tec­nolo­gia per­mi­tirá que ela crie rep­utação por suas ino­vações e pela qual­i­dade de seus pro­du­tos, e não pelos preços baixos e pro­du­tos copi­a­dos que fiz­er­am da Sany uma líder do mer­ca­do nacional.

“O futuro do setor de equipa­men­to pesa­do depen­derá tan­to do soft­ware e dados quan­to do hard­ware”, disse Pan Ruigang, vice-pres­i­dente de infor­mações da Sany.

A estraté­gia “Made in Chi­na 2025” atraiu críti­cas de Wash­ing­ton, e mem­bros do gov­er­no Don­ald Trump acusaram Pequim de usar sub­sí­dios e pro­te­cionis­mo a fim de mel­ho­rar a posição de empre­sas chi­ne­sas por meios desleais.

A Chi­na afir­mou que suas metas são trans­par­entes e que out­ros país­es tam­bém têm políti­cas para for­t­alec­i­men­to de setores econômi­cos.

Pequim colo­cou bil­hões de dólares à dis­posição das empre­sas por meio de pro­gra­mas estatais e provin­ci­ais.

As empre­sas chi­ne­sas que dese­jem con­stru­ir ou inve­stir em fábri­c­as semel­hantes à Ofic­i­na 18 podem solic­i­tar sub­sí­dios gov­er­na­men­tais de até US$ 45 mil­hões (R$ 185,7 mil­hões), de acor­do com doc­u­men­tos do min­istério.

O ban­co de desen­volvi­men­to nacional tra­bal­ha com o Min­istério da Indús­tria chinês a fim de ofer­e­cer 300 bil­hões de yuans (US$ 43,9 bil­hões, ou R$ 181,2 bil­hões) em finan­cia­men­to a grandes pro­je­tos.

Os incen­tivos ofer­e­ci­dos à indús­tria chi­ne­sa para a com­pra de mais robôs fiz­er­am da Chi­na o mer­ca­do de automação indus­tri­al de mais rápi­do cresci­men­to no plan­e­ta.

Em 2016, a Chi­na instalou o recorde de 87 mil robôs, mais do que os Esta­dos Unidos e a Ale­man­ha com­bi­na­dos, de acor­do com a Fed­er­ação Inter­na­cional de Robóti­ca.

Pequim quer chegar a uma den­si­dade de robôs de 150 por 10 mil tra­bal­hadores em 2020, mais do que o dobro do nív­el de 2015, o que ain­da deixaria o país atrás dos Esta­dos Unidos, onde esse índice é de 189.

Basea­da em Hunan, uma provín­cia no cen­tro do país e local de nasci­men­to de Mao Tse-tung, o fun­dador da Chi­na mod­er­na, a Sany vem aderindo há três décadas aos obje­tivos econômi­cos de Pequim, e seus negó­cios ten­dem a pros­per­ar em sin­cro­nia com a econo­mia chi­ne­sa, lid­er­a­da pelo setor de infraestru­tu­ra.

A Sany começou por empre­gar engen­haria rever­sa a fim de repro­duzir máquinas estrangeiras, com o obje­ti­vo de pro­duzir cópias mais baratas, e foi uma das maiores chi­ne­sas a abrir seu cap­i­tal no mer­ca­do inter­no, nos anos 2000.

Em 2012, ela pagou € 324 mil­hões (R$ 1,55 bil­hão) por uma par­tic­i­pação de 90% na Putzmeis­ter Hold­ing, uma fab­ri­cante alemã de bom­bas.

A Sany con­stru­iu qua­tro fábri­c­as inteligentes, de 2012 para cá, aten­den­do aos ape­los de Pequim por atu­al­iza­ção de sua tec­nolo­gia.

O pro­gra­ma de cole­ta de dados em tem­po real rece­beu elo­gios do primeiro-min­istro chinês, Li Keqiang, em jun­ho.

Out­ra das insta­lações da Sany, 1,3 mil quilômet­ros ao norte, em Pequim, exibe faixas com slo­gans inspi­radores. Uma delas diz “para realizar o son­ho da Chi­na, real­ize o son­ho da Sany”.

Os engen­heiros usam a robóti­ca para pro­duzir bate-esta­cas mel­hores. Robôs de sol­dagem –fab­ri­ca­dos pela Fanuc, do Japão– per­mitem que os tra­bal­hadores desen­volvam uma platafor­ma de per­furação capaz de fun­cionar 24 horas por dia em condições extremas.

A Sany pro­duz­iu per­fura­trizes para o can­teiro de obras mais seten­tri­on­al do plan­e­ta, na Rús­sia, em bus­ca de gás nat­ur­al.

A empre­sa rece­beu diver­sos sub­sí­dios ao lon­go dos anos, de acor­do com doc­u­men­tos, mas cresceu prin­ci­pal­mente ao rein­ve­stir lucros e se tornar a oita­va maior fab­ri­cante de maquinar­ia do plan­e­ta.

Em casa, ela e out­ras empre­sas chi­ne­sas devo­raram o mer­ca­do de oper­ado­ras estrangeiras como a Cater­pil­lar, com sede no Illi­nois, que se recu­sou a comen­tar.

A Sany e out­ros fab­ri­cantes de maquinar­ia foram prej­u­di­ca­dos por seu exces­so de pro­dução, de 2012 em diante –os planos econômi­cos chi­ne­ses fre­quente­mente resul­tam em ofer­ta exces­si­va. Mas as ven­das da empre­sa começaram a se recu­per­ar em 2017.

Em ter­mos mundi­ais, a Sany detém 3,7% do mer­ca­do de equipa­men­tos para con­strução, por val­or, de acor­do com a Yel­low Table 2018, uma com­pi­lação da revista espe­cial­iza­da Inter­na­cional Con­struc­tion basea­da em pesquisas anu­ais com as 50 maiores empre­sas.

A Sany real­i­zou pequenos inves­ti­men­tos nos Esta­dos Unidos, que incluem uma fábri­ca de US$ 60 mil­hões (R$ 247,6 mil­hões) na Geór­gia.

A empre­sa tam­bém tem em foco out­ro dos planos de Pequim: con­quis­tar mer­ca­dos em desen­volvi­men­to na Ásia Cen­tral e no Sud­este Asiáti­co, por meio de um corre­dor de infraestru­tu­ra con­heci­do como Ini­cia­ti­va Cin­turão e Estra­da.

“Se não fos­se pelo Par­tido [Comu­nista] e seu apoio”, afir­ma um vídeo mostra­do aos vis­i­tantes de uma insta­lação da Sany, “seria difí­cil imag­i­nar que a Sany encon­trasse suces­so”.

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