Procuradoria investiga venda de dados de reconhecimento facial

Procuradoria investiga venda de dados de reconhecimento facial

MPDFT (Comis­são de Dados Pes­soais do Min­istério Públi­co do Dis­tri­to Fed­er­al e Ter­ritórios) abriu inquéri­to civ­il públi­co para inves­ti­gar as empre­sas Cred­De­fense, Cert­ibio e Aces­so Dig­i­tal pelo comér­cio de dados bio­métri­cos para fins de recon­hec­i­men­to facial.

A ação divul­ga­da no dia 6 de agos­to, que diz que empre­sas como ban­cos e vare­jis­tas pagam até R$ 4,70 para con­sul­tar dados de brasileiros e evi­tar fraudes.

Empre­sas como as inves­ti­gadas pelo MP ofer­e­cem um serviço de checagem ao cruzar as fotos que seus clientes cap­tam dos cidadãos com as de seus ban­cos de dados pri­va­dos. Além de fotos, eles têm out­ras infor­mações bio­métri­c­as.

Parte das empre­sas diz obter os dados com o con­sen­ti­men­to dos próprios clientes.

Um caso, no entan­to, chama a atenção. A Cert­ibio, com um ban­co de 70 mil­hões de cadas­tros, afir­mou ao UOL usar infor­mações armazenadas pelo Serviço de Proces­sa­men­to de Dados (Ser­pro). O Ser­pro é uma empre­sa públi­ca respon­sáv­el por alguns serviços de tec­nolo­gia da admin­is­tração fed­er­al.

O prob­le­ma é que o Ser­pro não tem base legal para transa­cionar dados com empre­sas pri­vadas, de acor­do com advo­ga­dos ouvi­dos pela Fol­ha.

“O Ser­pro sus­ten­ta que tem base legal para isso por meio de uma por­taria do min­istro da Fazen­da, de 2016 [Hen­rique Meirelles]. No entan­to, essa própria por­taria não tem base legal e ela tra­ta de com­er­cial­iza­ção com o setor públi­co, não com o pri­va­do”, diz Fab­rí­cio Mota, pro­fes­sor de pri­vaci­dade e pro­teção de dados pes­soais do Insti­tu­to Brasiliense de Dire­ito Públi­co.

No inquéri­to, o pro­mo­tor de Justiça Fred­eri­co Ceroy cita o Mar­co Civ­il da Inter­net, que asse­gu­ra aos tit­u­lares dos dados pes­soais o dire­ito de não fornec­i­men­to de dados a ter­ceiros, “sal­vo medi­ante con­sen­ti­men­to livre expres­so e infor­ma­do”.

Ele tam­bém men­ciona o Códi­go de Defe­sa do Con­sum­i­dor e a nova Lei Ger­al de Pro­teção de Dados Pes­soais, san­ciona­da por Michel Temer, que proíbe tal práti­ca sem a autor­iza­ção do cidadão.

Procuradoria investiga venda de dados de reconhecimento facial

Ceroy ain­da jus­ti­fi­ca o inquéri­to ao afir­mar que há “ausên­cia de critérios públi­cos e claros em relação ao fun­ciona­men­to dos algo­rit­mos de recon­hec­i­men­to facial usa­dos pelas citadas empre­sas e as con­se­quên­cias dos erros durante a oper­ação de iden­ti­fi­cação dos con­sum­i­dores”.

A tec­nolo­gia de recon­hec­i­men­to facial tem sido usa­da como fer­ra­men­ta de vig­ilân­cia e iden­ti­fi­cação por empre­sas e gov­er­nos. Na Chi­na, elas já sub­stituem cartões de entra­da em pré­dios e empre­sas.

No Brasil, o SPC lançou serviço para que lojas pos­sam con­fir­mar a iden­ti­dade de con­sum­i­dores a par­tir de ima­gens na hora de dar crédi­to.

Em março deste ano, o MP apon­tou para um supos­to esque­ma de ven­da de dados pes­soais de brasileiros pelo Ser­pro. Ain­da não hou­ve jul­ga­men­to do caso, mas o Ser­pro nega.

Em nota, a Cred­De­fense afir­mou que a empre­sa foi cri­a­da para aju­dar a pre­venir fraudes de fal­si­dade ideológica e que “usa os mais mod­er­nos recur­sos tecnológicos disponíveis para pro­te­ger o con­sum­i­dor do uso inde­v­i­do de dados pes­soais”.

Tam­bém diz que todas as informações inseri­das no ban­co de dados são forneci­das dire­ta­mente pelo tit­u­lar quan­do este faz o seu cadas­tro.

“A Cred­De­fense não com­pra bases de ter­ceiros, e não usa dados forneci­dos por qual­quer órgão da administração pública dire­ta ou indi­re­ta­mente.”

Por fim, a empre­sa diz que armazena os dados de for­ma segu­ra e crip­tografa­da, em con­formi­dade com as mel­hores práti­cas e que está à dis­posição para infor­mações.

Até ago­ra, a reportagem não con­seguiu con­ta­to com por­ta-vozes das out­ras duas empre­sas e do Ser­pro.

Segundo a Assessoria de Imprensa da Certibio:

As soluções de bio­me­tria Cert­ibio foram desen­hadas de for­ma a preser­var a pri­vaci­dade e os dire­itos fun­da­men­tais dos indi­ví­du­os de acor­do com a leg­is­lação vigente, pre­ven­do inclu­sive o novo mar­co da Lei Ger­al de Pro­teção de Dados.

Sobre as reporta­gens recen­te­mente veic­u­ladas, a Cert­ibio esclarece que cole­ta a bio­me­tria do indi­vid­uo, medi­ante o seu con­sen­ti­men­to, e a envia ao serviço Datavalid do Ser­pro, que retor­na na for­ma de um per­centu­al de sim­i­lar­i­dade (anon­i­miza­do).

A Cert­ibio não aces­sa, armazena ou com­par­til­ha qual­quer dado prove­niente de ban­co de dados gov­er­na­men­tais.

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