Filme sobre Wilson Simonal reabre o caso de 1971

Filme sobre Wilson Simonal reabre o caso de 1971

Wil­son Simon­al é cul­pa­do ou inocente? é bem capaz que ele vá ao juri pop­u­lar das redes soci­ais.

Com exibição mar­ca­da para a noite de hoje, 20 de agos­to de 2018, na 46ª edição do Fes­ti­val de Cin­e­ma de Gra­ma­do, o filme Simon­al reabre o caso desse excep­cional can­tor car­i­o­ca que foi do céu ao infer­no a par­tir de agos­to de 1971, acu­sa­do de ser infor­mante do Depar­ta­men­to de Ordem Políti­ca e Social, o (im)popular Dops, o órgão repres­sor do regime mil­i­tar instau­ra­do no Brasil em 1964).

As acusações nun­ca foram (com)provadas. Mas Simon­al foi con­de­na­do pela classe artís­ti­ca e pela opinião públi­ca, emb­o­ra o úni­co fato suposta­mente con­cre­to é o de que o can­tor teria man­da­do agentes do Dops dar uma dura no con­ta­dor da fir­ma do artista, Raphael Viviani, sob a ale­gação de ter sofri­do des­falque na empre­sa.

Simon­al, o filme, é lon­ga-metragem de ficção dirigi­do pelo cineas­ta Leonar­do Gonçalves, com roteiro de Ger­al­do Carneiro, que começa a entrar em cena em 2018 – ano em que Simon­al teria feito 80 anos de vida – com o ator Fab­rí­cio Boliveira na pele do can­tor.

Não é a primeira vez que a vida fol­heti­nesca de vida de Simon­al dá filme. Há dez anos, em 2008, o elu­cida­ti­vo doc­u­men­tário Simon­al – Ninguém sabe o duro que dei (Globo Filmes) começou a ser exibido em fes­ti­vais, recon­tan­do a história sem absolver o artista, mas tam­pouco sem con­dená-lo.

O fato é que Simon­al – can­tor cheio de suingue que virou pop­star nacional na segun­da metade da déca­da de 1960, rival­izan­do com o reina­do de Rober­to Car­los – foi declar­a­do cul­pa­do pela mídia da época e amar­gou ostracis­mo a par­tir de 1972. Não deixou de gravar álbuns quase anu­ais na déca­da de 1970, mas os dis­cos foram lança­dos sem reper­cussão.

Excluí­do do meio artís­ti­co, Simon­al viveu como se estivesse mor­to até 2000, ano em que efe­ti­va­mente saiu de cena. Pagou preço alto tan­to pela notória arrogân­cia quan­to pelo jus­ti­fi­ca­do orgul­ho de ser o primeiro pop­star negro do uni­ver­so pop brasileiro.

Antes do infer­no, Simon­al habitou o olimpo dos deuses da músi­ca. Cain­do no suingue como nen­hum out­ro can­tor até então tin­ha caí­do, o can­tor esban­jou charme e tal­en­to ao faz­er due­to com a can­to­ra norte-amer­i­cana Sarah Vaugh­an (1924 – 1990) – na canção The shad­ow of your smile (John­ny Man­del e Paul Fran­cis Web­ster, 1965), em número exibido em setem­bro de 1970 em pro­gra­ma exibido pela extin­ta TV Tupi – e ao incen­di­ar o públi­co que tin­ha ido ao está­dio car­i­o­ca Mara­canãz­in­ho (RJ), no mes­mo ano de 1970, para ver apre­sen­tação do pianista flu­mi­nense Ser­gio Mendes, o ofus­ca­do astro prin­ci­pal da noite.

Simon­al foi Deus na músi­ca brasileira, mas foi con­de­na­do ao infer­no sem provas sufi­cientes em jul­ga­men­to que ain­da provo­ca debates acalo­rados sem­pre que o caso entra em dis­cussão. Cul­pa­do ou inocente? Somente ele sabe e somente ele sabe o duro que deu…

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