Ambev quer distribuir cervejas em caminhões elétricos

Ambev quer distribuir cervejas em caminhões elétricos

A Ambev fir­mou parce­ria com a mon­ta­do­ra Volk­swa­gen Cam­in­hões para adoção de 1.600 cam­in­hões elétri­cos por todos os 20 oper­adores logís­ti­cos que tra­bal­ham com a empre­sa até 2023, em uma estraté­gia que coin­cide com a entra­da em vig­or da tabela de fretes rodoviários no país.

Um primeiro veícu­lo da lin­ha de cam­in­hões elétri­cos, com autono­mia para rodar até 200 quilômet­ros com ener­gia 100 % ren­ováv­el, deve chegar às ruas da cap­i­tal paulista até o fim de setem­bro, disse à Reuters o dire­tor de sus­tentabil­i­dade e supri­men­tos da Ambev, Guil­herme Gaia.

“Este ano ini­ci­amos testes com um cam­in­hão para tornar o pro­je­to mais asserti­vo… Esse cam­in­hão é con­sid­er­a­do leve, a ideia é ter­mos cam­in­hões grandes tam­bém”, disse Gaia.

Atual­mente, a Ambev uti­liza cer­ca de 4.800 cam­in­hões pesa­dos e semi­pesa­dos em toda a sua cadeia de dis­tribuição, com­pos­ta por 120 oper­ações no Brasil. O e‑Delivery, segun­do o dire­tor de sus­tentabil­i­dade, será ini­cial­mente usa­do para rotas mais cur­tas e abaste­ci­do com ener­gia solar ger­a­da por painéis insta­l­a­dos em um dos nove cen­tros de dis­tribuição da empre­sa em São Paulo. Em todo o Brasil, a empre­sa tem mais de 100 cen­tros de dis­tribuição dire­ta.

O pres­i­dente Michel Temer san­cio­nou em 9 de agos­to a tabela de fretes rodoviários, uma das soluções encon­tradas às pres­sas pelo gov­er­no para encer­rar a greve dos cam­in­honeiros em maio e que atraiu fortes críti­cas do setor pro­du­ti­vo do país por ger­ar aumen­to nos cus­tos de trans­porte.

Ape­sar da cer­ta coin­cidên­cia do anún­cio ser feito alguns dias após a sanção pres­i­den­cial, Gaia afir­mou que o pro­je­to de cam­in­hões elétri­cos, que não estão sujeitos à tabela de fretes segun­do infor­mação da Agên­cia Nacional de Trans­portes Ter­restres (ANTT), não tem relação com a par­al­isação nacional dos cam­in­honeiros.

“Esse movi­men­to (a greve dos cam­in­honeiros) é rel­a­ti­va­mente recente, temos acom­pan­hado como toda a sociedade, mas o cam­in­hão elétri­co é maior que isso, é um fenô­meno, um pro­je­to ante­ri­or a esse movi­men­to que vimos recen­te­mente”, afir­mou Gaia.

O pres­i­dente-exec­u­ti­vo da Volk­swa­gen Cam­in­hões e Ônibus, Rober­to Cortes, tam­bém men­cio­nou coin­cidên­cia ao ser ques­tion­a­do sobre o momen­to escol­hi­do para o anún­cio da parce­ria. “Óbvio que uma greve dessa natureza chama a atenção para a neces­si­dade de se ter pro­du­tos alter­na­tivos ao diesel… Mas esse pro­du­to só começará em lin­ha de pro­dução mes­mo em 2020. Não esta­mos con­tem­p­lan­do nen­hu­ma ven­da especi­fi­ca­mente por causa da decisão do min­istro Fux.”

Cortes se referiu ao min­istro do Supre­mo Tri­bunal Fed­er­al, Luiz Fux, que sus­pendeu ações con­trárias à tabela de fretes e deve tomar uma decisão sobre a legal­i­dade do tema a par­tir do dia 27 deste mês.

Gaia, da Ambev, ressaltou que as con­ver­sas com a Volk­swa­gen para ren­o­vação de parte da fro­ta par­ceira com cam­in­hões elétri­cos ocor­rem há mais de cin­co anos. Com a parce­ria, cer­ca de 35 % da fro­ta que atende a cerve­jaria será com­pos­ta por veícu­los movi­dos a ener­gia limpa, reduzin­do as emis­sões de polu­entes no ar em mais de 30,4 mil toneladas de car­bono por ano, segun­do o grupo de bebidas.

Desafios de local­iza­ção
A Volk­swa­gen Cam­in­hões e Ônibus lançou o Deliv­ery, a diesel, em setem­bro do ano pas­sa­do, em estraté­gia para ingres­sar no seg­men­to de cam­in­hões leves urbanos, volta­dos a apli­cações como a bus­ca­da pela Ambev. O cam­in­hão cus­ta entre 135 mil a 175 mil reais e a ver­são elétri­ca do pro­du­to sai por duas a três mais atual­mente.

Ape­sar de ter um cus­to de oper­ação até 50% mais bara­to que o diesel, segun­do Cortes, o val­or de com­pra do mod­e­lo elétri­co é mais ele­va­do por causa de itens como a bate­ria, que é impor­ta­da e “hoje é equiv­a­lente quase ao preço de um cam­in­hão em si”. O motor do e‑Delivery é pro­duzi­do pela brasileira WEG e a mon­tagem do veícu­lo é fei­ta na fábri­ca da Volk­swa­gen Cam­in­hões e Ônibus em Resende (RJ).

Cortes afir­mou que para reduzir o cus­to, a mon­ta­do­ra estu­da alter­na­ti­vas que incluem leas­ing da bate­ria jun­to a gru­pos locais. Com isso, ao final do ciclo de uso da bate­ria, em cer­ca de cin­co anos, o usuário pode devolvê-la para ser recu­per­a­da e insta­lar uma nova no veícu­lo.

Além dis­so, a mon­ta­do­ra alemã quer dis­cu­tir com o gov­er­no fed­er­al incen­tivos para local­iza­ção da pro­dução das bate­rias no Brasil e para finan­cia­men­tos de aquisição dos veícu­los, disse Cortes.

“Quer­e­mos que o cus­to total de cam­in­hão elétri­co seja igual ao de um cam­in­hão a diesel em ambi­entes urbanos. Hoje é de duas vezes”, disse Cortes, referindo-se a uma con­ta que inclui a com­pra do veícu­los, mais cus­to de oper­ação e manutenção e finan­ceiro, menos o val­or da reven­da.

Ques­tion­a­do sobre o cus­to de cada veícu­lo para a Ambev, Gaia disse ser “pre­maturo entrar em detal­h­es nesse momen­to”, por se tratar de um pro­tótipo. O acor­do com a Volk­swa­gen Cam­in­hões e Ônibus envolve intenção de com­pra, disse Cortes.

“Even­tual­mente o cam­in­hão pode cus­tar mais caro, mas a com­posição do cus­to não é nec­es­sari­a­mente o mais impor­tante, e sim o cus­to opera­cional do pro­je­to”, disse o dire­tor de sus­tentabil­i­dade e supri­men­tos da Ambev.

Gaia tam­bém não quis divul­gar o val­or desem­bol­sa­do pela Ambev na insta­lação de painéis solares nos cen­tros de dis­tribuição, desta­can­do que as obras fazem parte do com­pro­mis­so do grupo multi­na­cional de usar ener­gia ren­ováv­el em 100% das cerve­jarias até 2025.

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