Entenda por que devemos embrulhar chaves automáticas do carro em papel alumínio

Entenda por que devemos embrulhar chaves automáticas do carro em papel alumínio

A mes­ma tec­nolo­gia que per­mite a você destran­car seu car­ro à dis­tân­cia tam­bém pode traz­er  riscos de voc~e ser rou­ba­do

O prob­le­ma real­mente existe dev­i­do as chaves automáti­cas dos car­ros mod­er­nos estão con­stan­te­mente emitin­do sinais para eles e porque fal­has em sis­temas de crip­tografia nes­sas chaves –ou seja, nas téc­ni­cas usadas para pro­te­ger as infor­mações– tor­nam a tec­nolo­gia vul­neráv­el.

Espe­cial­is­tas aler­tam que os ladrões podem com­prar chaves “vir­gens” e usá-las para replicar o códi­go de aces­so de um deter­mi­na­do veícu­lo.

O risco da chave clonada

Pesquisadores da Uni­ver­si­dade de Birm­ing­ham, na Inglater­ra, e da empre­sa de segu­rança alemã Kasper & Oswald, divul­gar­am um estu­do em 2016 mostran­do como essa tec­nolo­gia é suscetív­el à ação de crim­i­nosos e a clon­agem das chaves é pos­sív­el.

Fal­has em sis­temas de crip­tografia ou a crip­tografia com base em um algo­rit­mo já bas­tante con­heci­do dos hack­ers, segun­do eles, facili­tam a clon­agem e isso deixou mil­hões de veícu­los vul­neráveis em todo o mun­do

A Volk­swa­gen era apon­ta­da no estu­do como a mon­ta­do­ra mais afe­ta­da pela fal­ha de segu­rança. O prob­le­ma exis­tia porque a com­pan­hia usa­va um esque­ma de crip­tografia basea­do em uma chave-mestre em vez de pos­suir uma base difer­ente para cada uma das chaves.

“Mil­hões de chaves usan­do os mes­mos seg­re­dos — do pon­to de vista da crip­tografia, é uma catástrofe”, anal­isou na época Timo Kasper, da Kasper & Oswald, em entre­vista à BBC.

O estu­do iden­ti­fi­cou que uma pro­porção con­sid­eráv­el de 100 mil­hões de car­ros ven­di­dos pelo grupo Volk­swa­gen des­de 1995 — incluin­do mod­e­los das mar­cas Audi, Seat e Sko­dapo­dia — podia ser destrava­da remo­ta­mente e que o prob­le­ma afe­ta­va veícu­los fab­ri­ca­dos até o ano 2016.

Os crim­i­nosos con­seguiam destran­car os veícu­los fazen­do a engen­haria rever­sa do sis­tema para que­brar o firmware uti­liza­do nas chaves –ou seja, o con­jun­to de instruções opera­cionais pro­gra­madas no hard­ware do equipa­men­to eletrôni­co– para ter, dessa maneira, aces­so a todo o sis­tema de travas sem fio da empre­sa e das demais fab­ri­cantes do grupo.

Um esque­ma crip­tográ­fi­co mais anti­go iden­ti­fi­ca­do em algu­mas out­ras mar­cas tin­ha uma vul­ner­a­bil­i­dade semel­hante, emb­o­ra mais com­plexa, segun­do os pesquisadores.

Um recep­tor de rádio caseiro que cus­ta­va na época cer­ca de 30 libras (pouco mais de R$ 150, con­sideran­do a cotação atu­al da libra) era o úni­co equipa­men­to que os hack­ers pre­cisavam para espi­onar os con­troles remo­tos dos mod­e­los que tin­ham como alvos e con­seguir, assim, destravar as por­tas dos veícu­los.

A Volk­swa­gen disse, na época, que esta­va tra­bal­han­do com os pesquisadores e que vários de seus novos veícu­los não havi­am sido afe­ta­dos.

Como evitar que isso aconteça?

Tran­car o car­ro com a chave nor­mal, em vez de usar o con­t­role sem fio, é uma das for­mas de se pro­te­ger da ação de ban­di­dos.

Mas out­ros méto­dos para não aban­donar o con­t­role tam­bém são pos­síveis e um deles é embrul­har as chaves em papel alumínio.

Espe­cial­is­tas em ciberse­gu­rança con­cor­dam que, emb­o­ra não seja o ide­al, esse é um méto­do muito fácil e bara­to.

Out­ra opção é com­prar pela inter­net uma “bol­sa de Fara­day”, que tem a mes­ma função de iso­la­men­to do alumínio e serve como um escu­do con­tra a trans­fer­ên­cia de infor­mações que pode­ri­am ser usadas no roubo do car­ro.

“Esta­mos falan­do de uma for­ma de comu­ni­cação por ondas eletro­mag­néti­cas, como rádio ou tele­visão. Pense em uma músi­ca que é con­stan­te­mente usa­da em uma rádio e uma fechadu­ra que se abre ao ouvir essa músi­ca. Se eu con­heço a músi­ca, pos­so abrir a fechadu­ra”, diz à BBC News Mun­do Moshe Shlisel, CEO da agên­cia de segu­rança cibernéti­ca Guard­Knox Cyber ??Tech­nolo­gies.

Shlisel, que tam­bém tra­bal­hou para a força aérea israe­lense no desen­volvi­men­to de sis­temas de defe­sa com mís­seis, expli­ca que a função do papel alumínio é cri­ar uma célu­la para evi­tar que as ondas eletro­mag­néti­cas sejam reg­istradas por out­ra pes­soa.

Ataques ocorrem cada vez mais

Para muitos, pode pare­cer anti­qua­do, no sécu­lo XXI, usar papel alumínio para pro­te­ger algo tão tec­nológi­co.

A pre­caução, no entan­to, tem se mostra­do mais do que nun­ca necessária, como expli­ca Shlisel.

“Ape­sar de não ter números, pos­so diz­er que ess­es inci­dentes acon­te­cem cada vez mais, porque os dis­pos­i­tivos necessários para come­ter ess­es ataques podem ser facil­mente adquiri­dos na inter­net e há até tuto­ri­ais no YouTube sobre como fazê-los”, diz ele.

E acres­cen­ta: “A indús­tria auto­mo­ti­va está total­mente ciente dess­es prob­le­mas e bucan­do maneiras de impedir que ter­ceiros con­sigam replicar a comu­ni­cação entre uma chave e um veícu­lo”.

Este tipo de crime não acon­tece ape­nas com car­ros e pre­cauções têm sido tomadas de olho nis­so.

Algu­mas pes­soas, por exem­p­lo, tomam o cuida­do de pro­te­ger seus cartões de crédi­to em carteiras “isolantes”.

Além dis­so, insti­tu­ições gov­er­na­men­tais dos Esta­dos Unidos, por exem­p­lo, entregam deter­mi­na­dos doc­u­men­tos a seus usuários den­tro de invólu­cros espe­ci­ais para evi­tar a trans­fer­ên­cia e o roubo de dados, como é o caso do Green Card ou Cartão de Res­i­dente Per­ma­nente — o vis­to per­ma­nente de imi­gração con­ce­di­do pelas autori­dades do país.

No caso dos car­ros, os rou­bos podem ser cometi­dos com bas­tante facil­i­dade.

“Você chega a uma casa que tem um car­ro esta­ciona­do na frente, detec­ta uma chave a dez pas­sos dele, den­tro de uma sala, e con­segue des­blo­queá-lo. Enquan­to as fer­ra­men­tas estiverem disponíveis, o cenário para ess­es rou­bos me parece cada vez mais prováv­el “, disse ao jor­nal USA Today o dire­tor do Cen­tro de Segu­rança de Sis­temas de Com­puta­dores da Uni­ver­si­dade do Sul da Cal­ifór­nia, nos EUA, Clif­ford Neu­man.

Quan­do leu pela primeira vez sobre o risco de seu car­ro ser rou­ba­do desse jeito, ele começou a guardar suas chaves à noite den­tro de uma lata de café vazia.

Os espe­cial­is­tas con­tin­u­am recomen­dan­do que, até as empre­sas fab­ri­cantes encon­trarem uma solução para o prob­le­ma, é prefer­ív­el usar o papel alumínio antes de deixar as chaves onde provavel­mente elas estão guardadas ago­ra: no bol­so de uma calça, den­tro da bol­sa ou sobre uma mesa.

Fonte: UOL

Posts Similares