Empresas de tecnologia serão responsabilizadas por ‘Fake news’

Empre­sas de tec­nolo­gia como o Face­book devem ser respon­s­abi­lizadas por mate­r­i­al “ofen­si­vo e enganoso” em seus sites e pagar um impos­to para que as redes pos­sam ser reg­u­ladas, dis­ser­am leg­is­ladores britâni­cos, aler­tan­do que uma crise na democ­ra­cia pode estar a cam­in­ho por causa do mau uso dos dados pes­soais dos usuários.

O Face­book tem se tor­na­do cres­cen­te­mente o cen­tro das atenções de uma inves­ti­gação sobre notí­cias fal­sas no comitê de mídia do Par­la­men­to, depois que dados de 87 mil­hões de usuários foram impro­pri­a­mente aces­sa­dos pela con­sul­to­ria britâni­ca Cam­bridge Ana­lyt­i­ca.

Exec­u­tivos do Face­book dis­ser­am na quar­ta-feira que suas mar­gens de lucro cairão por vários anos dev­i­do ao cus­to para aumen­tar a pri­vaci­dade dos usuários e ao menor rit­mo do uso de pro­pa­gan­da em seus prin­ci­pais mer­ca­dos.

As notí­cias der­rubaram o val­or de mer­ca­do da empre­sa em mais de US$ 120 bil­hões. Ao mes­mo tem­po, a com­pan­hia enfrenta a dis­cussão de medi­das reg­u­latórias na Grã-Bre­tan­ha, Esta­dos Unidos e União Europeia.

“Empre­sas como o Face­book tornaram mais fácil que desen­volve­dores acessem dados de usuários e os usem para cam­pan­has sem seu con­hec­i­men­to ou con­sen­ti­men­to”, disse Dami­an Collins, pres­i­dente do Comitê Dig­i­tal, de Cul­tura e de Mídia, em comu­ni­ca­do emi­ti­do neste domin­go.

“Eles devem ser respon­s­abi­liza­dos, e passíveis a, pela maneira como o con­teú­do noci­vo e enganoso é com­par­til­ha­do em seus sites.”

O relatório foi pub­li­ca­do pela primeira vez online na sex­ta-feira por Dominic Cum­mings, que dirigiu a cam­pan­ha do Vote Leave no ref­er­en­do sobre a saí­da do Reino Unido da União Europeia.

Os padrões de pre­cisão e impar­cial­i­dade aos quais as empre­sas de tec­nolo­gia se atém podem se basear nas regras reg­u­lado­ras da Ofcom para tele­visão e rádio, dis­ser­am os leg­is­ladores.

As emis­so­ras britâni­cas, públi­cas ou pri­vadas, devem, em ger­al, aderir a regras estri­tas de equi­líbrio políti­co e pre­cisão fac­tu­al, super­vi­sion­adas por um reg­u­lador.

A TechUK, uma asso­ci­ação com­er­cial de empre­sas de tec­nolo­gia que opera na Grã-Bre­tan­ha, disse que seria desafi­ador man­tê-las em um padrão mais alto do que os jor­nais ou políti­cos do país.

“Às vezes, decisão sobre o que é e o que não é ‘fal­so’ será alta­mente políti­co e con­tencioso”, afir­mou o vice-dire­tor da TechUK, Antony Walk­er.

“Deter­mi­nar o que é e o que não é infor­mação pre­cisa nem sem­pre é sim­ples, e tan­to a mídia tradi­cional quan­to os políti­cos eleitos podem ser fontes de notí­cias impre­cisas ou fal­sas”, acres­cen­tou.

O relatório do comitê tam­bém sug­eriu um impos­to sobre as empre­sas de tec­nolo­gia que pode­ria con­tribuir para um aumen­to do orça­men­to para a agên­cia de dire­itos de infor­mações do Reino Unido (ICO, na sigla em inglês) da mes­ma maneira que o setor bancário paga pela manutenção de seu órgão reg­u­lador, a Finan­cial Con­duct Author­i­ty.

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