Conheça o Amazon Fire TV Stick, concorrente do Cast

Depois do Kin­dle, a Ama­zon inau­gu­ra mais uma grande lin­ha de pro­du­tos no mer­ca­do brasileiro: Fire TV. O primeiro mod­e­lo a desem­bar­car no país é o Fire TV Stick, um dis­pos­i­ti­vo com­pacto que se conec­ta a uma TV para faz­er stream­ing de con­teú­dos do Prime Video, Net­flix, YouTube e out­ros serviços.

Cus­tan­do R$ 289, ele con­corre em preço com o Chrome­cast e pos­sui um for­ma­to que lem­bra o gad­get do Google, mas tem difer­enças impor­tantes: é total­mente inde­pen­dente do smart­phone, acom­pan­ha um con­t­role remo­to e apre­sen­ta uma inter­face com­ple­ta, bem pare­ci­da com a que encon­tramos em Smart TVs.

O Fire TV Stick é práti­co. Ele não exige um smart­phone para nada, por isso, nen­hum mem­bro da família pre­cisa insta­lar um aplica­ti­vo ou apren­der a se conec­tar ao dis­pos­i­ti­vo. O aplica­ti­vo para Android e iOS é basi­ca­mente uma ver­são vir­tu­al do con­t­role remo­to físi­co. A van­tagem em instalá-lo é poder dig­i­tar com o tecla­do do smart­phone (em vez de cansar os dedos aper­tan­do teclas dire­cionais).

Isso tam­bém sig­nifi­ca que um dos prob­le­mas mais irri­tantes do Chrome­cast deixa de exi­s­tir: meu smart­phone fre­quente­mente perde a conexão com o set-top box do Google, o que difi­cul­ta pausar ou avançar um vídeo, por exem­p­lo. Além dis­so, é pos­sív­el nave­g­ar no catál­o­go da Net­flix ou nas suas inscrições do YouTube dire­ta­mente na TV, o que é mais con­fortáv­el do que na tela peque­na do celu­lar.

Out­ro fator bacana é que o Fire TV Stick é bem “hack­eáv­el”. Por rodar Fire OS, o Android mod­i­fi­ca­do da Ama­zon, ele é com­patív­el com vários aplica­tivos da platafor­ma do Google. Há quem instale soft­wares como o media cen­ter Kodi ou emu­ladores de games, aprovei­tan­do o fato de que é pos­sív­el conec­tar um gamepad por Blue­tooth. Mas, na práti­ca, não é pre­ciso faz­er nen­hu­ma gam­biar­ra para ter uma boa exper­iên­cia.

Falan­do em games, há uma grande seleção para o Fire TV Stick, incluin­do Asphalt 8: Air­borne, Pac-Man 256, Lego Mighty Micro e Flap­py Birds, que podem ser boas opções para pas­sar o tem­po (ou quan­do a inter­net estiv­er ruim para ver Net­flix). O catál­o­go tam­bém con­ta com títu­los como Son­ic The Hedge­hog, Car­maged­don e Grand Theft Auto: Vice City, mas eles são pagos e exigem um joy­stick conec­ta­do.

O que não é legal?

É ver­dade que o Fire TV Stick ain­da está ape­nas nascen­do no Brasil, mas eu não tive como notar a ausên­cia de serviços impor­tantes por aqui, como HBO GO, Telecine Play e Globo Play — eles se tornaram comuns em Smart TVs ou até gan­haram suporte ao Chrome­cast. A situ­ação pode mel­ho­rar à medi­da que a Ama­zon fechar parce­rias com as empre­sas de mídia, mas a exper­iên­cia ain­da é lim­i­ta­da.

Igual­mente lim­i­ta­da é a loja de aplica­tivos: o Fire TV Stick tem uma exce­lente ver­são do Spo­ti­fy, mas eu não encon­trei nada para ouvir pod­casts, por exem­p­lo. Dá para insta­lar um APK de fora da loja? Sim, mas além de o proces­so não ser triv­ial, poucos são adap­ta­dos para fun­cionar no Fire OS e com o con­t­role remo­to da Ama­zon. O Globo Play, que citei aci­ma, não fun­ciona nem quan­do insta­l­a­do man­ual­mente.

Tam­bém sen­ti fal­ta de um nave­g­ador web, que pode­ria con­tornar a ausên­cia de serviços de mídia enquan­to um aplica­ti­vo ofi­cial não é lança­do para o Fire TV Stick. Pode não ser a solução ide­al, mas já é algu­ma coisa — bas­ta lem­brar do Kin­dle, que não tem o mel­hor desem­pen­ho do mun­do, mas traz um brows­er “exper­i­men­tal” que pode ser uti­liza­do para aces­sar um ver­bete da Wikipé­dia, por exem­p­lo.

O desem­pen­ho do Fire TV Stick é bom na maior parte do tem­po; você não terá prob­le­ma para ver suas séries na Net­flix ou vídeos em Full HD no YouTube. Mas ain­da esta­mos falan­do de um hard­ware de smart­phone de entra­da, com proces­sador quad-core da Medi­aTek e 1 GB de RAM. Eu notei alguns engas­gos na inter­face, e jogos como Asphalt 8: Air­borne visivel­mente rodam no lim­ite, com travad­in­has oca­sion­ais.

Travad­in­has tam­bém são perce­bidas ao espel­har a tela do smart­phone na TV. Ele não supor­ta Google Cast, mas traz o pro­to­co­lo Mira­cast, que é padrão de mer­ca­do e acom­pan­ha boa parte dos apar­el­hos com Android. Vários “cortes” durante a trans­mis­são tor­nam o espel­hamen­to inútil para exibir vídeo — no máx­i­mo, serve para mostrar uma apre­sen­tação em Pow­er­Point ou as fotos da fes­ta que ficaram óti­mas.

Por fim, fica claro que o obje­ti­vo do Fire TV Stick é ser uma vit­rine para o Prime Video. A tela ini­cial é rec­hea­da de recomen­dações de séries e filmes exclu­si­vas do serviço de stream­ing da Ama­zon, mes­mo se você não for assi­nante, como é o meu caso. Não há o mes­mo nív­el de inte­gração com os aplica­tivos da Net­flix, YouTube ou Spo­ti­fy, o que se tor­na frus­trante para quem não quer gas­tar mais din­heiro em uma assi­natu­ra.

Vale a pena?

Sim, se você sou­ber das lim­i­tações dele. Eu gostei do Fire TV Stick no que ele se propõe a faz­er de mel­hor: trans­mi­tir con­teú­do por stream­ing do Prime Video, Net­flix, YouTube, Spo­ti­fy e out­ros serviços. Na ver­dade, para essa tare­fa, ele é mel­hor que o Chrome­cast, já que não exige um smart­phone, não perde sin­cro­nia e tem um con­t­role remo­to que fun­ciona muito bem.

Mas ele não é mel­hor em tudo. O espel­hamen­to de tela por Mira­cast tem atra­sos e trava­men­tos; o desem­pen­ho cer­ta­mente não é o mais flu­i­do do mun­do; e a disponi­bil­i­dade de aplica­tivos e serviços de mídia ain­da é mais lim­i­ta­da do que eu gostaria. O Chrome­cast tem um ecos­sis­tema muito mais forte, até pelo fato de ser inte­gra­do com dois soft­wares que muitos de nós uti­lizamos — Android e Chrome.

Na práti­ca, o Fire TV Stick é uma Smart TV que você pode levar para qual­quer lugar. Depois de con­fig­u­ra­do, bas­ta ter um tele­vi­sor com entra­da HDMI e uma conexão Wi-Fi para aproveitá-lo. Ele quase não tem ser­ven­tia para quem já pos­sui uma Smart TV com sis­tema opera­cional decente (caso dos mod­e­los mais novos com Tizen e webOS), mas pode ser um com­pan­heiro em via­gens ou para faz­er um belo upgrade na TV anti­ga.

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