Quem será o primeiro a criar Drones para transportar pessoas?

Nos céus de Dubai surge a primeira aeronave Drone para transporte de passageiros.

A chegada do EHang 184, um produto chinês que já fez seu voo inaugural circundando o emblemático Burj al-Arab, o hotel de formato aerodinâmico que domina a paisagem da cidade, surge em um momento no qual a cidade vem formando parcerias com empresas de tecnologia de ponta como a Hyperloop One.

A questão é determinar se o aparelho, de formato oval e dotado de quatro pernas, vai realmente servir como alternativa de transporte nessa cidade superlotada de automóveis que já abriga também a mais longa linha de metrô de controle remoto do planeta.

drone para humanos

Mattar al-Tayer, diretor da Agência de Estradas e Transportes de Dubai, anunciou durante a conferência World Government Summit os planos para que o aparelho entre em operação regular. Antes de suas declarações, na segunda-feira, a maioria das pessoas considerava o aparelho, com suas oito hélices e quatro pernas, como apenas mais uma curiosidade em um evento que busca se posicionar como a versão deserto do fórum de Davos.

“Não é apenas um modelo”, disse Tayer. “Testamos esse veículo (Drone) na prática, voando pelo céu de Dubai”.

O aparelho pode carregar um passageiro com peso de até 100 quilos, e uma mala pequena. Depois de se acomodar no assento, parecido com a posição de pilotagem de um carro de corrida, e fechar o cinto de segurança, o passageiro seleciona o destino em um painel dotado de tela de toque posicionado diante do assento, e o drone voa até lá automaticamente.

O drone, equipado com uma bateria que permite meia hora de voo e lhe confere alcance de até 50 quilômetros, será monitorado a distância, de uma sala de controle em terra. Sua velocidade máxima é de 160 km/h, mas as autoridades dizem que em circunstâncias normais o aparelho operará a 100 km/h.

Tayer disse que o drone começaria a operar regularmente em julho, mas não acrescentou outros detalhes.

A agência de transportes mais tarde divulgou um comunicado informando que o drone havia sido avaliado pela Autoridade de Aviação Civil do Dubai e que ele era controlado por meio de Internet móvel 4G. A agência não respondeu de imediato a outras perguntas da Associated Press.

Os Emirados Árabes Unidos (EAU) requerem que os proprietários de drones adquiridos para recreação registrem seus equipamentos junto às autoridades. No entanto, intrusões de drones no espaço aéreo do Aeroporto Internacional de Dubai, o mais movimentado polo de viagens internacionais do planeta, levaram ao seu fechamento por horas, em diversas ocasiões nos últimos meses.

A EHang não respondeu a um pedido de comentário. Em maio, as autoridades do Estado norte-americano de Nevada anunciaram uma parceria com a EHang para testar o 184, com o objetivo de buscar a possível certificação do aparelho pela Administração Federal da Aviação (FAA), a agência de aeronáutica civil do governo dos Estados Unidos.

O drone pode ser apenas uma curiosidade tecnológica por enquanto, mas Dubai —a capital comercial dos EAU, ricos em petróleo, e sede da Emirates, uma das maiores companhias mundiais de aviação— tem ideias ousadas para o futuro, e o 184 se encaixa bem nesses planos.

O soberano do Dubai, xeque Mohammed bin Rashid Al Maktoum, anunciou em abril que queria que 25% das corridas de transporte de passageiros na cidade fossem realizadas por veículos autoguiados, até 2030. Para isso, Dubai já conta com o EZ10, um carro autoguiado de formato cúbico fabricado pela EasyMile, da França, que foi testado em corridas em torno do Burj Khalifa, o edifício mais alto do mundo.

Em outubro, Dubai assinou um acordo com a Hyperloop One, de Los Angeles, para estudar o potencial de construir uma linha de hyperloop entre a cidade e Abu Dhabi, a capital dos EAU.

O hyperloop funciona com cápsulas que levitam, acionadas por eletricidade e magnetismo, e se deslocam em tubos de baixa fricção a velocidades de até 1.220 km/h. Elon Musk, cofundador da Tesla, que falou segunda-feira na conferência World Government em Dubai, foi o primeiro a propor o conceito do hyperloop, em 2013.

Musk, que não respondeu a perguntas dos jornalistas na segunda-feira, em seguida lançou a marca de carros Tesla em Dubai, em um evento que os organizadores informaram não estar aberto à mídia internacional. Musk vem sofrendo críticas porque participa de um conselho de empresários que assessora o presidente Donald Trump.

Fonte: Folha

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