Formigas transgênicas auxiliam no estudo de sociedades complexas

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O pesquisador Daniel Kronauer da Universidade RockefellerEm e sua equipe, estão examinando a biologia, o cérebro, a genética e o comportamento de uma espécie de formiga (Cerapachys biroi) em detalhes. Os cientistas têm, meticulosamente, decorado a mão milhares de formigas com pontos cor-de-rosa, azul, vermelho e verde-limão, num sistema de cores que permite que um computador rastreie os movimentos delas 24 horas por dia, fazendo com que elas se pareçam com balas de goma ambulantes.

Os pesquisadores manipularam o DNA dessas formigas, criando o que Kronauer chama de as primeiras formigas transgênicas do mundo. Eles identificaram as chaves moleculares e neurais que estimulam as formigas a agirem como enfermeiras –e alimentar os mais novos– ou como rainhas –e procriar mais– ou até como brutais policiais –capturando colegas rebeldes.

Nosso objetivo final é entender como sistemas biológicos complexos funcionam", diz Kronauer. Para ele, formigas em uma colônia são como células em um organismo multicelular ou neurônios em um cérebro.

Ele e seus coautores descreveram seu trabalho em uma série de artigos recentes em revistas como o "Journal of Experimental Biology" e na revista científica "PNAS".

Os pesquisadores esperam transformar as formigas clonadas em um organismo-modelo assim como a E. coli e a Drosophila. Mas enquanto bactérias e moscas-da-fruta não nos ajudam a responder como os genes operam, as formigas de Kronauer oferecem aos cientistas a chance de explorar, sob condições controladas, a origem e a evolução de sociedades de animais.

Para isso, eles "desligam" ou editam genes das formigas e veem como elas respondem, medem os movimentos por frações de milímetros, alimentam os bichos demais e também as privam de comida e misturam formigas de diferentes idades e até de diferentes experiências de vida.

Fonte: Folha

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