Abilio nos ensina que a felicidade é que traz dinheiro

abilio diniz

Hoje eu faço 59 anos. Quando a gente chega a esse momento da vida, tem de enfrentar uma hora “H” —ou aposentamos nossos sonhos ou, ao contrário, vamos atrás deles como nunca.

Foi nessa dimensão transcendente que Abílio Diniz comemorou seus 80 anos, num dos eventos mais comoventes que já vi.

Esses olhos emotivos de baiano libanês já viram muitas coisas, mas foi demais ver um homem dar uma festa de aniversário e, ao invés de receber, dar o presente em grande estilo.

Abilio juntou os maiores especialistas do mundo em longevidade com qualidade para mostrar o caminho de uma coisa maior. Que é justamente o que as pessoas esperam nesse momento das suas vidas: tempo, alegria, legado… vida.

Não é à toa que os americanos dividem a vida em: “learn, earn, serve”: aprender um ofício, ganhar a vida e depois servir ao seu país, à sua comunidade.

Foi um evento de serviço. Estavam ali representantes dos maiores centros de conhecimento do mundo mostrando os caminhos para seguir perfeitamente ativo e altivo na vida muito tempo depois do que no passado se chamava velhice.

Ficou muito claro que o envelhecimento da população é uma das maiores mudanças da história humana, talvez a maior, e traz com ela oportunidades e aprendizados espetaculares.

Muito aprendemos com o maior especialista de sono de Oxford, com a criadora do conceito Mindfulness, com o expert em controle de estresse de Harvard, com o explorador que identificou as comunidades mais longevas do mundo e seus segredos, com a pura emoção de Guga Kuerten, com pesquisadores brasileiros incríveis.

Ficou claro que não dá para ter bom desempenho em nenhuma atividade se você não administrar sua cabeça, seu sono, seu foco, sua alimentação. Porque sem essa gestão pessoal você não vai ter a inteligência emocional para fazer tudo o que aprendeu na faculdade.

O professor Abilio reuniu ali um número democrático de amigos, pessoas de todos os tipos de riqueza humana, e foi sensacional. Ele fez o evento como faz tudo: de coração, apaixonado, buscando resultado, querendo convencer e converter as pessoas, e isso, para mim, foi a coisa mais comovente de tudo.

Não foi um evento em causa própria, não era ele falando dele, ao contrário. Foi ele dividindo com as pessoas o que aprendeu e segue aprendendo ao longo da vida.

Minha admiração por Abilio vem do homem que ele é, mas, sobretudo, do homem que ele se tornou. As coisas que a gente é na vida não são méritos nossos. Elas vêm de Deus, da natureza, nós nascemos assim.

Agora, no que a gente se transforma, isso sim é mérito nosso. Essa dimensão maior, essa dimensão de propósito, foi tudo o que se viu ali. E não dá para contar essa história de transformação sem falar de Geyze, a coanfitriã e curadora do evento.

Ao final, numa conversa comovente com Fernanda Montenegro, oito anos mais velha que ele, Abilio disse aos convidados: “Eu não quero elogios, eu quero que vocês me paguem, eu quero que vocês relatem tudo o que viram aqui aos seus parentes, aos seus amigos, nas suas empresas”.

É o que estou fazendo. Eu vou colocar a pauta da minha vida e da minha empresa nisso. Eu não quero que nosso grupo empresarial seja apenas um lugar de gente talentosa.

Eu quero que ele seja um lugar de gente feliz. Por tudo o que eu vi naquele evento, fica claro que não é o dinheiro que traz felicidade, mas a felicidade que traz dinheiro. E coisas muito melhores, como saúde, amor, equilíbrio…

Artigo originalmente publicado na Folha de S.Paulo em 9/05/2017

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